Banca de DEFESA: DANIELA EUGENIA MOURA DE ALBUQUERQUE

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DANIELA EUGENIA MOURA DE ALBUQUERQUE
DATA : 28/05/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Por videoconferência
TÍTULO:

A biobibliografia contra o silêncio: recordação e interpretação de Jordão Emerenciano


PALAVRAS-CHAVES:

Silenciamento; Produção Intelectual; Memória Coletiva; Modelo Biobibliográfico; Pernambuco.


PÁGINAS: 559
RESUMO:

Severino Jordão Emerenciano, mais conhecido como Jordão Emerenciano, nasceu em 14 de fevereiro de 1919, na cidade de Catende, localizada na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Polímata, dedicou-se a investigar e documentar o Nordeste brasileiro, defendendo com afinco a cultura e memória, especialmente a pernambucana. Apesar do reconhecimento formal e simbólico materializado na nomenclatura do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano, e em nomes de ruas, escola e premiação, isso nunca garantiu sua efetiva circulação nem sua consolidação na memória social. Na maioria das vezes, o Arquivo é referido como “Arquivo Público Estadual” (APE) ou “Arquivo Público de Pernambuco”, relegando ao silêncio o nome de Jordão Emerenciano, não apenas em sua nomenclatura, como também em sua memória para Pernambuco. Diante dessa tessitura, a materialidade do nome próprio torna-se uma variável comum e um ponto de acesso ao universo biobibliográfico. Sendo assim, a biobibliografia, aqui evocada, é um recurso de (re)construção da memória coletiva, pois assume um olhar social por meio de diferentes pontos de referência, como os lugares de memória, as datas, as redes de indivíduos, ao exercer uma racionalidade, cujas significações sustentam a atualização constante da lembrança. Diante disso, o objetivo geral consiste em propor um modelo de análise biobibliográfica fundamentado nas contribuições teóricas acerca da memória coletiva a partir da produção intelectual de e sobre Jordão Emerenciano. O estudo apresenta fins exploratórios, utilizando meios bibliográficos e documentais, por meio do método indiciário. O percurso metodológico divide-se em três universos: 1) produção intelectual de e sobre Jordão Emerenciano; 2) proposições acerca de um método biobibliográfico; e 3) proposta de um modelo biobibliográfico. O primeiro universo distribui-se em quatro fases: 1) bases de dados científicas; 2) catálogos de bibliotecas; 3) pesquisa in loco; e 4) jornais pernambucanos. Os resultados apresentam um modelo biobibliográfico a partir de cinco dimensões biobibliográficas e interdependentes, de seus objetos, variáveis, objetivos, métodos e técnicas e produtos, sendo as dimensões: histórico-interpretativa, documental, cronológica, institucional e relacional. No entender da pesquisa, define-se a biobibliografia como um recurso de (re)construção da memória coletiva, pois assume um olhar social por meio de diferentes pontos de referência, como os lugares de memória, as datas, as redes de indivíduos, ao exercer uma racionalidade, cujas significações sustentam a atualização constante da lembrança que, por meio do núcleo do gesto biobibliográfico, articula técnica, método, razão e tecnologia nos pressupostos da organização e representação do conhecimento. Em suas atividades de sistematização da informação, configura-se como um trabalho essencialmente coletivo, que envolve lugares de memória, redes de colaboração e diferentes lugares de fala. Nesse processo, a biobibliografia reflete disputas simbólicas conferindo densidade sociocultural de consagração e reconhecimento da autoria, ao favorecer a visibilização, a preservação, a ressignificação e a busca memorial de trajetórias frequentemente marginalizadas, subalternizadas ou silenciadas, ultrapassando, assim, a condição de mera obra de referência e tornando-se num instrumento capaz de combater o silenciamento de intelectuais historicamente invisibilizados. Conclui-se que, diferentemente do modelo tradicional de construção biobibliográfica, geralmente estruturado por uma cronologia linear que indica relações entre vida e obra, este trabalho, propôs um modelo flexível e, ao mesmo tempo, complexo, sem prender-se rigidamente à sucessão cronológica dos acontecimentos. Tal modelo permitiu considerar os pormenores elementos da produção do intelectual, produzida entre as décadas de 1930 e 1970, cujos indícios documentais, institucionais, relacionais, cronológicos e histórico-interpretativos permanecem atuais e capazes de oferecer contribuições relevantes aos estudos biobibliográficos contemporâneos. Jordão Emerenciano era profundamente devoto a Pernambuco, uma de suas principais contribuições estão em: a) 745 itens bibliográficos; b) 218 eventos no APE; c) 184 palestras; d)166 atribuições em cargos, comissões, medalhas, comissões julgadoras e distinções; e) 107 fotografias; f) 84 principais matérias no Diario de Pernambuco; g) 78 integrantes de sua rede intelectual; h) 71 livros lançados no APE; i) 55 dedicatórias; e j) 14 atuações como advogado criminal. A tese não apenas ressignifica a memória de Jordão Emerenciano, como também traz à tona a riqueza intelectual, cultural e memorial pernambucana e de seus intelectuais historicamente silenciados.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1673028 - MURILO ARTUR ARAUJO DA SILVEIRA
Interna - ***.321.314-** - BERNARDINA MARIA JUVENAL FREIRE DE OLIVEIRA - UFPB
Interno - 1707921 - HELIO MARCIO PAJEU
Externo à Instituição - CARLOS HENRIQUE JUVÊNCIO DA SILVA - UFF
Externa à Instituição - GILDA MARIA WHITAKER VERRI - UFPE
Notícia cadastrada em: 25/05/2026 09:03
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