PPGL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - CAC DEPARTAMENTO DE LETRAS - CAC Telefone/Ramal: (81) 99262-6709

Banca de QUALIFICAÇÃO: DERMEVAL RICARDO DE MELO LELLIS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DERMEVAL RICARDO DE MELO LELLIS
DATA : 23/12/2025
LOCAL: Remotamente, via google meet
TÍTULO:

Significando o Animal: uma análise do discurso jornalístico sobre os casos de “ataques de tubarão” em Pernambuco


PALAVRAS-CHAVES:

Análise de Discurso; ataques de tubarão; discurso jornalístico; Estudos Animais; Estudos Multiespécie.


PÁGINAS: 146
RESUMO:

Este trabalho discute a produção de sentidos sobre o Animal, compreendido como uma alteridade historicamente posta em oposição ao Humano. Em específico, analisamos o discurso jornalístico sobre o acontecimento “ataques de tubarão” em Pernambuco, entendendo-o como um gesto interpretativo da prática jornalística (Dela-Silva, 2015) da relação humano-tubarão, presente na imprensa local desde a década de 1990 e que (re)produz um imaginário bestial do animal-tubarão. Partindo da Análise de Discurso materialista (AD), adotamos, com Michel Pêcheux (2014a; 2014b), a noção de sujeito como indivíduo interpelado pela ideologia e de discurso como efeito de sentidos entre sujeitos; dialogamos com a teoria de Genro Filho (2012) para compreender as condições de produção do discurso no jornalismo, enquanto prática que produz uma forma de conhecimento; e recorremos ao que designamos como Estudos Interespécies, agrupamento de disciplinas que descentralizam a figura humana e se voltam ao Não-Humano. Formulamos, então, a questão norteadora: Como o animal-tubarão é designado e agenciado pelo discurso jornalístico? Selecionamos três jornais para compor o corpus: Diário de Pernambuco, Folha de S.Paulo e O Eco, escolhas justificadas por: i) envolver um jornal local e dois de alcance nacional; ii) incluir um jornalismo autodeclarado ambiental; e iii) permitir, com base na categoria de Lugar Discursivo (Grigoletto, 2005), compreender o funcionamento entre as formações discursivas (FD), que determinam o que pode ser dito, e as posições-sujeito que nelas se inscrevem, considerando que o jornalismo media o discurso-outro e é atravessado por diferentes saberes. Ao todo, construímos um arquivo, definido por Pêcheux ([1982] 2010) como um campo de documentos pertinentes e disponíveis sobre uma questão, com 97 matérias entre notícias e reportagens sobre o acontecimento. Assumindo um posicionamento teórico-analítico multiespécie com Dooren, Kirsky e Münster (2016), construímos um dispositivo de leitura (Orlandi, 2020a) que estamos denominando de Dispositivo Eidos, cujos pontos principais são: 1) a relação entre o especismo, entendido como preconceito entre espécies (Singer, 2009), e o antropocentrismo, que coloca o humano no centro (Lourenço, 2019), relação que sustenta a dissimetria entre humanidade e demais espécies; 2) a tríade Real, Simbólico e Imaginário de Lacan (1980), ressignificada na AD; e 3) o processo de substitutibilidade a partir do efeito metafórico segundo Pêcheux ([1969] 2014b). Assim, prosseguimos para a análise da designação, baseada em Pêcheux ([1975] 2014a) e Guimarães (2017), entendendo-a como um processo de significação inscrito na história e um espaço de substituições metafóricas e metonímicas. Interpretamos, parcialmente, a divisão designatória entre o animal-humano e o animal-tubarão da seguinte forma: a) pela determinação, que consiste em especificar aquele de que se fala (Orlandi, 2002) por determinantes linguísticos, e b) pela saturação, que se relaciona aos nomes comum e próprio. Nesse escopo, o animal-tubarão apresenta, enquanto efeito de sentidos, uma variação no grau de determinação, sendo designado como “animal”, de forma indistinta a outras formas que vão na direção da especificação, como “animal marinho”, limitadas no âmbito do nome comum. Neste caso, não há saturação, e ao animal-tubarão, um ser genérico, é atribuído uma série de propriedades, com destaque para a agressividade. Atingindo o que entendemos ser a saturação extrema, no caso do animal-tubarão, pelo nome de espécie, que funciona como um nome próprio, há diferenciações entre as principais espécies envolvidas nas discursividades locais, como tubarão-tigre e tubarão-cabeça chata, compreendidas como agressivas, e tubarão-lixa e tubarão-limão, como não-agressivas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1667608 - EVANDRA GRIGOLETTO
Interna - 1726965 - FABIELE STOCKMANS DE NARDI SOTTILI
Notícia cadastrada em: 01/12/2025 23:41
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