COMER EMOCIONAL E FATORES ASSOCIADOS À OBESIDADE EM PESSOAS IDOSAS: UM ESTUDO DE MÉTODO MISTO
Pessoas Idosas. Obesidade. Comer Emocional. Fatores de Risco.
A obesidade em pessoas idosas constitui um fenômeno multifatorial, influenciado por aspectos biológicos, emocionais, sociais e comportamentais, estando associada ao aumento do risco de doenças crônicas e redução da qualidade de vida. Nesse contexto, fatores emocionais e comportamentos alimentares, especialmente o comer emocional, têm se mostrado relevantes para a compreensão do excesso de peso no envelhecimento. Dessa forma, este estudo teve como objetivo analisar o comer emocional e fatores associados à obesidade em pessoas idosas. Trata-se de um estudo de abordagem mista, com delineamento transversal e componente qualitativo. A etapa quantitativa avaliou variáveis sociodemográficas, clínicas, comportamentais e emocionais associadas à obesidade pré-clínica. A etapa qualitativa foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, gravadas e transcritas na íntegra, analisadas pela técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), permitindo identificar os significados atribuídos à alimentação e sua relação com os estados emocionais. A pesquisa foi realizada com pessoas idosas atendidas em hospital público na cidade do Recife, Pernambuco, Brasil, no período de abril a junho de 2025. Foi observada prevalência de obesidade de 35,04% (n = 96) entre os participantes avaliados. A ansiedade apresentou associação, sugerindo possível relação indireta mediada pelo comportamento alimentar. Da mesma forma que, o sexo feminino, a hipertensão arterial sistêmica e o consumo de alimentos ultraprocessados também apresentou associação à obesidade. Os discursos das pessoas idosas com obesidade evidenciaram que a alimentação ultrapassa a função biológica, sendo associada ao prazer, acolhimento, memória afetiva, vínculos sociais e regulação emocional. O comer emocional foi identificado como estratégia recorrente para lidar tanto com emoções negativas quanto positivas, funcionando como mecanismo de consolo, recompensa e celebração. Os achados revelam que a alimentação ocupa papel central na vida das pessoas idosas, extrapolando a dimensão nutricional e assumindo significados afetivos, culturais e sociais. O comer emocional mostrou-se relacionado à utilização da comida como estratégia de enfrentamento emocional, especialmente em contextos de ansiedade, tristeza, solidão e busca por prazer. A integração entre os resultados quantitativos e qualitativos sugere que fatores emocionais podem influenciar a obesidade de forma indireta, mediada pelo comportamento alimentar e pelo consumo de alimentos ultraprocessados. A obesidade em pessoas idosas apresenta caráter multifatorial e está relacionada não apenas a fatores clínicos e alimentares, mas também a aspectos emocionais, sociais e culturais. Os resultados reforçam a necessidade de abordagens interdisciplinares no cuidado à pessoa idosa, considerando o papel do comer emocional e dos significados atribuídos à alimentação no desenvolvimento e manutenção da obesidade. Além disso, evidenciam a importância de estratégias de cuidado que integrem aspectos nutricionais, psicológicos e sociais, contribuindo para intervenções mais humanizadas e efetivas no contexto do envelhecimento.