NÃO É FRESCURA NEM FRAQUEZA: O discurso de representação do suicídio na mídia brasileira
Representação. Suicídio. Análise Crítica do Discurso. Mídia. Discurso.
O presente projeto de pesquisa tem como principal finalidade investigar, a partir dos estudos da Análise Crítica do Discurso (doravante ACD), especialmente de linha faircloughiana (FAIRCLOUGH, 2001; 2003; 2012), de que maneira ocorrem as representações do suicídio na mídia brasileira. Para tanto, entendendo a necessidade de recortar discursos que abordem esse fenômeno, comporão o corpus 4 gêneros textual-discursivos - 2 ficcionais e 2 não-ficcionais -, com vistas a observar a incidência de tais representações, sendo 2 textos audiovisuais (filme e documentário) e 2 escritos (conto e matéria jornalística). Desse modo, será possível executar movimento analítico em torno da maneira como a morte autoprovocada é tratada e que sentidos são vinculados, reproduzidos ou (des)legitimados na construção dos discursos midiáticos em diferentes esferas, dando-nos um olhar ampliado e, portanto, mais assertivo da problemática em questão. Parto da hipótese de que o tratamento dado a esse tipo de morte na mídia e os modos de dizê-la perpetua discursos de estereotipização, estigmatização e culpabilização, dando conta da cristalização de sentidos que corroboram com visões opressoras, marginalizadoras e de aprofundamento do tabu ainda presente na sociedade brasileira. A morte por suicídio, como defende Karina Okajima Fukumitsu (2019), é complexa e multifatorial, merecendo atenção investigativa multidisciplinar e abordagem responsável por parte da mídia. Infelizmente, a temática, quando não pouco explorada, ainda carrega opressões tais que nos convocam à mobilização para que haja mudança social. Assim, lançar olhar para esse assunto colabora com o desmantelamento de perspectivas excludentes na tessitura social.