Banca de DEFESA: RIVIANE DA SILVA MONTEIRO LOPES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RIVIANE DA SILVA MONTEIRO LOPES
DATA : 03/09/2026
HORA: 09:30
LOCAL: Remota
TÍTULO:

O percebido, o concebido e o vivido na ZEIS Casa Amarela (Recife): a dialética da produção do espaço e do enfrentamento das vulnerabilidades socioambientais nos morros.


PALAVRAS-CHAVES:

Morros e Encostas; Produção do Espaço Urbano; Vulnerabilidade Socioambiental; Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS); Casa Amarela (Recife-PE).


PÁGINAS: 200
RESUMO:

No contexto de uma cidade comumente reconhecida por sua natureza anfíbia, como Recife, esta dissertação enfoca sua outra dimensão: a epífita, representada pelos morros e encostas. A problemática central da pesquisa refere-se ao modo como a produção desigual do espaço urbano se relaciona diretamente com a vulnerabilidade socioambiental presente nesses territórios. Nesse recorte, objetivou-se analisar como a produção do espaço se articula a essa vulnerabilidade na ZEIS Casa Amarela, Recife (PE), considerando os fatores históricos, ambientais e sociais, bem como os agentes que influenciam esse processo. O trabalho se desenvolve em uma perspectiva dialética, contrapondo os planos teórico e empírico na construção das análises sobre o território, e embasa-se na tríade dialética lefebvriana do espaço (Lefebvre, 1974) — o "percebido-concebido-vivido" —, que, articulada à perspectiva da vulnerabilidade do lugar (Cutter, 1996), constitui a principal lente teórica norteadora da pesquisa. A abordagem metodológica é de natureza qualitativa e emprega os seguintes procedimentos: (1) pesquisa bibliográfica e documental sobre as temáticas pertinentes às teorias utilizadas e a documentos técnicos oficiais; (2) cartografia temática e análises geoespaciais; (3) observações e registros fotográficos do espaço em campo; e (4) entrevistas semiestruturadas com grupos de referência pré-selecionados entre os agentes produtores do espaço nos morros (técnicos do poder público, moradores, lideranças comunitárias), além de pesquisadores sobre a temática. Aprofundando a análise no objeto estudado, compreende-se a multidimensionalidade da vulnerabilidade na ZEIS Casa Amarela: na dimensão social, destaca-se a ocupação densa por populações de baixa renda e grupos historicamente vulnerabilizados; na dimensão ambiental, o elevado risco geomorfológico soma-se à precariedade dos serviços urbanos, sobretudo o saneamento. A interação entre essas dimensões revela a maior ZEIS do Recife como um conjunto ao mesmo tempo homogêneo e diverso: entre Morro da Conceição, Água Fria e Brejo da Guabiraba, a despeito do histórico de ocupação semelhante e da precariedade e dos riscos compartilhados, cada localidade guarda especificidades quanto ao espaço materializado e à vulnerabilidade. Demonstra-se, ainda, que os desastres geo-hidrológicos ocorridos nesses territórios não decorrem apenas de condições geomorfológicas, mas de um processo histórico marcado pelo crescimento urbano, pela precariedade habitacional da classe trabalhadora e pela atuação de políticas urbanas higienistas. Ademais, o espaço concebido revela um descompasso entre a legislação urbanístico-ambiental e o espaço de fato materializado e ocupado nos morros. Por fim, conclui-se que o espaço produzido nos morros é, para além do risco socioambiental, sobretudo um território vivido. Assim, as possibilidades de adaptação e de mudança dos cenários de vulnerabilidade identificados no lugar residem na solidariedade e nas relações afetivas e de vizinhança, nas lutas urbanas travadas e nas táticas de sobrevivência tecidas pelos próprios moradores no cotidiano.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1380123 - DANIELLE DE MELO ROCHA
Interna - 1132319 - MARIA ANGELA DE ALMEIDA SOUZA
Externa ao Programa - 2790388 - CRISTIANA COUTINHO DUARTE - UFPEExterno à Instituição - ORLANDO ALVES DOS SANTOS JUNIOR - UFRJ
Notícia cadastrada em: 04/08/2026 14:46
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