POSIÇÕES-SUJEITO NO DISCURSO PÓS-PENTECOSTAL DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS
Discurso religioso; pós-pentecostalismo; posições-sujeito; empreendedorismo.
Esta tese toma o instrumento teórico da Análise de Discurso, à luz de seu fundador, Michel Pêcheux (1938-1983), para investigar a discrepância entre dois domínios de saberes no discurso religioso pós-pentecostal: os saberes cristãos e neoliberais. Saberes atravessados por disputas ideológicas que funcionam no interior da Formação Discursiva Cristã e da Formação Discursiva da Teologia da Prosperidade. Com isso, a proposta é refletir sobre o funcionamento das posições-sujeito no discurso mercadológico-religioso, a partir da fala do bispo Edir Macedo, para observar como o sujeito enunciador se relaciona, nesse discurso, com o sujeito universal, e em qual(is) formação(ões) discursiva(s) se inscreve. Constatamos que o sujeito porta-voz de Deus, bispo Edir Macedo, se mantém enunciando na Formação Discursiva Cristã, entretanto, por se tratar de uma formação discursiva heterogênea, o sujeito se distancia dos saberes fornecidos pela formação discursiva que o domina e se apropria de saberes que funcionam no interior da Formação Discursiva da Teologia da Prosperidade. Verificamos, ainda, que o sujeito bispo Macedo faz a adesão à Formação Discursiva Cristã para assumir a posição-sujeito de porta-voz do Deus cristão. Portanto, nossas análises mostraram que o sujeito enunciador, bispo Macedo, se identifica com a Formação Discursiva Cristã, ao mesmo tempo que se distancia de saberes dessa formação discursiva, tal como o saber sobre pobreza, passando a falar pelos saberes da Formação Discursiva da Teologia da Prosperidade. Ao produzir a contra-identificação, identificado com a ideologia neoliberal, apropria-se de saberes da Formação Discursiva da Teologia da Prosperidade, ocupando diferentes posições-sujeito. Os saberes neoliberais interpelam os indivíduos em sujeitos oportunistas, visionários, empreendedores, individualistas e competidores, para ficar em poucos exemplos. Assim, a prosperidade financeira da formulação bíblica, retomada pelo sujeito bispo Macedo, pertence ao processo de simulação que inscreve no discurso as duas posições-sujeito mais características do discurso em tela: a posição-sujeito de porta-voz de Deus e a posição-sujeito de empreendedor da fé. Dessa forma, compreendemos que a posição-sujeito dominante assumida pelo bispo Edir Macedo não é a posição-sujeito de porta-voz de Deus e, sim, a posição-sujeito de empreendedor da fé. Portanto, o sujeito bispo Macedo não fala em nome de Deus, mas fala em nome do mercado que se instaura no discurso pós-pentecostal, como o “messias” do mundo.