A ENDOSUBALTERNIZAÇÃO RACIAL: os entraves da razão negra na cultura brasileira e seu fenômeno de dupla opressão
Filosofia da raça; Pensamento Social Brasileiro; Raça e Cultura.
Esta dissertação se inscreve no âmbito da filosofia da raça, com ênfase na metafísica da raça e transversalizada pela filosofia da cultura, para formalizar o conceito de endosubalternização racial — que se refere à (re)produção da opressão dentro do campo da subalternidade, fragmentado junto à hierarquia racial — visando demonstrar que o racismo pode ocorrer entre racializados de camadas distintas de hierarquização. Para tal, optou-se pelo estudo desse fenômeno no cenário brasileiro. A pesquisa se divide em três capítulos, que versam sobre: as bases conceituais da temática racial, o desenvolvimento da ideologia racial no Brasil e a análise da endosubalternização racial no Brasil do século XX. No primeiro capítulo, são desenvolvidas as bases conceituais da raça, ideologia racial e do racismo, utilizando a teoria de Achille Mbembe em conjunção à historiografia da colonização do país. Tem-se como finalidade a análise da racialização no cenário colonial brasileiro, destacando a subalternização do indígena americano e africano pelo substantivo Negro, acusando esse enquanto categoria de subalternidade. O segundo capítulo examina como a ideologia racial se desenvolveu na república brasileira, somando à metafísica da raça de Achille Mbembe à filosofia da cultura de Kwame Appiah. Partindo desse diálogo teórico, se aponta a incidência de uma dupla opressão racial, derivada dos dois modos de razão negra (composto ideológico racial) desenvolvidos na república brasileira e instrumentalizados por discursos de apelo à raça e ao nacionalismo na cultura. Por fim, formaliza-se o conceito de endosubalternização racial — tendo como componente essencial a dupla opressão direcionada aos sujeitos dissidentes — pontuando algumas de suas manifestações na sociedade brasileira novecentista. Em suma, a dissertação visa trazer à superfície elementos e discussões soterrados no debate racial atual, relacionados ao racismo contra elementos indígenas, apontando entraves particulares que precisam de maior atenção dentro da produção acadêmica contemporânea.