AVALIAÇÃO DO EFEITO RADIOMITIGADOR IN VITRO DO EXTRATO DE Ginkgo biloba L. EM LINFÓCITOS HUMANOS IRRADIADOS COM 60Co
radiação ionizante; radiomitigadores; Ginkgo biloba; micronúcleos; atividade antioxidante.
A exposição à radiação ionizante promove efeitos diretos e indiretos sobre o DNA, incluindo quebras cromossômicas e formação de espécies reativas, sendo o ensaio de micronúcleos com bloqueio de citocinese (CBMN) amplamente utilizado como biomarcador citogenético de danos genotóxicos. Diante do crescente uso da radiação ionizante e dos riscos associados à sua exposição, torna-se necessária a investigação de agentes capazes de mitigar seus efeitos biológicos. Radiomitigadores são substâncias administradas após a exposição que reduzem a progressão do dano radioinduzido e a Ginkgo biloba L. surge como uma possível opção por conter compostos bioativos, como flavonoides, terpenoides e polifenóis, com reconhecidas propriedades antioxidantes. Este estudo teve como objetivo avaliar o potencial radiomitigador in vitro do extrato de G. biloba em linfócitos humanos irradiados com 2 e 4 Gy de radiação gama, utilizando o CBMN como biomarcador. O extrato foi caracterizado quanto à atividade antioxidante pelos métodos de varredura dos radicais DPPH e ABTS•⁺, bem como determinação de capacidade antioxidante total (CAT). Amostras de sangue periférico humano foram distribuídas nos grupos: controles não irradiados tratados ou não com o extrato; controles irradiados sem tratamento; e grupos irradiados tratados com o extrato nas concentrações de 0,025 e 0,05 µg/mL. A irradiação foi realizada com fonte de ⁶⁰Co e as culturas celulares foram conduzidas segundo protocolo padronizado. O extrato apresentou atividade antioxidante, com efeito dose-dependente. No teste DPPH, o extrato apresentou CI₅₀ de 0,11 mg/mL, enquanto no ensaio ABTS•⁺, a CI₅₀ foi 0,76 mg/mL. A CAT apresentou aumento progressivo em função da concentração do extrato. Nos ensaios citogenéticos, a exposição à radiação ionizante provocou aumento expressivo e dose-dependente de MN nas amostras irradiadas e não tratadas com o extrato. A adição do extrato pós-irradiação reduziu significativamente a frequência de MN em todos os indivíduos, com efeito mais consistente na concentração de 0,025 µg/mL e especialmente em 2 Gy. A distribuição de MN confirmou que o dano induzido pela radiação permaneceu estocástico, com sobredispersão nas amostras irradiadas, mesmo após o tratamento com o extrato. A estimativa da dose biológica mostrou redução significativa do dano cromossômico nas amostras tratadas, com valores próximos à metade da dose física em 2 Gy. Em conjunto, os resultados demonstram que o extrato de G. biloba exerce efeito radiomitigador in vitro, atenuando danos genotóxicos induzidos pela radiação ionizante, possivelmente associado às suas propriedades antioxidantes.