TRAJETÓRIAS DAS ESCRITAS DE SI DE IMIGRAÇÃO NO BRASIL: AS AUTOFICÇÕES DE MARCELO MALUF E TATIANA SALEM LEVY
escrita de si; imigração; Marcelo Maluf; Tatiana Salem Levy.
Esta dissertação investiga as escritas de si de imigração como espaços de reconstrução identitária e de resistência aos discursos hegemônicos e orientalistas. Fundamentada em autores como Leonor Arfuch (2011), Eurídice Figueiredo (2010, 2013, 2020, 2022) e Diana Klinger (2006), a pesquisa analisa de que modo as narrativas autobiográficas e autoficcionais podem subverter representações estereotipadas sobre o sujeito oriental e seus descendentes. O corpus de análise é composto pelas obras A imensidão íntima dos carneiros (2015), de Marcelo Maluf, e A chave de casa (2009), de Tatiana Salem Levy, ambas escritas por autores brasileiros descendentes de imigrantes do Oriente Médio: do Líbano e da Turquia. O estudo propõe, inicialmente, um aporte teórico-metodológico que explora as teorias das escritas de si, discutindo conceitos como autobiografia, autoficção e memória, segundo Philippe Lejeune (1975, 2008, 2013), Anna Faedrich (2015, 2021) e outros. Em seguida, aborda as representações da imigração e do sujeito oriental na literatura, a partir das reflexões de Edward Said (2003, 2007) e Wail Hassan (2020), com o objetivo de compreender os modos de representação, deslocamento e pertencimento cultural. Essa fundamentação teórica sustenta a análise das obras selecionadas, em que se observam os métodos autobiográficos empregados pelos autores, as estratégias de rememoração e a construção de uma linguagem migrante capaz de tensionar memória, identidade e ancestralidade. A análise evidencia como as memórias pessoais e coletivas se articulam, por meio da escrita de si, na construção de identidades marcadas pelo deslocamento, pela ancestralidade e pela busca de pertencimento. Conclui-se que as escritas de si de imigração, ao revisitar a memória e questionar estereótipos, produzem novas formas de representação e reafirmam a voz de sujeitos historicamente subalternizados, permitindo que escrevam por si mesmos e ressignifiquem suas trajetórias.