PPGFILO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA - CFCH DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA - CFCH Telefone/Ramal: Não informado
Dissertações/Teses

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2024
Dissertações
1
  • ALBERICO ARAUJO SIAL NETO
  • PODE A PRECARIEDADE SER O FUNDAMENTO DAS RELAÇÕES AGONÍSTICAS?

  • Orientador : ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DIOGO ARRUDA CARNEIRO DA CUNHA
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • MARIANA PIMENTEL FISCHER PACHECO
  • Data: 07/02/2024

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  • A democracia radical é uma teoria política que tem como problema central o dilema do plural. Tal dilema consiste no entendimento da política democrática como locus de antagonismos. Isso quer dizer que o conflito e o dissenso são elementos fundamentais da democracia. Nesse sentido, os antagonismos podem ser caracterizados pela forte oposição conflitiva entre nós/eles. Entretanto, o antagonismo não precisa ser aniquilador. As relações agonísticas são relações que mantém em aberto o conflito antagônico sem necessariamente levar à aniquilação. Isso porque, as relações agonísticas transformam as relações de inimigos (antagonismos) em relações de adversários. Essa transformação adversarial ocorre necessariamente pelo reconhecimento de um fundamento comum a todos. Todavia, não é possível identificar dentro da democracia radical a constatação de qual seria esse fundamento comum. A hipótese defendida é que a noção de precariedade formulada por Judith Butler pode ser tida como o fundamento dessas relações. Isso porque a precariedade é uma condição generalizada que releva a nossa necessidade de outras pessoas a fim de suprir uma determinada falta. Assim, a precariedade engloba as necessidades fisiológicas e afetivas que temos de outras pessoas. A precariedade, portanto, revela que somos faltantes e incompletos. Desse modo, a generalidade da precariedade estimula a oposição à violência dirigida a outros, mesmo quando esses outros estão longe de nós ou não parecem compartilhar nenhum dos nossos valores. Isso em vista, a precariedade pode ser entendida como o fundamento das relações agonísticas, uma vez que ela é a rubrica que possibilita a união das mais diversas posições políticas e identitárias. Por fim, vale ressaltar, a relação entre precariedade e relações agonísticas revela o projeto butleriano de teorizar a coalizão como uma alternativa possível e desejável na política democrática.


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  • A democracia radical é uma teoria política que tem como problema central o dilema do
    plural. Tal dilema consiste no entendimento da política democrática como locus de
    antagonismos. Isso quer dizer que o conflito e o dissenso são elementos fundamentais da
    democracia. Nesse sentido, os antagonismos podem ser caracterizados pela forte oposição
    conflitiva entre nós/eles. Entretanto, o antagonismo não precisa ser aniquilador. As relações
    agonísticas são relações que mantém em aberto o conflito antagônico sem necessariamente
    levar à aniquilação. Isso porque, as relações agonísticas transformam as relações de
    inimigos (antagonismos) em relações de adversários. Essa transformação adversarial ocorre
    necessariamente pelo reconhecimento de um fundamento comum a todos. Todavia, não é
    possível identificar dentro da democracia radical a constatação de qual seria esse
    fundamento comum. A hipótese defendida é que a noção de precariedade formulada por
    Judith Butler pode ser tida como o fundamento dessas relações. Isso porque, a precariedade
    é uma condição generalizada que releva a nossa necessidade de outras pessoas a fim de
    suprir uma determinada falta. Assim, a precariedade engloba as necessidades fisiológicas e
    afetivas que temos de outras pessoas. A precariedade, portanto, revela que somos faltantes e
    incompletos. Desse modo, a generalidade da precariedade estimula a oposição à violência
    dirigida a outros, mesmo quando esses outros estão longe de nós ou não parecem
    compartilhar nenhum dos nossos valores. Isso em vista, a precariedade pode ser entendida
    como o fundamento das relações agonísticas, haja vista que ela é a rubrica que possibilita a
    união das mais diversas posições políticas e identitárias. Por fim, vale ressaltar, a relação
    entre precariedade e relações agonísticas revela o projeto butleriano de teorizar a coalizão
    como uma alternativa possível e desejável na política democrática.

2
  • HEMERSON LUAN FARIAS DE BARROS
  • SYNCATEGOREUMATA DE PETRUS HISPANUS: TRADUÇÃO, INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

  • Orientador : MARCOS ROBERTO NUNES COSTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDERSON DARC FERREIRA
  • MARCOS ROBERTO NUNES COSTA
  • RODRIGO JUNGMANN DE CASTRO
  • Data: 22/02/2024

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  • Esta dissertação tem como objetivo apresentar a tradução do Livro Syncategoreumata, do filósofo medieval Pedro Hispano, acompanhada de uma introdução sobre cada tratado contido no livro. O estudo acerca das palavras sincategoremáticas da obra aqui traduzida é uma continuação das reflexões elaboradas anteriormente pelo filósofo na obra Summule Logicales, o mais renomado manual de lógica de todo o Medievo. As discussões a respeito da lógica aristotélica-boeciana presentes nestes livros fazem parte do terceiro período da lógica medieval, chamado de logica modernorum. Estes textos que integram a logica modernorum são fundamentais para que se possa compreender as reflexões dos filósofos medievais acerca da linguagem. A presente pesquisa pretende investigar o que as palavras sincategoremáticas elencadas por Pedro Hispano na obra Syncategoreumata significam e em quantas maneiras, além de compreender que mudanças elas provocam nos termos ou nas proposições, a fim de determinar que o estudo acerca das palavras sincategoremáticas constitui um elemento original na lógica medieval.


