MEMÓRIA E LOUCURA COMO RESISTÊNCIA EM ÚRSULA E PONCIÁ VICÊNCIO: CONEXÕES ENTRE MARIA FIRMINA DOS REIS E CONCEIÇÃO EVARISTO
Conceição Evaristo; Maria Firmina dos Reis; Literatura negro-braisleira; memória; loucura.
Este projeto busca traçar paralelos e contrastes entre duas produções negro-brasileiras de autoria feminina. À vista disso, tem como objetivo comparar as obras literárias Úrsula e Ponciá Vicêncio, analisando os contextos socioculturais em que elasforam produzidas e investigando as estratégias estéticas e discursivas empregadas pelas escritoras para denunciar sistemas de poder. A proposta de tese elucida que, apesar de existirem diferenças temporais e estilísticas, a escrita de Maria Firmina dos Reis e de Conceição Evaristo utiliza a memória de personagens negras, e a loucura das protagonistas como possibilidades de resistência. Sob esse prisma, no século XIX, o romance firminiano se opôs às práticas da escravização e criticou o patriarcado e, na contemporaneidade, a escrevivência evaristiana problematizou o racismo estrutural. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica ancorada nos pressupostos de: Carvalhal (2006), Coutinho (1996), Duarte (2005), Foucault (2009), Halbwachs (2013), Nitrini (2010) e Ricoeur (2007). Academicamente, pretendo contribuir com os estudos literários, oferecendo uma análise afinada aos estudos de literatura comparada, com foco nas questões de gênero e raça. Ao fim e ao cabo, a relação dialógica se estabelece entre temporalidades e realidades distintos, evidenciando as permanências e transformações de questões cruciais ao longo da história.