Banca de DEFESA: JOSEBEDE ANGELICA GUILHERME DA SILVA
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JOSEBEDE ANGELICA GUILHERME DA SILVA
DATA : 13/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 201
TÍTULO:
Literatura e audiovisual: um estudo da distopia feminista O Conto da Aia e de sua adaptação em série televisiva
PALAVRAS-CHAVES:
Adaptação; Distopia Feminista; Cânone; O Conto da Aia; Recepção.
PÁGINAS: 296
RESUMO:
Esta tese consiste em uma leitura analítica acerca da recepção da distopia feminista O Conto da Aia, de Margaret Atwood (1985), em sua adaptação para a série televisiva The Handmaid’s Tale (Miller, 2017), embasada em pesquisas dos estudos de adaptação, teorias da recepção e das relações entre literatura, mídia e cultura. O objetivo geral do trabalho é compreender como o romance e sua adaptação audiovisual, em contextos históricos e formatos distintos, reconfiguram discursos sobre opressão, direitos reprodutivos e ativismo social, produzindo novos sentidos estéticos e políticos. A investigação adota metodologia qualitativa, de caráter bibliográfico e analítico-interpretativo, empregando análise textual assistida pelas orientações de Catherine Belsey (2013) e procedimentos comparativos entre os dois suportes (romance e série), descrição técnico-narrativa das temporadas I–III, identificação de operações adaptativas (transposição, comentário) e exame da recepção pública e crítica em ambientes midiáticos; as fontes principais incluem o romance de Atwood (tradução de Ana Deiró, Rocco, 2017), os episódios das temporadas I–III da série, críticas especializadas e corpus teórico selecionado. Para validar nossas proposições, o referencial articula contribuições que tratam da natureza e da estrutura da distopia (Darko Suvin, 1979; Ildney Cavalcanti, 2003; Fredric Jameson, 2005; Tom Moylan), autoras e autores que sustentam a análise das dimensões históricas, existenciais, performativas e reprodutivas do corpo feminino (Scholz, 2011; Lerner, 1986; Mary O’Brien, 1981), estudos sobre o estado da arte das séries de streaming (Jenner, 2018), reflexões sobre cânone e processos de canonização (Harold Bloom, 1994; Roberto Reis, 2000), enquadramentos teóricos dos processos de adaptação (Julie Sanders, 2006; Claus Clüver, 2007; Richard Saint-Gelais, 2011) e os fundamentos da teoria da recepção (Hans Robert Jauss, 1977; Wolfgang Iser, 1974). Os resultados indicam que a série potencializa e amplia temas centrais do romance ao preencher hiatos narrativos, nomear e complexificar a protagonista (passagem de anonimato a June) e materializar visualmente símbolos (a túnica vermelha e a touca branca) que transcendem a ficção e se inscrevem em práticas de protesto e vigilância social; constatou-se também que a lógica das plataformas de streaming e a reconfiguração da espectatorialidade (binge-watching, circulação multimidiática) amplificam a recepção e o impacto sociopolítico da adaptação, transformando-a em artefato performativo e catalisador de discursos contra retrocessos nos direitos das mulheres. Conclui-se que a transposição televisiva não apenas atualiza o horizonte de expectativas do romance, mas tensiona e amplia os parâmetros do cânone ao inserir-se em processos intermidiáticos e transficcionais que exigem um reposicionamento da crítica literária e cultural diante da complexidade estética, midiática e política do fenômeno seriado.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2247579 - YURI JIVAGO AMORIM CARIBE
Interna - ***.741.184-** - RAFAELLA CRISTINA ALVES TEOTONIO - UPE
Externa ao Programa - 1025436 - CATARINA AMORIM DE OLIVEIRA ANDRADE - UFPEExterno à Instituição - AURICÉLIO SOARES FERNANDES - UEPB
Externa à Instituição - LUCIANA ELEONORA DE FREITAS CALADO DEPLAGNE - UFPB