Caminhos por vir, traços de (re)voltar: deslocamento e escrita em romances de Mia Couto
Deslocamento. Identidade. Literaturas africanas em língua portuguesa.Mia Couto
Este projeto de tese tem como objetivo analisar a obra do escritor moçambicano Mia Couto, a partir de cinco romances: Terra Sonâmbula (1992), Um rio chamado Tempo, uma casa chamada terra (2002), O outro pé da sereia (2006), Mappeador de Ausências (2019) e A cegueira do Rio (2024). A hipótese do trabalho parte do pressuposto de que existe uma circularidade nas narrativas do escritor mencionado, uma vez que, na sua produção, é possível encontrar a retomada de alguns aspetos específicos, tais como as imagens de deslocamento, identidade e inserção de múltiplas vozes — manifestadas, sobretudo, através de cartas e diários — para a construção dos enredos. Ainda assim, deduzo que, embora haja um retorno a temas e formas de construção das histórias, o autor também propõe modificações nas suas narrativas, como a inserção de linhas que interrompem a narrativa central, mas sem a presença da transcrição de cartas/relatórios, percebida no seu último romance e ausente nas obras anteriores. Para a elaboração desta investigação, recorri, em primeiro lugar, aos estudos sobre Literaturas Africanas em Língua Portuguesa, realizados por Ana Mafalda Leite (2012) e Francisco Noa (2017), bem como às discussões sobre estudos culturais, presentes nas reflexões de Stuart Hall (2006) e outros estudiosos.