A marginalidade de Miró da Muribeca na performance e poesia: o rompimento das linhas da colonialidade e a aproximação entre arte e educação
Miró da Muribeca. Poesia marginal. Educação de Jovens e Adultos.
Decolonialidade.
A presente pesquisa objetiva analisar a performance e poesia de Miró da Muribeca enquanto desafiantes das normas da colonialidade, ao mesmo tempo que dialogam com os princípios da educação popular e com uma reflexão crítica sobre identidades. Parte-se da compreensão de que a poesia marginal pode ser interpretada como um movimento de reconfiguração do sujeito literário latino-americano, na medida em que desloca o centro da produção cultural para territórios periféricos e urbanos. Inserida nesse contexto, a obra de Miró, nascida da
periferia recifense, revela uma pedagogia que se constrói em intersecção com o território e a comunidade, na qual a dimensão performática do fazer poético evidencia a poesia como ação, experiência corporal e escuta ativa. Ao adotar a perspectiva decolonial, dialoga-se com as contribuições de Walter Mignolo (2017), que problematiza a pretensa universalidade do saber ocidental e evidencia seu caráter histórico e eurocêntrico, responsável por marginalizar outras formas de conhecimento e existência. Nesse horizonte, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é compreendida como uma modalidade educacional marcada por especificidades
históricas, sociais e pedagógicas, destinada a sujeitos que tiveram seu direito à escolarização interrompido ou negado ao longo de suas trajetórias de vida, configurando-se, portanto, como um campo fecundo para o diálogo com práticas poéticas de caráter emancipatório. Metodologicamente, a pesquisa adotará uma abordagem qualitativa, iniciando-se por um estudo bibliográfico articulado à análise documental de seis produções audiovisuais, “Janela de Ônibus”, “Não esqueça da minha Caloi”, “Bicicleta de Belinha”, “Deus no Carnaval de
Recife”, “O tempo não morre nunca” e “Muribeca é logo ali”, além de sete poesias do livro Miró Até Agora. O campo empírico da pesquisa será a EJA, por meio da realização de grupo focal, metodologia que favorece a escuta coletiva, a troca de experiências e a construção compartilhada de sentidos, possibilitando compreender como/se a poética performática de Miró pode dialogar com processos formativos críticos, impactar identidades e romper com as normas da colonialidade.