GESTOPIA:
A imagem como corpo utópico do gesto
Imagem. Corpo. Gesto. Fabulação. Gestopia
Ancorada em uma perspectiva de ciência situada, difratada e emaranhada, conforme
proposto por Donna Haraway e Isabelle Stengers, esta pesquisa analisa quatro produções
audiovisuais de Dea Ferraz — Câmara de Espelhos (2016), Agora (2020), Segunda Pele
(2026) e Atlas Tentacular (2025) — articulando com elas as noções de imagem, gesto e corpo,
na busca por outras formas de relação com a imagem. A investigação faz do exercício entre a
prática e a teoria sua metodologia e modo de elaboração artística, política e científica. Em
diálogo com Câmara de Espelhos, resgatamos uma ontologia da imagem para pensá-la como
corpo vivo, a partir de contribuições de Didi-Huberman, Marie-José Mondzain, Jacques
Rancière, Ailton Krenak, Davi Kopenawa, entre outros. Com Agora, o gesto é abordado como
afecção, em interlocução com Giorgio Agamben, Didi-Huberman e Baruch Spinoza. Já em
Segunda Pele, o corpo é concebido como tentacular e simbiótico, em diálogo direto com
Michel Foucault, Gilles Deleuze, Antonin Artaud, Isabelle Stengers, Donna Haraway, Anna
Tsing, Jota Mombaça e Castiel Vitorino Brasileiro. A partir dessas articulações, a tese chega
ao conceito de Gestopia, uma noção sensorial e corpórea da relação com as imagens e de seu
potencial de afecção e contaminação. Por fim, no processo coletivo de criação e apresentação
do Atlas Tentacular, uma videoinstalação de 35 minutos, a pesquisa assume a ficção
especulativa, a fabulação e o sonho como metodologias de experimentação da Gestopia
enquanto prática criativa. Frente à hiperexposição às imagens e ao consequente esvaziamento
de sua potência poética no cotidiano, a Gestopia é apresentada como uma rota de fuga para
outros modos de estar-com as imagens.