Da mobilidade ao pertencimento:imigração brasileira em Portugal e os modos de apropriação dos espaços públicos.
Espaço público; Apropriação; Pertencimento; Imigração brasileira; Braga; Portugal.
A presença imigrante em Portugal é hoje bastante visível, não apenas na dimensão dos dados demográficos, mas também nas dinâmicas urbanas, sociais e culturais. Nesse contexto, a comunidade brasileira destaca-se como a mais expressiva entre as demais desde 2007 (RIFA, 2007). Essa presença não se limita a números, mas manifesta-se nos modos como esses grupos passam a ocupar e a produzir os espaços públicos. Por meio de processos de apropriação, vão construindo novos sentidos para os lugares, através de práticas cotidianas e festividades, promovendo transformações nas dinâmicas e significados de determinados espaços. Ao deslocar o olhar para o contexto de Braga, onde a presença brasileira é particularmente significativa, representando cerca de 61% da população estrangeira (PRODATA, 2022), torna- se pertinente compreender de que forma essa comunidade se apropria dos espaços, ou como se dão os processos de ação, transformação e identificação simbólica. Como esses processos se articulam à construção de pertencimento da comunidade imigrante e como determinados espaços são ressignificados e passam a assumir centralidade para a comunidade imigrante. A partir desse enquadramento, o estudo debruça-se sobre dois espaços identificados no trabalho de campo e indicados por imigrantes como significativos para a comunidade brasileira em Braga: o Parque São João da Ponte (Parque da Ponte) e o Mercado Municipal de Braga, especialmente o espaço Mesa na Praça. Busca-se compreender como esses lugares, atravessados por usos cotidianos e por festividades associadas às expressões culturais brasileiras, passam por processos de ressignificação na contemporaneidade, agora marcados por um contexto de multiculturalidade. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa articula observação de campo, realização de entrevistas e cruzamento com dados históricos, jornalísticos e estatísticos sobre o fenômeno migratório. Por fim, interessa compreender como a vivência nos espaços públicos se torna um elemento determinante nos processos de adaptação e pertencimento em um novo contexto, como espaços dotados de relevância histórica e centralidade urbana tendem a ganhar maior importância pela visibilidade que proporcionam, e como eventos voltados à cultura brasileira nesses locais se desdobram nos usos cotidianos, contribuindo para que sejam progressivamente ressignificados como lugares de referência para a comunidade.