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  • Esta dissertação tem como objetivo apresentar a tradução do Livro
    Syncategoreumata, do filósofo medieval Pedro Hispano, acompanhada de uma
    introdução sobre cada tratado contido no livro. O estudo acerca das palavras
    sincategoremáticas da obra aqui traduzida é uma continuação das reflexões elaboradas
    anteriormente pelo filósofo na obra Summule Logicales, o mais renomado manual de
    lógica de todo o Medievo. As discussões a respeito da lógica aristotélica-boeciana
    presentes nestes livros fazem parte do terceiro período da lógica medieval, chamado de
    logica modernorum. Estes textos que integram a logica modernorum são fundamentais
    para que se possa compreender as reflexões dos filósofos medievais acerca da
    linguagem. A presente pesquisa pretende investigar o que as palavras
    sincategoremáticas elencadas por Pedro Hispano na obra Syncategoreumata significam
    e em quantas maneiras, além de compreender que mudanças elas provocam nos termos
    ou nas proposições, a fim de determinar que o estudo acerca das palavras
    sincategoremáticas constitui um elemento original na lógica medieval.

3
  • GENIVALDO PAULINO MONTEIRO
  • TÉCNICA E AÇÃO HUMANA: UM DEBATE A PARTIR DO PENSAMENTO DE HANNAH ARENDT

  • Orientador : SANDRO COZZA SAYAO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CRISTINA AMARO VIANA
  • SANDRO COZZA SAYAO
  • SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • Data: 23/02/2024

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  • Depois do arrependimento do físico Julius R. Oppenheimer sobre o uso da
    bomba de hidrogênio (1945), a relação entre técnica e política tornou-se tema
    recorrente no debate filosófico. Chegado o século XXI, deparamo-nos com a
    emergência de uma nova reflexão sobre os efeitos da técnica no âmbito da
    ação humana. Um dos dilemas decorrentes dessas mudanças dizem respeito
    aos efeitos das tecnologias da comunicação, da informação e da biotecnologia
    nos pressupostos éticos e políticos do agir, suscitando as seguintes
    indagações: Quais os limites da ação humana frente à hodierna intensificação
    tecnológica? Qual o significado que esta (ação) vem assumindo no momento
    em que estamos vivendo um novo estágio da técnica? Partindo dessas
    questões, propôs-se como objetivo desse estudo: analisar e discutir o sentido
    ético-político do agir humano no contexto tecnológico atual. Para sua
    realização, apoiou-se nas reflexões de Hannah Arendt. Segundo a filósofa, a
    crise do sentido ético-político da ação humana que se manifesta no século XX,
    possui suas raízes nas descobertas técnico-científicas, a partir do século XVII.
    Tais eventos, ao afetarem o sentido das atividades essenciais da vita activa
    (trabalho, obra, ação), contribuíram para a insegurança da ação frente aos
    dilemas decorrentes do avanço tecnológico. É em decorrência dessa condição
    que emergem da obra arendtiana, temas como: ‘alienação do mundo’,
    ‘tecnicização da existência’, ‘declínio do homo faber’. Diante disso, buscar-se-á
    averiguar a capacidade e alcance analíticos do pensamento arendtiano frente
    ao contexto tecnológico do século XXI.


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  • Depois do arrependimento do físico Julius R. Oppenheimer sobre o uso da
    bomba de hidrogênio (1945), a relação entre técnica e política tornou-se tema
    recorrente no debate filosófico. Chegado o século XXI, deparamo-nos com a
    emergência de uma nova reflexão sobre os efeitos da técnica no âmbito da
    ação humana. Um dos dilemas decorrentes dessas mudanças dizem respeito
    aos efeitos das tecnologias da comunicação, da informação e da biotecnologia
    nos pressupostos éticos e políticos do agir, suscitando as seguintes
    indagações: Quais os limites da ação humana frente à hodierna intensificação
    tecnológica? Qual o significado que esta (ação) vem assumindo no momento
    em que estamos vivendo um novo estágio da técnica? Partindo dessas
    questões, propôs-se como objetivo desse estudo: analisar e discutir o sentido
    ético-político do agir humano no contexto tecnológico atual. Para sua
    realização, apoiou-se nas reflexões de Hannah Arendt. Segundo a filósofa, a
    crise do sentido ético-político da ação humana que se manifesta no século XX,
    possui suas raízes nas descobertas técnico-científicas, a partir do século XVII.
    Tais eventos, ao afetarem o sentido das atividades essenciais da vita activa
    (trabalho, obra, ação), contribuíram para a insegurança da ação frente aos
    dilemas decorrentes do avanço tecnológico. É em decorrência dessa condição
    que emergem da obra arendtiana, temas como: ‘alienação do mundo’,
    ‘tecnicização da existência’, ‘declínio do homo faber’. Diante disso, buscar-se-á
    averiguar a capacidade e alcance analíticos do pensamento arendtiano frente
    ao contexto tecnológico do século XXI.

