Tornando-se negra: uma análise de discurso crítica das representações identitárias da mulher negra na série Insecure
Análise de discurso crítica; Insecure; Identidade racial. Mulher negra. Cinema.
O presente projeto de dissertação tem como objetivo analisar as representações identitárias atribuídas a mulheres negras na série Insecure (2016) por meio do discurso cinematográfico produzido por cineastas negras, com o intuito de compreender se e como a mulher negra (re)constrói suas próprias identidades sociais de raça e gênero de forma que tais identificações apontem para a desnaturalização frente aos estereótipos racistas atribuídos ao corpo negro. Especificamente, buscaremos analisar e discutir como os discursos materializados nesta série contestam e/ou problematizam estereótipos racistas de gênero/sexualidade relativos a mulheres negras rumo a práticas de reexistência negra (Souza, 2011). Para tanto nos fundamentaremos na Análise de Discurso Crítica formulada por Norman Fairclough (2001, 2003, 2016; Resende; Ramalho, 2006), nos estudos acerca de identidades (Hall, 2006; Giddens, 1991, 2002) e de identidades raciais de gênero/sexualidade a partir de intelectuais negras (Collins, 2000; hooks, 2013; González, 2020; Muniz, 2016; Souza, 1983). Em termos de metodologia, a investigação será de natureza qualitativa, do tipo natureza documental e interpretativa, seguindo o enquadre metodológico e categorias analíticas propostas por Fairclough (2003): significado acional, significado representacional e significado identificacional. O corpus composto trechos discursivos da série Insecure (2016) e teremos como critérios de seleção, os discursos que evidenciem conflitos identitários, tensionamentos de estereótipos racistas e negociações discursivas em torno da condição do sujeito mulher negra em suas relações afetivas, profissionais e interpessoais. De forma preliminar, concluímos que a análise discursiva crítica de séries como Insecure podem contribuir para o desvelamento de práticas sociais que sustentam estereótipos racistas e de gênero, reafirmando o papel da linguagem e do cinema como espaços estratégicos de disputa na luta hegemônica e de produção de sentidos na modernidade tardia.