Caracterização fitoquímica e avaliação de atividade anti-inflamatória em modelo de
colite induzida de extrato hidroetanólico de folhas de Cronton blanchetianus em
camundongos
Marmeleiro; flavonoides; toxicidade; estresse oxidativo;
imunomodulação
A colite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal crônica caracterizada
por inflamação contínua da mucosa colônica, associada à ulceração e
desregulação imune. Apesar da eficácia terapêutica, a farmacoterapia
convencional está frequentemente associada a efeitos adversos relevantes,
como distúrbios gastrointestinais, alterações metabólicas, imunossupressão e
hepatotoxicidade, o que reforça a necessidade de novas abordagens
terapêuticas. Assim, sob a perspectiva etnofarmacológica, Croton
blanchetianus (Euphorbiaceae), conhecida como “marmeleiro”, amplamente
empregada na medicina tradicional no distúrbios gastrointestinais, inflamações,
dores e infecções, surge como uma possível alternativa de tratamento. Neste
trabalho, investigamos o efeito do tratamento oral do extrato hidroetanólico das
folhas de Croton blanchetianus na colite ulcerativa induzida por acido acético,
bem como, a caracterização química e avaliação da toxicidade oral aguda. O
extrato hidroetanólico (50% v/v) foi caracterizado por Cromatografia Líquida de
alta eficiência (CLAE-DAD) e avaliado quanto a toxicidade oral aguda em dose
única (2.000 mg/kg v.o), enquanto a colite foi induzida por ácido acético em
camundongos. A análise cromatográfica revelou um perfil fitoquímico complexo
com 12 picos cromatográficos, predominantemente flavonoides, incluindo a
identificação de rutina como marcador químico. A avaliação toxicológica aguda
(2.000 mg/kg, v.o.) demonstrou ausência de alterações comportamentais,
fisiológicas ou mortalidade, indicando baixo potencial tóxico. A indução de
colite por ácido acético promoveu alterações clínicas e morfológicas
significativas, incluindo perda de peso, sangramento, alterações fecais,
aumento do índice de úlcera e encurtamento/espessamento do cólon,
caracterizando inflamação intestinal acentuada. O tratamento com o extrato de
C. blanchetianus (50, 100 e 200 mg/kg) reduziu significativamente esses
danos, com eficácia semelhante à prednisolona. Bioquimicamente, a colite
elevou o nível de malondialdeido (MDA, 78,32±0,57) e reduziu superóxido
dismutase (SOD, 1,44±0,25) e catalase (CAT, 1,84±0,22), indicando estresse
oxidativo. O extrato reverteu esses parâmetros, diminuindo a peroxidação
lipídica (69,21±4,74 - 28,06±0,35) e restaurando a defesa antioxidante, com
9,97±0,85 e 7,37±0,68 para SOD e CAT, respectivamente, na maior dose de
extrato. Adicionalmente, o extrato promoveu modulação imunológica
especialmente após o tratamento na maior dose, com redução de TNF-α
(49,52) e IL-1β (75,01±8,34) e aumento de IL-10 (103,04±11,05), enquanto os
níveis de TNF-α, IL-1β e IL-10 no grupo colítico foram 96,76±8,03,
163,42±15,42 e 43,01±4,27, respectivamente. Em conjunto, os dados
demonstram que o tratamento oral com extrato de C. blanchetianus promoveu
ação protetora na colite por mecanismos antioxidantes e imunomoduladores,
possivelmente mediado pelo conteúdo de flavonoides presentes com ausência
de toxicidade oral.