4
  • PALOMA DE SOUZA XAVIER
  • SOBRE O PROBLEMA DO DESACORDO ENTRE CERTEZAS FULCRAIS: Pessimismo x otimismo

  • Orientador : MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAMILA JOURDAN
  • LUIZ CARLOS PINHEIRO DIAS PEREIRA
  • MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • ROGERIO FABIANNE SAUCEDO CORREA
  • Data: 29/02/2024

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  • Wittgenstein aborda o conceito de certezas fulcrais em Sobre a Certeza (1969). Estas são proposições das quais, raramente falamos, mas que são fundamentos para nosso sistema de crenças. Wittgenstein nos apresenta um exemplo de desacordo entre certezas fulcrais no §92. Nele, G.E Moore encontra-se com um rei que acredita que a terra nasceu com ele. Fogelin em The Logic of Deep Disagreements (1985,2005) defende que este é um desacordo profundo, um tipo peculiar de desacordo que não é resolvido por meio da razão. Esta posição de Fogelin é denominada pessimista, e outros autores como Pereira (2006), Silva (2016) e Jourdan (2021) compartilham dessa interpretação, mas em contextos diferentes. Por outro lado, os otimistas, como Godden e Brenner (2010), Martin (2019) e Coliva e Palmira (2020), defendem que desacordos profundos podem ser resolvidos por via racional. Entretanto, a própria noção de desacordos profundos, caracterizada por Fogelin, é problemática, uma vez que, se os discordantes não compartilham de um solo comum, um desacordo não seria possível, isso porque, para que seja possível um desacordo em algum ponto, é necessário que os discordantes encontrem algum tipo de convergência de acordo mínimo ou pano de fundo semelhante de crenças. Dessa forma, gostaríamos de oferecer uma resposta alternativa a visão pessimista de Fogelin. Contudo, uma das principais controvérsias a respeito da origem dos desacordos profundos, é referente a natureza das certezas fulcrais. E a possibilidade de elas serem revisadas entra em questão. Tendo este problema em vista, analisaremos a seguinte pergunta: Se as certezas fulcrais forem revisáveis, então, como seriam? Argumentamos em favor de uma leitura normativa ou neopragmática das certezas fulcrais e acreditamos que uma resposta alternativa à Fogelin para o dilema do desacordo entre certezas fulcrais seja não só possível, mas o mais adequado em um contexto social e público de introdução e consolidação de certezas fulcras. Para tanto, utilizaremos o caráter expressivista do método socrático (1988, 1994, 2013), proposto pelo neopragmático de Robert Brandom. O método é um mecanismo racional que nos dispõe de ferramentas inferencialistas e expressivistas. Por exemplo, o vocabulário lógico, no método, nos possibilita dar e receber razões. E gera assim, afirmações explícitas em forma de regras acerca dos compromissos, tornando possível, a partir delas, corrigir relações inferenciais discordantes. Defenderemos que o método socrático a la Brandom, além de ajudar a resolver alguns impasses do Sobre a Certeza, seja uma resposta possível para o problema do desacordo entre certezas fulcrais.


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  • Wittgenstein aborda o conceito de certezas fulcrais em Sobre a Certeza (1969).
    Estas são preposições das quais raramente falamos, mas que são
    fundamentais para o desenvolvimento da Hinge Epistemology. Alguns
    comentadores, como Stroll (1994), Moyal-Sharrok (2004, 2015) e Coliva (2010),
    entendem as certezas fulcrais como sendo não epistêmicas ou não
    proposicionais, isto é, que não podem ser objetos de conhecimento, pois não
    são passíveis de verdade ou falsidade. Inversamente, outros estudiosos, como
    Wright (2004, 2014), William (2004, 2005) e Pritchard (2001), defendem uma
    interpretação proposicional ou epistêmica, ou seja, que podem se tornar
    objetos de conhecimento, assim como podem ser justificadas. No entanto, se
    as certezas fulcrais forem não proposicionais, como seria possível uma
    revisão? Sabemos que revisões são necessárias em comunidade entre
    indivíduos litigantes e, principalmente, em situações de dissenso entre certezas
    fulcrais. Dessa maneira, propomos, neste trabalho, entender as certezas
    fulcrais como passíveis de revisão. Para tanto, utilizaremos dois métodos para
    discutir o problema: i) o método socrático de Robert Brandom (1994, 2000) e ii)
    o modelo de três camadas de Catarina Novaes (2020). O primeiro é um
    mecanismo racional que, a partir do vocabulário lógico, nos possibilita dar e
    receber razões. Ele gera afirmações explícitas em forma de regras dos
    compromissos, tornando possível, a partir delas, corrigir relações inferenciais
    discordantes. Já o segundo método, o do modelo de três camadas, é baseado
    em uma argumentação mais realista, com influência na teoria de trocas
    epistêmicas.

2023
Dissertações
1
  • JOÃO JÂNIO DA SILVA LIRA
  • NASCIMENTO DA (BIO)POLÍCIA: o surgimento da polícia e(m) sua relação com a biopolítica em Michel Foucault.

