DESVELANDO RAÍZES: EXPLORANDO A DIMENSÃO DO RACISMO E A PERDA DA INDIVIDUALIDADE ATRAVÉS DO ROMANCE O AVESSO DA PELE DE JEFERSON TENÓRIO
Racismo, ficção, preconceito, subjetividade
Neste trabalho, defendo que o romance O avesso da pele (2020), do escritor Jeferson Tenório, suscita reflexões sobre o racismo de modo singular, pois focaliza, mais do que os episódios de preconceito em si, as suas consequências subjetivas na formação ontológica de pessoas negras. Para tanto, me baseio nas ideias e conceitos propostos por Frantz Fanon (2008), segundo os quais o negro, em razão do processo colonizatório (cujos efeitos permanecem mesmo com o fim do sistema colonial em si), é relegado sempre ao lugar do não-ser, em oposição ao branco, que é. Além disso, também relaciono as partes do enredo aqui analisadas às obras de Cida Bento (2022), Silvio Almeida (2019) e Neusa Santos Souza (2021), Sueli Carneiro (2020) e Isildinha Nogueira Baptista (2021) em os dois primeiros nos ajudam a compreender o racismo como uma construção simbólica que permeia a estrutura social brasileira em sua integridade. Souza (2021), Carneiro (2020) e Baptista (2021), por sua vez, nos ajudarão a compreender os aspectos subjetivos da violência racial. Minha análise também se ancora nas
perspectivas de mimesis defendidas tanto por Wolfgang Iser (1979, 2013) quanto por Luiz Costa Lima (2011), uma vez que considero que a ficção produz uma forma específica e particular de conhecimento sobre a realidade.