Escravização indígena nos livros didáticos de História para o Ensino Fundamental Anos Finais nas escolas municipais de Olinda.
POVOS INDÍGENAS; ESCRAVIZAÇÃO INDÍGENA; ENSINO DE HISTÓRIA; LIVROS DIDÁTICOS; OLINDA.
A presença indígena no país é uma realidade evidente; contudo, a narrativa construída no século XIX, a partir da necessidade de criação de uma identidade nacional que não fosse totalmente atrelada a um ideal puramente europeu, foi determinante na forma como os povos indígenas passaram a ser tratados nas políticas públicas posteriores. Sistematicamente silenciados e/ou invisibilizados em diversos setores, esses povos foram historicamente enquadrados em perspectivas eurocêntricas que reforçaram a ideia de que tais populações estariam, supostamente, em inevitáveis vias de desaparecimento (Monteiro, 2001). Diante desse cenário, indígenas de diversas etnias percorreram um longo caminho de resistência e reafirmação identitária em um país no qual a exclusão, a assimilação e a escravização indígena constituíram práticas estruturantes das ações do Estado e da sociedade colonial e imperial brasileira. No campo do ensino de História, as articulações teóricas e políticas da Nova História Indígena, ao questionarem essas narrativas tradicionais e evidenciarem o protagonismo indígena — inclusive no enfrentamento à escravidão e às violências coloniais —, contribuíram de forma decisiva para a formulação de políticas educacionais voltadas à valorização dessas populações, dentre as quais se destaca a Lei no 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura indígena nas escolas brasileiras. O presente projeto de pesquisa tem como objeto de estudo a representação da escravização indígena nos livros didáticos de História utilizados nos anos finais do Ensino Fundamental no município de Olinda (PE). A temática toma como ponto de partida a constatação de que a narrativa escolar sobre os povos indígenas, em especial no que tange à escravização, frequentemente é permeada por silenciamentos ou simplificações, o que compromete a compreensão crítica dos alunos sobre as dinâmicas coloniais e suas implicações contemporâneas. O estudo busca analisar como os conteúdos relacionados aos povos indígenas e à escravização indígena são apresentados nas coleções de livros didáticos aprovadas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e utilizadas nas escolas públicas de Olinda nos anos finais do Ensino Fundamental (6o ao 9o ano).