O TEMPLO BARROCO DA ONÇA CASTANHA: A INVENÇÃO DE SUASSUNA
Ariano Suassuna. Barroco. Castanho. Raça Castanha. Crítica literária. Anos 70. Hansen. Gomes Júnior. Wölfflin. Santa Teresa. Misticismo. Mito.
A presente tese insere-se nos debates sobre Estética, Crítica e Historiografia Literárias. Interessa-nos examinar a obra não ficcional do autor Ariano Suassuna, no intuito de entender como sua própria crítica literária é aplicável em seu projeto literário. Para tal, selecionamos como corpus sua tese de livre docência A onça castanha e a Ilha Brasil (1976) e alguns textos do autor pesquisados em arquivos, sendo a maioria da década de 1970, em especial, a compilação em livro Almanaque Armorial (2008) e o ensaio recuperado Santa Teresa e Eu (1973), além também de sua obra didática Iniciação à Estética (1975). Uma das nossas hipóteses norteadoras é de que o barroco, em Suassuna, é mais do que uma categoria estilística para referenciar a cultura brasileira, mas também uma maneira de pensar crítica e literatura em contrastes, através da tese da realização (nacional) da raça castanha e a criação de uma hermenêutica barroca própria. Dessa hipótese central, nascem as demais, tais como objetivos e problemas de pesquisa. Contextualizando sua crítica com suas próprias referências e obras, procuramos analisar seus mitos fundadores, suas dialéticas místicas e, também, suas opções por determinadas
formas. Portanto, além de apreciar alguns estudos já consagrados sobre a sua obra, esta pesquisa, naturalmente, também faz uma revisão crítica de alguns autores pilares no projeto literário do autor, mas que hoje são menos frequentados, tais como: Sílvio Romero (1888; 1888a; 1888b), Matias Aires (2022), Gilberto Freyre (1942), Carlos Dias Fernandes (1922), J.O de Meira Penna (1974) e Santa Teresa D'Ávila (2023), para citar alguns, assim como também dispomos de ferramentas conceituais a partir daqueles que elaboram chaves críticas do barroco, tais como Hansen (1997; 2004; 2006; 2006b; 2013; 2023), Gomes Júnior (2016), Wölfflin (2006) e o próprio Suassuna (1976).