Interação entre exercício físico e melatonina em ratos jovens alimentados com dieta
hipoproteica: uma análise comportamental, eletrofisiológica e de equilíbrio redox
Melatonina; Desnutrição; Atividade Física; Ansiedade; Sistema
Nervoso Central; Depressão Alastrante Cortical; Neuroplasticidade.
A desnutrição proteica precoce compromete o desenvolvimento cerebral, favorecendo alterações comportamentais, eletrofisiológicas e do equilíbrio redox. Este estudo avaliou os efeitos da administração subcutânea de melatonina (MLT), do exercício físico em esteira (EF) e de sua associação sobre ansiedade, memória, depressão alastrante cortical (DAC) e estresse oxidativo cerebral em ratos jovens bem nutridos e desnutridos. Métodos: Ratos bem nutridos e desnutridos foram designados a grupos exercitados em esteira (n =
20) ou sedentários (n = 20). Cada grupo recebeu MLT (n = 10/grupo) ou veículo (n = 10/grupo). A MLT foi administrada a 10 mg/kg, em dias alternados, e o EF consistiu em corrida forçada em esteira, em sessões diárias de 40 minutos, três dias por semana, entre P25 e P55. Após os tratamentos, os animais realizaram testes de ansiedade (labirinto em cruz elevado e campo aberto) e memória de reconhecimento de objetos. A DAC foi registrada por quatro horas. Os cérebros foram coletados para análise do equilíbrio redox. Resultados: A desnutrição aumentou os comportamentos do tipo ansioso, prejudicou a memória de reconhecimento, acelerou a velocidade de propagação da DAC e promoveu desequilíbrio redox cerebral. Este foi caracterizado por aumento da peroxidação lipídica e da produção de espécies reativas de oxigênio, associado à redução dos níveis de glutationa reduzida e da atividade de enzimas antioxidantes. Tanto a MLT quanto o EF reduziram significativamente os efeitos da desnutrição, melhorando os parâmetros comportamentais, diminuindo a propagação da DAC e atenuando os marcadores pró-oxidantes. A combinação das intervenções produziu valores próximos aos dos animais bem nutridos. Conclusão: A MLT e o EF exercem efeitos neuroprotetores complementares frente às alterações induzidas pela desnutrição proteica precoce. As intervenções atenuam prejuízos comportamentais, eletrofisiológicos e oxidativos, contribuindo para a restauração da homeostase cerebral e representando estratégias promissoras para minimizar os impactos da desnutrição sobre o neurodesenvolvimento.