  • Orientador : SANDRO COZZA SAYAO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUIZ DE CAMARGO PIRES NETO
  • ROGERIO FABIANNE SAUCEDO CORREA
  • SANDRO COZZA SAYAO
  • Data: 28/02/2023

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  • Quais as condições de possibilidade pelas quais o mecanismo de segurança policial
    veio a se instaurar no Ocidente? O que é biopolítica? Existe relação entre a polícia e a
    biopolítica? Esta pesquisa busca investigar tal problemática a partir dos escritos
    políticos do filósofo francês Michel Foucault, apresentando tese dele de que a
    governamentalidade moderna viabilizou a formação de “tecnologias políticas dos
    indivíduos”, cujo fundamento une o território e a população em objetivos que promovem
    a polícia como dispositivo privilegiado da lógica da sociedade de segurança. Nesse
    sentido, biopolítica será aqui analisada como a generalização da vida humana; e a
    polícia será apreciada como o “meio” pelo qual se promoveu a generalização da bíos. A
    hipótese sustentada é que os fundamentos epistemológicos pelos quais a polícia veio a
    se instaurar na modernidade tornou possível pensar a polícia para além da imagem
    vigilante e punitiva, mas como um mecanismo sujeitado ao biopoder, permitindo, assim,
    defini-la como (bio)polícia. Contornando as leituras de Vigiar e punir (1975) que reduz a
    polícia à imagem da vigília e da punição, e abrangendo as ideias desenvolvidas no
    programa biopolítico foucaultiano, o conceito de polícia ganha novos contornos e
    profundidade ao ser pensada dentro de uma história da governamentalidade. Assim,
    esta pesquisa traz à baila as reflexões aprofundadas de Foucault sobre o nascimento
    da polícia na modernidade e sua relação com a biopolítica, traçando assim, novas
    leituras do conceito de polícia nos ditos e escritos foucaultianos. Essa pesquisa,
    portanto, define o conceito de (bio)polícia para dar conta do “tratado sobre a polícia”
    desenvolvido por Foucault para além da obra Vigiar e punir.


  • Mostrar Abstract
  • Quais as condições de possibilidade pelas quais o mecanismo de segurança policial
    veio a se instaurar no Ocidente? Qual a relação entre polícia e biopolítica? Esta
    pesquisa investiga esta problemática nos escritos do filósofo Michel Foucault,
    apresentando sua tese de que o surgimento da biopolítica viabilizou a formação de
    “tecnologias políticas dos indivíduos”, cujo objetivo foi promover a segurança
    territorial e a utilidade dos cidadãos durante a formação dos Estados Modernos.
    Neste sentido, biopolítica será aqui analisada como a generalização da vida
    humana; e a polícia será apreciada como o “meio” pelo qual se promoveu esta
    generalização da bíos. Portanto, visando explicitar o aqui mencionado, este trabalho
    se propôs: 1) no primeiro capítulo, delimitar a problemática da polícia nos escritos
    foucaultianos, destacando como a genealogia do poder possui bases conceituais
    para entendermos o nascimento da polícia como um dispositivo biopolítico; 2) no
    segundo capítulo, apresentar os fundamentos da biopolítica como uma política
    quantitativa da vida, destacando como a generalização da bíos viabilizou o nascer
    da polícia; 3) no terceiro capítulo, aprofundar nos pressupostos epistemológicos da
    polícia em seu surgimento, destacando como a quantificação da vida foi fundamental
    para tal fim; e por último, 4) no quarto capítulo, argumentar que a polícia se
    compreendida como (bio)polícia, possível será traçarmos diagnósticos da
    atualidade. A hipótese sustentada é que os fundamentos epistemológicos pelos
    quais a polícia veio a se instaurar na modernidade tornou possível pensar a polícia
    para além da imagem vigilante e punitiva, mas como um mecanismo assujeitado ao
    biopoder.

2
  • JULIANA SEVERINA DA SILVA
  • O Patriarcado, o Especismo e a Objetificação de Corpos

  • Orientador : JULIELE MARIA SIEVERS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • JULIELE MARIA SIEVERS
  • WALESKA MENDES CARDOSO
  • Data: 28/02/2023

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  • O patriarcado determinou, a partir do período da caça às bruxas, a institucionalização de
    violências como sexismo, machismo e misoginia. Embora tais opressões existissem
    anteriormente, foi após a perseguição e morte de mulheres na fogueira que os homens
    iniciaram o projeto de poder patriarcal capitalista, como o aponta a autora Silvia Federici
    (2017). Através da colonização e crueldades contra seres humanos e não humanos,
    introduziram-se na sociedade, pensamentos e práticas especistas e sexistas. A
    desigualdade de gênero e espécie foi essencial para a ascensão política e econômica do
    homem branco europeu, sendo este por sua vez, o único beneficiado com as violências
    praticadas. O processo de crueldades contra mulheres e animais apresenta similaridades
    que são pouco questionadas dentro do movimento feminista e na luta pela igualdade de
    gênero. A escritora norte-americana Carol J. Adams, com o livro A Política Sexual da
    Carne (2018), apresenta por meio da teoria feminista vegetariana, uma leitura metafórica
    das opressões realizadas contra pessoas humanas e não humanas. Adams criou o termo
    “referente ausente” para tornar explícita a semelhança de violências implícitas contra
    mulheres e animais até então não observadas pelo feminismo. A autora também expõe
    como o processo de objetificação de corpos é capaz de transformar vidas em mercadorias
    para benefício do patriarcado e satisfação de interesses financeiros e sexuais dos homens
    na sociedade. Entendemos que o feminismo como movimento político e social, embora
    apresente diversas vertentes, ainda não consegue enxergar com clareza a similaridade das
    violências existentes da estrutura patriarcal, como propõe a obra A Política Sexual da
    Carne. O livro é uma referência dentro da vertente ecofeminista que dialoga com pautas
    coletivas incluindo não apenas machismo e sexismo, mas também racismo e especismo.
    Assim, é através do ecofeminismo que se pode contemplar as diversas desigualdades
    sociais resultantes do patriarcado, e não apenas as violências vivenciadas pelas mulheres,
    analisando-se uma estrutura que interfere na vida de toda sociedade e vitima pessoas
    humanas e não humanas. Nosso trabalho irá articular a teoria de Adams com as teses de
    outras autoras interessadas no tratamento das diversas articulações entre o patriarcado e
    suas diferentes formas de atuação e opressão na sociedade capitalista, como Federici
    (2017), Lerner (2019), Pateman (1993) e Joy (2014).


