Surto midiático: adoecimento, performance e espetacularização do sofrimento na cultura pop
Cultura Pop; Estudos de Performance; celebridades; adoecimento; surto midiático
Esta tese investiga o que chamamos de surtos midiáticos - episódios de adoecimento e sofrimento psíquico de celebridades que transbordam a esfera privada e se convertem em dramaturgias midiatizadas de alta repercussão - como categoria analítica para compreender as articulações entre subjetividade, performance e mercado na cultura pop contemporânea. Partindo do estudo de caso da cantora Britney Spears e do exame de episódios envolvendo artistas como Demi Lovato, Lady Gaga e Avril Lavigne, a pesquisa propõe que tais eventos excedem a cobertura ordinária de celebridades ao inaugurar dramas sociais (Turner, 2017) que mobilizam múltiplos agentes em torno da disputa pelo sentido da crise. O quadro teórico-metodológico se ancora nos Estudos de Performance (Schechner, 2013; Soares, 2021; Taylor, 2013; Féral, 2015), adotando a performance como lente epistemológica capaz de compreender ações humanas como simultaneamente autênticas e construídas. A partir de dois protocolos analíticos, o estudo das dramaturgias e a análise dos roteiros performáticos (Soares, 2021), a tese propõe compreender o surto midiático a partir de três dimensões inter-relacionadas: ontológica, cênico-teatral e mercadológica. Argumenta-se que a “crise”, longe de representar mera ruptura narrativa, converte-se em capital simbólico e afetivo que reorganiza posições, renegocia visibilidades e reescreve trajetórias de carreira, revelando como a instrumentalização do sofrimento é estrutural à lógica da indústria do entretenimento.