USO DE MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE INAPROPRIADOS PARA PESSOAS IDOSAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E FATORES RELACIONADOS.
Lista de Medicamentos Potencialmente Inapropriados; Idosos; Fragilidade.
O envelhecimento populacional representa uma tendência global crescente, com impacto significativo na estrutura etária e no perfil de morbimortalidade. No Brasil, observa-se aumento expressivo da população idosa, acompanhado por maior prevalência de doenças crônicas e consequente ampliação do uso de medicamentos. Nesse contexto, destaca-se a polifarmácia, frequentemente associada ao aumento do risco de uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI), definidos como aqueles cujos riscos superam os benefícios clínicos, especialmente diante de alternativas mais seguras. O uso de MPI está relacionado a diversos desfechos negativos, como quedas, hospitalizações, declínio cognitivo, fragilidade e aumento da morbimortalidade. Evidências indicam que o uso de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) está associado ao comprometimento cognitivo em pessoas idosas, contribuindo para episódios de confusão mental e perda de autonomia funcional. Considerando a cognição como um dos principais domínios da capacidade intrínseca, seu declínio relaciona-se a piores desfechos em saúde, reforçando a importância do monitoramento e da identificação de MPI para prevenção de danos e preservação da independência. Na Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do sistema de saúde, o cuidado à pessoa idosa exige abordagem integral, sendo essencial a avaliação criteriosa da farmacoterapia. Diante disso, torna-se fundamental investigar a associação entre o uso de MPI e fatores sociodemográficos, clínicos e cognitivos, a fim de subsidiar práticas mais seguras e contribuir para a melhoria da qualidade do cuidado à pessoa idosa. O objetivo do estudo é avaliar a prevalência do uso de medicamentos potencialmente inapropriados entre pessoas idosas atendidas na Atenção Primária à Saúde e sua associação com fatores sociodemográficos, clínicos e cognitivos. A metodologia adotada trata-se de um estudo transversal e quantitativo, realizado com dados secundários provenientes do estudo multicêntrico ICOPE – Viabilidade, conduzido no contexto da Atenção Primária à Saúde em sete cidades brasileiras. A amostra foi composta por 794 pessoas idosas (≥60 anos), selecionadas de forma randomizada a partir de listas de cadastrados em Unidades Básicas de Saúde. Os dados serão coletados por meio da plataforma REDCap, incluindo variáveis sociodemográficas (sexo, raça/cor e escolaridade), clínicas (número de medicamentos, presença de polifarmácia e ocorrência de quedas) e cognitivas (avaliação pelo Mini Exame do Estado Mental – MEEM). A variável dependente foi o uso demedicamentos potencialmente inapropriados, identificado com base nos Critérios de Beers (2023) e no Consenso Brasileiro de Medicamentos Potencialmente Inapropriados. Os medicamentos foram classificados segundo o sistema Anatomical Therapeutic Chemical (ATC). A análise dos dados incluirá a determinação da prevalência de MPI e a investigação da associação entre seu uso e as variáveis independentes, visando identificar fatores relacionados a essa prática na população idosa estudada.