Pessoa com Deficiência. Ergonomia. Qualidade de Vida no Trabalho. Inclusão. Ambiente de Trabalho.
Pessoa com Deficiência. Ergonomia. Qualidade de Vida no Trabalho. Inclusão. Ambiente de Trabalho.
Esta dissertação investiga a inclusão da Pessoa com Deficiência (PcD) no ambiente de trabalho, com foco
na relação entre a Ergonomia e a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), com o objetivo de propor recomendações para melhorar as condições e as relações nesse contexto, como estratégia de inclusão. Trata-se de uma pesquisa classificada como estudo de campo, do tipo exploratória, desenvolvida em uma instituição financeira pública com unidades localizadas no Recife e Região Metropolitana. Os procedimentos metodológicos envolveram análise documental, aplicação do Inventário de Qualidade de Vida no Trabalho e a realização de grupos focais com funcionários com deficiência e com gestores. A análise documental evidenciou que a instituição possui políticas, procedimentos e sistemas estruturados que buscam promover a inclusão.Os resultados da aplicação do Inventário revelam que, embora existam indicadores de bem-estar associados a todas as dimensões, principalmente às condições de trabalho e às relações socioprofissionais, também há fatores de mal-estar e estado de alerta nas dimensões relacionadas à organização do trabalho, ao reconhecimento e crescimento profissional e ao elo trabalho–vida pessoal que devem ser aprimorados com recomendações. Os grupos focais demonstraram que a inclusão vai além do cumprimento legal das cotas, apresentando falas e sugestões diretamente relacionadas às práticas de gestão, à comunicação organizacional, à adequação dos processos e ao reconhecimento das características de cada funcionário com deficiência. A pesquisa de campo realizada em Portugal, a partir da análise das leis e das atribuições do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), permitiram identificar diferenças entre os contextos brasileiro e português no que se refere aos critérios de enquadramento da deficiência, ao sistema de cotas, aos mecanismos de apoio estatal, entre outras. Como produto da pesquisa, foram propostas recomendações voltadas à melhoria da QVT, envolvendo ações com potencial de impacto nos processos de trabalho, na comunicação, na formação de gestores e no fortalecimento das práticas institucionais de inclusão. Conclui-se que a inclusão exige mais do que o atendimento às normas legais; envolve processos complexos de transformação das relações, dos fluxos e das culturas organizacionais, que podem ser sustentadas pelos princípios da ergonomia e da qualidade de vida no trabalho. Assim, reafirma- se que a inclusão se constrói com participação, orientada pelo princípio de que nenhuma decisão sobre pessoas com deficiência deve ser tomada sem sua participação direta: “nada sobre nós, sem nós”.