PPGL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - CAC DEPARTAMENTO DE LETRAS - CAC Téléphone/Extension: (81) 99262-6709

Banca de DEFESA: DERMEVAL RICARDO DE MELO LELLIS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DERMEVAL RICARDO DE MELO LELLIS
DATA : 31/08/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Sala 201
TÍTULO:

Significando o Animal: uma análise do discurso jornalístico sobre o acontecimento “ataque de tubarão” em Pernambuco, Brasil


PALAVRAS-CHAVES:

Análise de discurso; ataque de tubarão; discurso jornalístico; estudos animais; estudos multiespécies.


PÁGINAS: 160
RESUMO:

Tubarões tendem a ser interpretados como animais perigosos, imaginário que ganhou seus primeiros contornos no romance Tubarão (1974), de Peter Benchley, e em sua adaptação cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg (1975). Nas décadas seguintes, os “ataques de tubarão” passaram a ocupar espaço nos jornais como acontecimentos dignos de noticiabilidade, especialmente em Pernambuco, onde o número de casos aumentou subitamente a partir da década de 1990. Buscando compreender a simbolização do Animal, esta dissertação tem como objeto o discurso jornalístico sobre o acontecimento “ataque de tubarão” em Pernambuco e parte da seguinte questão: como o animal-tubarão é designado e agenciado pelo discurso jornalístico? Para respondê-la, articula-se a Análise de Discurso materialista, fundamentada em Pêcheux (2014a; 2019), aos Estudos Multiespécies (Dooren, Kirsky e Münster, 2016) e aos Estudos Animais (DeMello, 2012; Almiron e Cole, 2016; Merskin, 2016), reunidos sob a denominação de Estudos Interespécies (EI), a fim de construir um dispositivo analítico, nos termos de Orlandi (2020a), capaz de interpretar o Animal sob os efeitos do par ideológico especismo-antropocentrismo, compreendido como o funcionamento discursivo que produz uma separação hierárquica e dissimétrica entre Humano e Natureza. Para a análise, selecionaram-se um jornal de circulação local, Diario de Pernambuco, e dois de circulação nacional, Folha de S.Paulo e O Eco; constituiu-se um arquivo composto por 99 notícias e reportagens; e construiu-se um corpus discursivo a partir de um caso de referência, uma reportagem de referência e sequências discursivas dispersas no arquivo. A análise fundamentou-se na categoria de lugar discursivo (Grigoletto, 2005), permitindo compreender o funcionamento entre formações discursivas e posições-sujeito, considerando que o jornalismo media o discurso-outro e é atravessado por diferentes saberes. Os resultados mostram que, atravessado simultaneamente pelos saberes científico e do senso comum, o discurso jornalístico significa o animal-tubarão por duas vias. A primeira organiza-se em torno do significante-mestre “ataque de tubarão”, pelo qual a designação do animal se realiza por substituições de sintagmas nominais pertencentes ao espaço SN-Animal, na regularidade tubarão/animal/predador, metonimizada como animal marinho/predador dos mares, enquanto seu agenciamento se relaciona ao conjunto verbal atacar/morder/confundir-se, produzindo uma movência entre as regiões semânticas da animalidade e da humanidade. A segunda organiza-se em torno do significante-mestre tubarão, cuja metaforia animal opera por substituições interespecíficas (tubarão/barracuda) e intraespecíficas (tubarão-tigre/tubarão-cabeça-chata), acionadas quando não é possível determinar o responsável pelo incidente ou sua espécie. Conclui-se que a designação e o agenciamento do animal-tubarão resultam da articulação entre duas práticas discursivas – classificação e atribuição – por meio das quais o saber do senso comum o sobredetermina como um ser agressivo, enquanto o saber científico complexifica essa significação ao diferenciar a agressividade entre as espécies e abrir outras possibilidades de interpretação das formas de ser tubarão.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1667608 - EVANDRA GRIGOLETTO
Interna - 1726965 - FABIELE STOCKMANS DE NARDI SOTTILI
Externa à Instituição - SILMARA CRISTINA DELA DA SILVA - UFF
Notícia cadastrada em: 06/08/2026 10:47
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação (STI-UFPE) - (81) 2126-7777 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa07.ufpe.br.sigaa07