O paradoxo entre periódicos legítimos e predatórios no ecossistema acadêmico: impactos sobre credibilidade, avaliação e equidade na comunicação científica
Comunicação científica. Ciência Aberta. Periódicos predatórios. Avaliação científica. Estudos métricos da informação
Esta tese investiga o paradoxo estrutural que emerge no ecossistema contemporâneo da comunicação científica a partir da coexistência entre periódicos legítimos de acesso aberto e periódicos predatórios, analisando seus impactos sobre a credibilidade científica, os regimes de avaliação acadêmica, e as desigualdades estruturais associadas à Ciência Aberta. Fundamentado na Ciência da Informação, o estudo parte da compreensão de que tais periódicos não constituem desvios isolados, mas sintomas de distorções sistêmicas produzidas pela articulação entre modelos editoriais mercantilizados, centralidade de métricas quantitativas, e assimetrias globais persistentes. O referencial teórico articula debates sobre Ciência Aberta, modelos de publicação, avaliação científica, governança institucional e equidade, delineando um quadro conceitual relacional que sustenta a investigação empírica. Metodologicamente, adota-se uma abordagem integrada de natureza quantitativa e qualitativa, combinando análise cientométrica forense, análise documental e triangulação analítica, com vistas à identificação de padrões anômalos de publicação, citação e coautoria, bem como à análise de políticas institucionais e regimes avaliativos. Como contribuições esperadas, a pesquisa busca avançar na compreensão do papel sistêmico dos periódicos predatórios na comunicação científica, propor usos críticos de métricas acadêmicas e oferecer subsídios empíricos para o fortalecimento de políticas de avaliação responsável, curadoria editorial, e governança da Ciência Aberta, especialmente em contextos marcados por desigualdades estruturais.