UM OLHAR SOBRE A CÓPULA NA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) A PARTIR DE EXPERIMENTOS PSICOLINGUÍSTICOS
Sintaxe; Cópula; Libras; Psicolinguística experimental.
A presente pesquisa, vinculada à tese de doutorado, tem como objetivo investigar o processo de gramaticalização de itens lexicais com função copulativa na Língua Brasileira de Sinais - Libras, buscando verificar se elementos como apontamentos pronominais e construções por justaposição já atuam como cópulas gramaticalizadas. Parte-se da hipótese de que tais elementos, originalmente referenciais ou lexicais, vêm assumindo funções estruturais na construção predicativa, apresentando estabilidade sintática e alta aceitabilidade entre os usuários da língua. A investigação será conduzida por meio de experimentos psicolinguísticos, permitindo observar o processamento e a produção linguística de sinalizantes surdos adultos, nativos ou fluentes em Libras. Aproximadamente trinta participantes serão distribuídos em três tarefas experimentais: 1. Julgamento de aceitabilidade, com vídeos apresentando diferentes estratégias copulativas; 2. Verificação de imagem, medindo o tempo de reação e a acurácia na correspondência entre sentenças e figuras; 3. Produção eliciada, na qual os participantes descrevem imagens, possibilitando observar o uso espontâneo de estruturas copulativas. Os dados serão analisados quanto à aceitabilidade, tempo de reação, acurácia e frequência de uso das formas, com anotações e aplicação de modelos estatísticos mistos. Espera-se que as construções por justaposição apresentem padrões de processamento típicos de itens em processo de gramaticalização, evidenciando que a Libras expressa relações copulativas não por meio de um verbo lexical, mas através de mecanismos gramaticais viso-espaciais, como a apontação e a ordenação dos constituintes. A pesquisa dialoga com estudos sobre a gramaticalização de elementos pronominais e dêiticos em outras línguas de sinais, como o caso do SELF na ASL.