GUIA PARA A IA GENERATIVA NA EDUCAÇÃO E NA PESQUISA: efeitos de autoria, efeitos do capitalismo
Autoria, análise do discurso materialista, inteligência artificial, capitalismo.
A presente pesquisa insere-se na Análise do Discurso materialista e investiga a autoria na relação com tecnologias digitais, especialmente a Inteligência Artificial Generativa (IAGen). Mobilizamos, em nossa perspectiva teórica, conceitos abordados por Pêcheux (1995, 2015, 2019), Orlandi (1999, 2020, 2022), Gallo (1992, 2023), Hui (2020) e Coeckelbergh (2023), ao discutir as relações entre sujeito, ideologia, discurso, texto e autor, problematizando a função-autor e efeito-autor e as condições de produção discursiva, em um contexto nos espaços informatizados. Como objetivo geral, buscamos analisar os efeitos de autoria no documento “Guia para a IA generativa na Educação e na Pesquisa”, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 2023, com sugestões para o uso da IAGen na educação e pesquisa, a fim de conciliá-las com as novas dinâmicas técnicas e sociais. Como objetivos específicos, propomo-nos a (i) identificar as condições de produção do Guia, (ii) compreender a noção de língua que emerge no documento; (iii) examinar como a noção de autoria é mobilizada no “Guia” e (iv) investigar de que modo os efeitos do capitalismo se manifestam no documento. A metodologia adotada é qualitativa, baseada na análise discursiva de sequências selecionadas do Guia. As análises evidenciam uma concepção instrumental de língua, uma autoria tensionada pela automatização da escrita, produzindo outros efeitos de autoria, e a presença de discursos alinhados à lógica capitalista de produtividade e eficiência. Conclui-se que, embora o “Guia” proponha um uso ético da IA, ele também reforça efeitos de apagamento da autoria e de naturalização das relações capitalistas na educação.