HORROR QUEER NO VIDEOCLIPE DE ARTISTAS LGBTQIAPN+:
Perspectivas sônico-musicais para análise da performance no audiovisual
horror queer; videoclipe; música pop brasileira; categorias sônicas
Esta dissertação investiga como o horror queer é apropriado e ressignificado nas performances de artistas LGBTQIAPN+ brasileiras por meio do videoclipe. No primeiro momento, organiza-se um arcabouço teórico-crítico sobre o horror queer a partir do diálogo entre Benshoff (1997), Halberstam (1995) e Elliott-Smith (2016), articulando-o às formulações sobre o camp de Sontag (1966) e às discussões sobre corporeidade, monstruosidade e desvio em Finol (2015) e Luciano e Chen (2015). No segundo momento, propõe-se um mapeamento de três categorias sônicas: o grito, o uivo e a gargalhada, que migram do cinema de horror para a produção musical pop, mobilizando Carreiro (2020, 2023, 2025), Hutchings (2004), Marks (2000), Sobchack (2004), Whittington (2014) e Williams (1991), para evidenciar como cada um desses recursos opera como dispositivo de inscrição corpórea. No terceiro, mobiliza-se a metodologia da constelação acústica, proposta por Lira e Soares (2024), associada às ferramentas analíticas de Soares (2013), para examinar cinco videoclipes brasileiros: VTNC (Katy da Voz e as Abusadas, 2024), Tanto Faz (Urias, 2022), Sinal Fechado (Getúlio Abelha, 2020), NHAC! (Chameleo e Johnny Hooker, 2022) e AMEIANOITE (Pabllo Vittar e Gloria Groove, 2022) em suas múltiplas camadas expressivas: capa do single, letra, produção sonora e construção audiovisual. A pesquisa contribui ao introduzir o videoclipe como objeto da análise do horror queer no Brasil e ao trazer para o debate uma cena pop contemporânea de artistas LGBTQIAPN+ ainda pouco discutida sob essa chave teórica.