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  • O patriarcado determinou, a partir do período da caça às bruxas, a institucionalização de
    violências como sexismo, machismo e misoginia. Embora tais opressões existissem
    anteriormente, foi após a perseguição e morte de mulheres na fogueira que os homens
    iniciaram o projeto de poder patriarcal capitalista, como o aponta a autora Silvia Federici
    (2017). Através da colonização e crueldades contra seres humanos e não humanos,
    introduziram-se na sociedade, pensamentos e práticas especistas e sexistas. A
    desigualdade de gênero e espécie foi essencial para a ascensão política e econômica do
    homem branco europeu, sendo este por sua vez, o único beneficiado com as violências
    praticadas. O processo de crueldades contra mulheres e animais apresenta similaridades
    que são pouco questionadas dentro do movimento feminista e na luta pela igualdade de
    gênero. A escritora norte-americana Carol J. Adams, com o livro A Política Sexual da
    Carne (2018), apresenta por meio da teoria feminista vegetariana, uma leitura metafórica
    das opressões realizadas contra pessoas humanas e não humanas. Adams criou o termo
    “referente ausente” para tornar explícita a semelhança de violências implícitas contra
    mulheres e animais até então não observadas pelo feminismo. A autora também expõe
    como o processo de objetificação de corpos é capaz de transformar vidas em mercadorias
    para benefício do patriarcado e satisfação de interesses financeiros e sexuais dos homens
    na sociedade. Entendemos que o feminismo como movimento político e social, embora
    apresente diversas vertentes, ainda não consegue enxergar com clareza a similaridade das
    violências existentes da estrutura patriarcal, como propõe a obra A Política Sexual da
    Carne. O livro é uma referência dentro da vertente ecofeminista que dialoga com pautas
    coletivas incluindo não apenas machismo e sexismo, mas também racismo e especismo.
    Assim, é através do ecofeminismo que se pode contemplar as diversas desigualdades
    sociais resultantes do patriarcado, e não apenas as violências vivenciadas pelas mulheres,
    analisando-se uma estrutura que interfere na vida de toda sociedade e vitima pessoas
    humanas e não humanas. Nosso trabalho irá articular a teoria de Adams com as teses de
    outras autoras interessadas no tratamento das diversas articulações entre o patriarcado e
    suas diferentes formas de atuação e opressão na sociedade capitalista, como Federici
    (2017), Lerner (2019), Pateman (1993) e Joy (2014).

3
  • IAGO MARQUES BARBOSA
  • CONSCIÊNCIA E REPRESENTAÇÕES META-PSICOLÓGICAS: um exame das teorias de Franz Brentano e David Rosenthal

  • Orientador : TARIK DE ATHAYDE PRATA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • SERGIO FARIAS DE SOUZA FILHO
  • TARIK DE ATHAYDE PRATA
  • Data: 28/02/2023

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  • Rosenthal descreve a consciência de criatura como o simples fato de uma criatura estar desperta e atenta aos estímulos externos da natureza. Estas criaturas conscientes possuem determinados estados mentais que representam os fenômenos da natureza, isto é, uma certa propriedade mental que estabelece uma relação entre o fenômeno da natureza, e aquilo que percebemos desse fenômeno. Estes estados mentais podem ou não estarem presentes na consciência de criatura. O que é responsável por tornar esses estados mentais conscientes? Para tentar responder a essa pergunta, Rosenthal propõe uma teoria baseada em estados mentais de ordem superior. Estes estados mentais, não representam os fenômenos, mas sim, outros estados mentais ,e torna esses últimos em estados mentais conscientes. Entretanto, Charles Siewert (1996) afirma que Rosenthal comete o mesmo erro de Brentano ao responder esse problema da consciência com o uso de estados mentais de ordem superior. Porém, não é verdade que Brentano se utiliza da ordem superior para elaborar sua teoria sobre a consciência, Brentano (1874) utiliza estados mentais internos que se auto-representam de determinada forma. Outros autores, como Dan Zahavi (2004), Rocco Gennaro (1996) entre outros, também estabelecem uma ligação entre Rosenthal e Brentano, alguns afirmando que suas teorias são equivalentes, outros negando. Devido a essa recorrente confusão, o objetivo do trabalho é não só uma análise das teorias dos dois autores, mas também uma comparação entre os fundamentos, as argumentações e as características de ambas as teorias. Dessa forma, pretendo ao final da pesquisa elaborar um argumento bem embasado sobre o porquê ambas as teorias são distintas desde o seu aspecto mais fundamental, e que Brentano não utiliza estados mentais de ordem superior.


