IMPOLIDEZ E IDENTIDADES NA SÉRIE BRITÂNICA “SEX EDUCATION”: UMA ANÁLISE SOCIODISCURSIVA
Impolidez; Emoções; Identidade.
Em narrativas audiovisuais contemporâneas, a interação linguística funciona não apenas como meio de comunicação, mas também como um recurso de entretenimento, especialmente por meio da representação de conflitos e de tensões emocionais. Nesse contexto, este estudo investiga como a impolidez opera na interação ficcional e como contribui para a construção e a negociação de identidades feministas e queer na série da Netflix Sex Education. Com base nas fórmulas convencionalizadas de impolidez propostas por Jonathan Culpeper (2011), a análise examina expressões linguístico-discursivas associadas à linguagem impolida. O estudo fundamenta-se em abordagens discursivas da impolidez, que a concebem como um fenômeno contextual e avaliativo, relacionado a normas de adequação social (Eelen, 2001; Spencer-Oatey, 2005; Barreto Filho e Barros, 2021). A análise concentra-se em episódios que apresentam ocorrências proeminentes de impolidez e considera tanto o comportamento verbal quanto pistas contextuais, como qualidade da voz e expressões faciais. Atenção especial é dada a emoções de valência negativa, incluindo raiva, medo e tristeza. De modo geral, os resultados indicam que a impolidez funciona não apenas como fonte de conflito ou ameaça à face, mas como um recurso significativo para a negociação de relações de poder e de posicionamentos identitários.