Impacto da Adição de Resíduo de Semente de Jaca em Propriedades Físicas e Microestruturais de Compósitos Cimentícios Sustentáveis
Argamassas; Resíduo da Semente de Jaca; propriedades químicas; propriedades físicas; desempenho mecânico.
A urgente demanda por materiais de construção sustentáveis tem impulsionado a busca por soluções para reduzir impactos ambientais e melhorar o desempenho das matrizes cimentícias. Nesse contexto, o presente estudo investigou o potencial do Resíduo de Semente de Jaca (RSJ), um subproduto orgânico rico em amido, como aditivo biopolimérico em argamassas de revestimento. O objetivo central foi avaliar a influência do RSJ sobre o comportamento físico, mecânico e microestrutural das argamassas, analisando sua viabilidade como material ecoeficiente alinhado aos princípios de economia circular. Foram desenvolvidas quatro formulações: uma argamassa de referência e três argamassas modificadas com teores de 3%, 5% e 7% de RSJ em relação à massa de ligante. Os corpos de prova foram submetidos a ensaios de consistência, absorção de água por capilaridade, densidade aparente e resistência mecânica à compressão axial. Para compreender os mecanismos de atuação do RSJ, foram realizadas análises microestruturais e químicas por Difração de Raios X (DRX), Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR), Fluorescência de Raios-X (FRX) e Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV).As análises por FRX forneceram o panorama elementar das matérias-primas e das argamassas, evidenciando a composição iônica do RSJ — com destaque para teores expressivos de potássio (K) e carbonatos — e confirmando variações de Ca, Si e Fe nas formulações com adição. Esses dados suportam a hipótese de que, além do efeito físico do amido, há uma contribuição iônica capaz de modular localmente a morfologia dos produtos de hidratação e favorecer formações superficiais que alteram a conectividade capilar. O FTIR identificou os grupos funcionais característicos do RSJ, com bandas atribuídas a ligações O–H e C–O do amido, indicando sua natureza hidrofílica e capacidade de retenção de água. As análises de DRX revelaram as fases típicas das argamassas cimentícias — portlandita, etringita, CaCO₃ e C–S–H — sem evidências de reação pozolânica do RSJ. As micrografias de MEV mostraram regiões com poros e microfissuras, além de áreas de densificação local atribuídas à presença do RSJ. Ainda se verificou que a presença do RSJ aumentou o índice de consistência e influenciou a absorção por capilaridade; em termos mecânicos, a resistência à compressão manteve-se compatível com requisitos de argamassas de revestimento, com leve queda em teores mais elevados.