O COURO NA PRAÇA COMERCIAL DO RECIFE NO SÉCULO XVIII
couro; comércio; produção; praça mercantil do Recife.
O presente estudo investiga a produção e o comércio do couro na praça mercantil do Recife durante o século XVIII. Isto se justifica por uma dificuldade em encontrar na historiografia brasileira, trabalhos que se dediquem em entender as dinâmicas da produção e comercialização dos diversos artigos do couro na economia colonial. Muitos trabalhos mencionam a relativa importância da economia coureira, porém seu objeto de estudo é diverso: pecuária; carne verde; carne seca; comércio em geral; açúcar; tabaco, etc. Logo, nos estudos destes grandes temas da economia colonial, o couro aparece, discretamente, na esmagadora maioria. Por outro lado, na região platina encontramos estudos robustos sobre dinâmicas comerciais, agentes e produção do couro “desvinculados” de temáticas clássicas. Nestes trabalhos, entender como os agentes mercantis mercadejavam os couros, as suas vinculações parentais, sociais e políticas, as diversas formas de produzir e para quais locais os couros eram remetidos, têm corpo próprio. Desta forma, esta investigação tem por objetivo propor a tese de que o couro não foi um subproduto da criação de gado, mas que sua produção e comércio obedeceram a uma cadeia de mercado própria, articulada a outros setores da economia colonial, demonstrando a complexidade das dinâmicas mercantis coloniais na praça mercantil do Recife durante o século XVIII. Para tanto, lança-se mão de ferramentas da prosopografia, da análise de trajetórias, da coleta de dados quantitativos e qualitativos em diversos arquivos nacionais e portugueses. Com a ajuda do programa de bancos de dados Filemaker 12, foi possível armazenar e cruzar informações relativas que, de outra forma, tornaria o trabalho ainda mais exaustivo. Até o presente, a investigação aponta que, quando se observa mais atentamente as dinâmicas do couro na praça mercantil do Recife no século XVIII, existe uma aproximação com a realidade platina. Couros eram utilizados como moeda “corrente”, haviam agentes interessados, majoritariamente, neste produto e subsistia uma tentativa de controle da produção/comercialização dos mesmos. No entanto, com a criação da Companhia Privilegiada de Comércio de Pernambuco e Paraíba, tal cenário passa por transformações que impactaram decisivamente na conjuntura do comércio e produção durante a segunda metade do século XVIII.