"Trago na boca a palavra que mata": o discurso cientifico eugenico na literatura e nas politicas educacionais (1920-1930)
Literatura; Racismo; Eugenia; Políticas Educacionais.
Nesta pesquisa de mestrado, o racismo foi tornado objeto, a fim de pensar formas de combate a essa ferramenta de extermínio. No início do século XX, o extermínio da população negra tornou-se pauta endossada pelos pseudo-cientistas eugenistas. Engajadas no branqueamento racial, essas figuras (médicos, sociólogos, estatísticos...) regeram estudos e delinearam estratégias para o futuro do Brasil. O futuro branco, no entanto, necessitaria da consolidação das teorias deterministas e darwinistas sociais no cotidiano da população e nas políticas públicas. Os sistemas educacionais e de saúde foram, então, mobilizados no sentido do chamado “saneamento racial”. O discurso de extermínio do negro pela elite foi naturalizado e passou a circular não somente nos canais estatais ou na academia, mas na produção artística, que deu ainda mais ressonância a essas ideias. Para este trabalho, foram analisadas duas obras literárias de ficção especulativa produzidas na década de 1920 — O Choque das Raças, de M. Lobato e O Cometa, de Du Bois —, bem como artigos eugenistas publicados em revistas médicas e matérias de jornais. Com esses vestígios, foi possível traçar a dimensão da circulação do discurso racista na Cultura Histórica brasileira, bem como abriu brechas para o estudo das narrativas a contrapelo. Para tanto, autores como M. de Certeau, Lilia M. Schwarcz, Arlette Farge, Jörn Rüsen e Lélia Gonzalez foram usados como referenciais.