VELOCIDADE DE MARCHA E INDEPENDÊNCIA PARA ATIVIDADES AVANÇADAS DA VIDA DIÁRIA EM PESSOAS IDOSAS RESIDENTES EM COMUNIDADE
Envelhecimento. Velocidade de marcha. Atividades avançadas de vida diária. Funcionalidade. Pessoa idosa.
Introdução: O envelhecimento populacional tem aumentado a necessidade de estratégias voltadas à manutenção da funcionalidade da pessoa idosa. Entre os marcadores funcionais, a velocidade de marcha destaca-se como importante preditor de incapacidade, dependência e redução da mobilidade. As Atividades Avançadas de Vida Diária, por sua vez, representam tarefas complexas relacionadas à participação social, lazer e produtividade, sendo indicadores precoces de declínio funcional. Objetivo: Analisar a associação entre a velocidade de marcha e a independência para as atividades avançadas de vida diária em pessoas idosas residentes em comunidade. Métodos: Estudo transversal analítico, realizado com 96 pessoas idosas cadastradas em uma Unidade de Saúde da Família do Recife-PE. A velocidade de marcha foi avaliada pelo teste de caminhada usual de 4 metros, sendo classificada em reduzida (<0,8 m/s) ou normal (≥0,8 m/s). A independência para as atividades avançadas de vida diária foi mensurada pela Escala de Atividades Avançadas de Vida Diária. Foram realizadas análises descritivas, bivariadas e regressão logística binária, considerando nível de significância de 5%. Resultados: A média da velocidade de marcha foi de 0,91 ± 0,3 m/s, e 70,8% dos participantes apresentaram velocidade normal. Houve associação significativa entre velocidade de marcha e independência para as atividades avançadas de vida diária (p=0,002). Entre os indivíduos com velocidade reduzida, 75% apresentaram risco de dependência para as atividades avançadas de vida diária. Na análise multivariada, pessoas idosas com velocidade de marcha normal apresentaram menor chance de risco de dependência para as atividades avançadas de vida diária (ORaj=0,214; IC95%: 0,08–0,60; p=0,004). Escolaridade e nível de atividade física demonstraram associação na análise bivariada, porém perderam significância após ajuste. Conclusão: A velocidade de marcha mostrou-se fator independentemente associado à independência para as atividades avançadas de vida diária. Pessoas idosas com velocidade de marcha normal apresentaram menor risco de dependência funcional, reforçando a importância do rastreio precoce da mobilidade na atenção à saúde da pessoa idosa.