PPGL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - CAC DEPARTAMENTO DE LETRAS - CAC Telefone/Ramal: (81) 99262-6709

Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA EDUARDA DOS SANTOS SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA EDUARDA DOS SANTOS SILVA
DATA : 30/01/2026
LOCAL: meet
TÍTULO: ARGUMENTAÇÃO EMOCIONADA EM FAKE NEWS: a construção de pontos de vista sobre o conflito israelo-palestino
PALAVRAS-CHAVES: Argumentação emocionada. Ponto de vista. Fake news. Conflito israelo-palestino.
PÁGINAS: 168
RESUMO: O interesse por estudar a argumentatividade nos textos não se revela algo recente no âmbito da Linguística Textual, com destaque para a vertente brasileira, na qual o presente trabalho se insere. Nos anos 80, Koch (1984) já apontava como marcas linguísticas são mobilizadas, a partir de certas intenções, por sujeitos perpassados por questões sociais, históricas e ideológicas. Nas últimas décadas, essa compreensão tem sido aprofundada, na relação com a Retórica, a Análise do Discurso e as Teorias de Enunciação, defendendo-se não ser preciso haver argumentos formais, sequências argumentativas ou confrontos explícitos para existir argumentação, sendo assumida uma dimensão argumentativa (Amossy, 2020) ou uma argumentação indireta (Rabatel, 2016) em textos diversos. Seguindo esse viés teórico, a argumentação é então compreendida em um continuum de modos de inscrição da subjetividade, o qual ultrapassa o aparelho formal da enunciação e evidencia a maneira como os sujeitos apreendem o mundo e o (re)constroem em seus dizeres, indicando pontos de vista e funcionando como mecanismo para orientar os modos como os outros vêem, pensam e sentem. Nesse processo, conforme Pinto e Cortez (2017), um locutor não apenas revela seus pontos de vista e imputa pontos de vista ao outro, mas também representa emoções autocentradas e heterocentradas, com a intenção de construir uma orientação argumentativa emocionalmente direcionada. No contexto digital, defendemos a hipótese de que a mobilização do sensível, a fim de influenciar o julgamento do interlocutor, também se mostra uma estratégia profícua de persuasão, sendo mister compreender como essa estratégia se atrela ao fenômeno da desinformação. Isso posto, a partir da representação de pontos de vista, o interesse deste trabalho se volta à análise dos modos de semiotização das emoções na construção da orientação argumentativa em fake news. Como base teórica, recorremos a Rabatel (2003, 2004, 2009, 2013a, 2013b, 2016, 2017, 2024a, 2024b), Cortez (2011, 2013, 2017, 2018), Cortez e Catelão (2022), Pinto e Cortez (2017) e Micheli, Hekmat e Rabatel (2013), para discutir a teoria pragma-enunciativa e discursiva do ponto de vista e o lugar do sensível na argumentação, e a Tandoc Jr., Lim e Ling (2017), Tandoc Jr. (2021), Wardle (2020), Recuero e Gruzd (2019), Recuero e Soares (2021), Santaella (2020, 2025) e Figueira e Santos (2019), a fim de compreender o fenômeno da desinformação e a prática discursiva da fake news. Para construir o corpus, realizamos um recorte temporal e temático, selecionando exemplares de mensagens instantâneas que incorporam fake news sobre o conflito israelo-palestino, que circularam nos meses de outubro a dezembro de 2023, em um grupo de extrema direita no Telegram, intitulado @OsPatriotasBR. Por meio das análises, constatamos que os locutores/enunciadores primeiros buscam persuadir o auditório, ao mobilizarem um alto teor emocional na construção de pontos de vista sobre o conflito. Com isso, pretendem estabelecer um consenso, silenciando questões negativas sobre o enunciador consonante, o estado de Israel – seus apoiadores ou simpatizantes e, por vezes, o próprio povo judeu – e desenvolvendo um ponto de vista negativo sobre o enunciador adversário, o Hamas – em vários momentos, a Palestina, o seu povo e os mulçumanos em geral.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1999641 - SUZANA LEITE CORTEZ
Externo à Instituição - TIAGO DE AGUIAR RODRIGUES
Externo à Instituição - EVANDRO DE MELO CATELÃO
Notícia cadastrada em: 26/01/2026 22:18
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