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  • Rosenthal descreve a consciência de criatura como o simples fato de uma criatura estar
    desperta e atenta aos estímulos externos da natureza. Estas criaturas conscientes
    possuem determinados estados mentais que representam os fenômenos da natureza, isto
    é, uma certa propriedade mental que estabelece uma relação entre o fenômeno da
    natureza, e aquilo que percebemos desse fenômeno. Estes estados mentais podem ou
    não estarem presentes na consciência da criatura. O que é responsável por tornar esses
    estados mentais conscientes ? Para tentar responder a essa pergunta, Rosenthal propõe
    uma teoria baseada em estados mentais de ordem superior. Estes estados mentais, não
    representam os fenômenos, mas sim, outros estados mentais ,e torna esses últimos em
    estados mentais conscientes. Entretanto, Charles Siewert (1996) afirma que Rosenthal
    comete o mesmo erro de Brentano ao responder o problema difícil da consciência com o
    uso de estados mentais de ordem superior. Porém, não é verdade que Brentano se utiliza
    da ordem superior para elaborar sua teoria sobre a consciência, Brentano (1874) utiliza
    estados mentais internos que se auto-representam de determinada forma. Outros autores,
    como Dan Zahavi (2004), Rocco Gennaro (1996) entre outros, também estabelecem
    uma ligação entre Rosenthal e Brentano, alguns afirmando que suas teorias são
    equivalentes, outros negando. Devido a essa recorrente confusão, o objetivo do trabalho
    é não só uma análise das teorias dos dois autores, mas também uma comparação entre
    os fundamentos, as argumentações e as características de ambas as teorias. Dessa forma,
    pretendo ao final da pesquisa elaborar um argumento bem embasado sobre o porquê
    ambas as teorias são distintas desde o seu aspecto mais fundamental, e que Brentano,
    não utiliza estados mentais de ordem superior.

4
  • ALEX ANDREWS FERREIRA DE OLIVEIRA
  • EMPIRISMO E METAFÍSICA NO PROCESSO INTELECTIVO DO CONHECIMENTO NO DE MAGISTRO DE TOMÁS DE AQUINO

  • Orientador : MARCOS ROBERTO NUNES COSTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCOS ROBERTO NUNES COSTA
  • NALFRAN MODESTO BENVINDA
  • RODRIGO JUNGMANN DE CASTRO
  • Data: 28/02/2023

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  • Ao longo da história, as analises em torno do conhecimento humano
    ficaram mais complexas na tentativa de explicar suas peculiaridades. Os problemas de
    pesquisa se apresentam da seguinte forma: Há possibilidade de estruturar a dimensão
    cognitiva do sensível para o intelectivo, e encontrar a realidade correspondente aos
    conceitos? Existe ação externa à mente humana que justifique a produção do
    conhecimento humano? Tomás de Aquino apresentou os princípios de sua
    epistemologia no De Magistro. Neste opúsculo são estabelecidas as relações necessárias
    ao processo intelectivo epistêmico capaz de conduzir o indivíduo à ciência. Para tal, a
    metafisica tomasiana mostra-se atenta às articulações reais de nosso conhecimento com
    o mundo, mostrando a continuidade entre sensível e intelectual. A epistemologia realista
    de Tomás, através das inúmeras operações intelectivas, possibilita ao homem
    reconhecer a origem do conhecimento. Dessa forma, assumimos a posição no sentido de
    afirmar o conhecimento humano como princípio essencialmente natural: De que somos
    dotados de razão natural pela qual são abstraídas as imagens inteligíveis e/ou universais
    das realidades materiais. Entretanto, Tomás de Aquino utiliza princípios e categorias
    metafisicas para esclarecer o ato próprio do intelecto. Nesse prisma, havendo na mente a
    representação imaterial do cognoscível. Assim, sua teoria não se contradiz em nada,
    pois a imaterialidade intelectual não está separada da matéria. Destarte, a pertinência da
    pesquisa encontra-se no quesito do qual serão caudatários todos os demais temas da
    epistemologia tomasiana.


