ARTEFATOS MEDIADORES DE APRENDIZAGEM APLICADOS AO ENSINO DE EXPRESSÃO GRÁFICA: uma estratégia didático-pedagógica para a Engenharia
Artefatos Mediadores de Aprendizagem. Expressão Gráfica. Design Educacional. Aprendizagem Ativa. Engenharia. Representação Gráfica
Esta pesquisa investigou o papel dos Artefatos Mediadores de Aprendizagem (AMAs) no ensino de Expressão Gráfica (EG) para cursos de engenharia, à luz do Design Educacional e da Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). A motivação central parte da constatação de que o ensino tradicional da EG apresenta limitações frente às demandas contemporâneas de formação, exigindo abordagens que promovam a mediação cognitiva, a aprendizagem ativa e o engajamento dos estudantes. O referencial teórico contempla a evolução conceitual da EG — da Geometria Descritiva à Geometria Gráfica Tridimensional — e discute sua relevância como linguagem técnica e instrumento de pensamento projetual. Em seguida, são exploradas as concepções de AMAs a partir de autores como Vygotsky, Norman e Conole, propondo uma classificação baseada em natureza (física, digital,cognitiva, social e híbrida) e função pedagógica (visualização, mediação, interação, engajamento e adaptabilidade). Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa de cunho construtivista, fundamentada nos princípios da TFD e inspirada em elementos da Design-Based Research (DBR). O estudo empírico foi conduzido no âmbito de um curso preparatório de extensão universitária (CPEG), com carga horária de 20 horas, envolvendo estudantes de engenharia da UPE. O experimento foi estruturado em cinco encontros presenciais com atividades progressivas, nas quais os participantes construíram colaborativamente AMAs voltados à representação gráfica — incluindo vistas ortográficas, perspectivas cavaleira e axonometria ortogonal. A análise qualitativa identificou sete categorias analíticas interdependentes: construção coletiva de sentido, mediação responsiva, dificuldades técnicas, dificuldades conceituais, dificuldades relacionais, engajamento por experimentação e desenvolvimento do raciocínio espacial. Os resultados apontam que os AMAs, concebidos como instrumentos pedagógicos intencionais, se consolidam como mediadores culturais que articulam teoria e prática, conteúdo e forma, promovendo uma formação mais crítica, engajada e situada no ensino de EG.