Banca de QUALIFICAÇÃO: ISABELA TELES DE OLIVEIRA GOUVEIA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ISABELA TELES DE OLIVEIRA GOUVEIA
DATA : 29/10/2025
LOCAL: VIA VIDEOCONFERÊNCIA
TÍTULO:

MADE IN BRAZIL: Estilística nos Mangás Brasileiros da “Turma da Mônica”


PALAVRAS-CHAVES:

Estilo; Design da Informação; Mangá Brasileiro; Hibridismo Cultural; Turma da Mônica


PÁGINAS: 70
RESUMO:

Desde os anos 90, observamos um boom do mangá como um símbolo de cultura pop, e sua subsequente domesticação no Ocidente, gerando um produto híbrido chamado “mangá global” (Brienza, 2015). A autora enxerga o mangá global como “obras publicadas de arte sequencial onde não ocorre um real investimento econômico ou laboral naquela produção oriundas do Japão”, mas normaliza a existência de apropriações, empréstimos e reinterpretações simbólicas e estilísticas (intencionais ou não) no processo criativo e produtivo destes quadrinhos. No contexto cultural brasileiro, objetos culturais japoneses chegam em nosso país e ocupam a televisão, o cinema, a banca de jornal e a livraria, influenciando o modo que consumimos e produzimos mídia. Autores como Santos, Vergueiro e Corrêa (2015) afirmam que a história do mangá nacional no Brasil é dividida em duas eras: uma com início nos anos 60 com artistas nipo-brasileiros, atendendo uma audiência de nicho já acostumada a ler o “mangá original” japonês. A segunda era tem início nos anos 80, após a abertura das relações comerciais com o Japão pós-ditadura militar no Brasil, atendendo uma audiência ampla. O “estilo mangá” é adotado por artistas brasileiros e gera um produto hiper-local, o “mangá brasileiro”, caracterizado por inserir temáticas, cenários e linguagens culturais profundamente ligadas ao nosso país, ao invés de meramente importar estes elementos da cultura japonesa. Dois exemplos populares são as linhas de produtos “em estilo mangá” da marca de quadrinhos infantis “Turma da Mônica”, que utiliza os mesmos personagens da série infantil em versões crescidas para atrair novas audiências. Em 2008, Mauricio de Sousa lança a série “Turma da
Mônica Jovem”, voltada para o público adolescente, onde traz os personagens com 15 anos de idade, mesclando dilemas do cotidiano com aventura, romance e ação. Já em 2019, lança sob o selo “Mangá MSP” a série “Turma da Mônica: Geração 12”, voltada para o público pré-adolescente, com histórias de ficção científica e fantasia em um cenário colegial, onde os personagens têm 12 anos de idade. Nossa metodologia mescla um conjunto de abordagens teóricas sobre "estilo" com a realidade histórica desses mangás. Nossa pesquisa inicia reconhecendo a contribuição dos estudos de sintaxe visual do estilo na tradição da linguagem gráfica (Ashwin,1979 e Twyman, 1979). Mas nosso foco tem sido as teorias de quadrinhos (Cohn, 2007; McCloud, 2005) mesclado com a abordagem multimodal de Siefkes e Arielli (2018) sobre o fenômeno social do estilo. Aprofundamos essa perspectiva sociológica nos estudos culturais de Polhemus (2003), McRobbie (1991), Hebdige (1979) e outros sociólogos da teoria subcultural e pós subcultural. Investigamos manifestações estilísticas do mangá nesses dois exemplos de mangás brasileiros, analisando elementos temático-narrativos, elementos de representação gráfica e disposição de painéis. O estudo conduz uma análise paralela com elementos similares presentes na linguagem gráfica japonesa (Natsume, Holt e Fukuda, 2021), a fim de determinar como o contexto cultural e social afeta escolhas de design de personagens e estrutura narrativa. Por fim, nosso objetivo não é limitar-nos a uma análise sintática do estilo gráfico, mas explorar o estilo como uma manifestação direta das tendências sociais e de estilo de vida nessas histórias em quadrinhos, entendendo-as como reflexos de seus distintos zeitgeists culturais.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - BÁRBARA EMANUEL - UFF
Interno - 2364118 - GUILHERME RANOYA SEIXAS LINS
Presidente - 1567049 - RICARDO OLIVEIRA DA CUNHA LIMA
Notícia cadastrada em: 21/10/2025 13:21
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