  • Mostrar Abstract
  • Ao longo da história, as analises em torno do conhecimento humano
    ficaram mais complexas na tentativa de explicar suas peculiaridades. Os problemas de
    pesquisa se apresentam da seguinte forma: Há possibilidade de estruturar a dimensão
    cognitiva do sensível para o intelectivo, e encontrar a realidade correspondente aos
    conceitos? Existe ação externa à mente humana que justifique a produção do
    conhecimento humano? Tomás de Aquino apresentou os princípios de sua
    epistemologia no De Magistro. Neste opúsculo são estabelecidas as relações necessárias
    ao processo intelectivo epistêmico capaz de conduzir o indivíduo à ciência. Para tal, a
    metafisica tomasiana mostra-se atenta às articulações reais de nosso conhecimento com
    o mundo, mostrando a continuidade entre sensível e intelectual. A epistemologia realista
    de Tomás, através das inúmeras operações intelectivas, possibilita ao homem
    reconhecer a origem do conhecimento. Dessa forma, assumimos a posição no sentido de
    afirmar o conhecimento humano como princípio essencialmente natural: De que somos
    dotados de razão natural pela qual são abstraídas as imagens inteligíveis e/ou universais
    das realidades materiais. Entretanto, Tomás de Aquino utiliza princípios e categorias
    metafisicas para esclarecer o ato próprio do intelecto. Nesse prisma, havendo na mente a
    representação imaterial do cognoscível. Assim, sua teoria não se contradiz em nada,
    pois a imaterialidade intelectual não está separada da matéria. Destarte, a pertinência da
    pesquisa encontra-se no quesito do qual serão caudatários todos os demais temas da
    epistemologia tomasiana.

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  • AGNES RAFAELA MOURA DE OLIVEIRA
  • O problema da corporeidade no interior do pluralismo ontológico heideggeriano

  • Orientador : SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GILFRANCO LUCENA DOS SANTOS
  • SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • Data: 31/03/2023

  • Mostrar Resumo
  • Uma das marcas mais patentes da filosofia de Heidegger é sua crítica contundente à compreensão do ente humano enquanto animal racional , composto de alma e corpo. Em contraste a esse paradigma tradicional, Heidegger propõe o projeto de compreensão do homem enquanto ente existente , ou Dasein . É na analítica existencial elaborada em Ser e Tempo que o conceito de Dasein encontra seu maior desdobramento. No entanto, salta aos olhos o fato de Heidegger não ter tratado nesta obra o tema da corporeidade — supostamente tão caro à reflexão fenomenológica do ser do ente humano. A falta de uma abordagem direta do tema na maioria dos escritos de Heidegger, e principalmente em Ser e Tempo , foi alvo de inúmeras críticas de filósofos, sobretudo dos franceses. É verdade também, no entanto, que Heidegger,entre os anos de 1959 e 1969, se volta ao tema da corporeidade, refletindo junto de médicos e psicoterapeutas o chamado Leibproblem (problema do corpo). O resultado de quase dez anos de encontros e discussões sobre temas afins à corporeidade resultou nos Seminários de Zollikon. O presente trabalho propõe-se a explorar o tema da corporeidade no interior do pluralismo modal Heideggeriano. Pretendemos mostrar de que maneira o corpo do ente humano se distingue do corpo do ente vivo e do corpo do ente material. Ao final, indicaremos que a proposta heideggeriana, apesar de superar a tradição ontológica da filosofia, cria problemas que ela mesma não chegou a resolver, o problema da unidade dos modos de ser no ente.


  • Mostrar Abstract
  • Uma das marcas mais patentes da filosofia de Heidegger é sua crítica ferrenha à compreensão do
    homem como animal racional, composto de alma e corpo. Em contraste a esse paradigma de base
    cartesiana, Heidegger propõe o projeto de compreensão do homem enquanto ente existente, ou
    Dasein. É na analítica existencial elaborada em Ser e Tempo que o conceito de Dasein encontra seu
    maior desdobramento. No entanto, salta aos olhos o fato de Heideggernão ter tratado nesta obra o
    tema da corporeidade – supostamente tão caro à reflexão fenomenológica do ser do ente humano. A
    falta de uma abordagem direta do tema na maioria dos escritos de Heidegger, e principalmente em
    Ser e Tempo, foi alvo de inúmeras críticas defilósofos, sobretudo dos franceses. Mas, é verdade
    também que Heidegger, já no final de sua vida, se volta ao tema da corporeidade, refletindo junto de
    médicos e psicoterapeutas o chamado Leibproblem (problema do corpo). O resultado de quase dez
    anos de encontros e discussões sobre temas afins à corporeidade resultou nos Seminários de
    Zollikon. Esse texto traz uma série de indicações não sistematizadas sobre o corpo que lança luz à
    nossa tentativa de localizar retroativamente a corporeidade no interior da analítica existencial.
    Dessa forma,o presente trabalho visa: 1) expor a controvérsia do tema da corporeidade no
    pensamento de Heidegger e na recepção de seus intérpretes; 2) Explorar na obra heideggeriana os
    diversos conceitos de corporeidade de acordo com o ponto de partida ontológico pluralista; 3)
    propor uma leitura conciliatória das reflexões tardias acerca da corporeidade dos Seminários de
    Zollikon com a analítica existencial de Ser e Tempo.

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  • CAROLINE SANTOS DA SILVA
  • SOBRE UM FASCISMO DE MERCADO: A Relação entre Neoliberalismo e Neofascismo no Brasil Contemporâneo

  • Orientador : ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • WÉCIO PINHEIRO ARAÚJO
  • LOIANE DA PONTE SOUZA PRADO VERBICARO
  • Data: 04/05/2023

  • Mostrar Resumo
  • O neoliberalismo promoveu condições acentuadamente benéficas em prol da
    acumulação de capital e da concentração de poder, renda e riqueza em nível
    mundial. Em contexto periférico, a observância da conjuntura sociopolítica brasileira
    contemporânea revela um cenário de discursos e práticas autoritárias, de
    desumanização de políticas públicas, de ataques às instituições democráticas.
    Diante de tal panorama, importa indagar: a ascensão do autoritarismo, em forças
    antidemocráticas e políticas de morte, guarda relação com o projeto sociopolítico
    neoliberal? Ao avançar sobre indivíduos e instituições, a racionalidade neoliberal
    sobrepõe princípios empreendedoristas a princípios democráticos, tanto na vida
    pública quanto na social, de tal modo a subverter profundamente a democracia
    (BROWN, 2019). As mutações subjetivas provocadas pelo neoliberalismo - que
    atuam no sentido do egoísmo social, da negação da solidariedade e da
    redistribuição - por sua vez, podem ser apontadas como motivadoras de movimentos
    reacionários ou neofascistas (DARDOT; LAVAL, 2016). Com vistas a desenvolver
    tais análises, a presente pesquisa defende que o neoliberalismo conduz a formas
    contemporâneas de fascismo. Propõe-se um conceito analítico de fascismo, de
    categoria sociopolítica, para tratar de um fenômeno que se desenvolve no interior da
    democracia neoliberal. O fascismo não deve ser reduzido a uma experiência
    histórica restrita. Fenômeno que se molda às circunstâncias, é passível de
    manifestar-se em contextos diversos, em autoritarismos que se apresentam com
    características afins aos movimentos totalitários das décadas de 30 e 40 do século
    XX. Este estudo objetiva, portanto, investigar o neofascismo que se manifesta no
    contexto social e político brasileiro em suas relações com o neoliberalismo,
    caracterizando, especialmente, as políticas de morte e o processo de erosão
    democrática. Desenvolver uma compreensão filosófica sobre a realidade que se
    manifesta em nossa contemporaneidade periférica é fundamental para promover
    reflexão crítica, suscitar incômodos e a consequente proposição de mudanças.


  • Mostrar Abstract
  • O neoliberalismo promoveu condições acentuadamente benéficas em prol da
    acumulação de capital e da concentração de poder, renda e riqueza em nível
    mundial. Em contexto periférico, a observância da conjuntura sociopolítica brasileira
    contemporânea revela um cenário de discursos e práticas autoritárias, de
    desumanização de políticas públicas, de ataques às instituições democráticas.
    Diante de tal panorama, importa indagar: a ascensão do autoritarismo, em forças
    antidemocráticas e políticas de morte, guarda relação com o projeto sociopolítico
    neoliberal? Ao avançar sobre indivíduos e instituições, a racionalidade neoliberal
    sobrepõe princípios empreendedoristas a princípios democráticos, tanto na vida
    pública quanto na social, de tal modo a subverter profundamente a democracia
    (BROWN, 2019). As mutações subjetivas provocadas pelo neoliberalismo - que
    atuam no sentido do egoísmo social, da negação da solidariedade e da
    redistribuição - por sua vez, podem ser apontadas como motivadoras de movimentos
    reacionários ou neofascistas (DARDOT; LAVAL, 2016). Com vistas a desenvolver
    tais análises, a presente pesquisa defende que o neoliberalismo conduz a formas
    contemporâneas de fascismo. Propõe-se um conceito analítico de fascismo, de
    categoria sociopolítica, para tratar de um fenômeno que se desenvolve no interior da
    democracia neoliberal. O fascismo não deve ser reduzido a uma experiência
    histórica restrita. Fenômeno que se molda às circunstâncias, é passível de
    manifestar-se em contextos diversos, em autoritarismos que se apresentam com
    características afins aos movimentos totalitários das décadas de 30 e 40 do século
    XX. Este estudo objetiva, portanto, investigar o neofascismo que se manifesta no
    contexto social e político do Brasil contemporâneo em suas relações com o
    neoliberalismo, caracterizando, especialmente, as políticas de morte e o processo de
    erosão democrática. Desenvolver uma compreensão filosófica sobre a realidade que
    se manifesta em nossa contemporaneidade periférica é fundamental para promover
    reflexão crítica, suscitar incômodos e a consequente proposição de mudanças.

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  • JOSÉ CLEBER LEANDRO DUARTE
  • A ESCRITA COMO EXERCÍCIO ESPIRITUAL: uma leitura sobre o Marco Aurélio de Pierre Hadot

  • Orientador : MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALDO LOPES DINUCCI
  • BERNARDO GUADALUPE DOS SANTOS LINS BRANDÃO
  • MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • MARCUS REIS PINHEIRO
  • Data: 13/06/2023

  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho tem como objetivo explorar a interpretação de Pierre Hadot sobre as Meditações
    de Marco Aurélio, apresentando a escrita como um Exercício Espiritual. A escrita não é apenas
    uma forma de registrar pensamentos, mas sim uma prática que transforma a personalidade do
    escritor. Ao escrever, o Imperador exercitava a arte de persuadir a si mesmo, evocando os
    dogmas fundamentais do estoicismo e, consequentemente, transformando suas representações
    e ações. Neste trabalho, exploramos as perspectivas intelectuais e morais da filosofia como uma
    Maneira de Viver, conforme interpretada por Pierre Hadot, e como a escrita pode ser uma
    ferramenta poderosa para a metamorfose do eu.


  • Mostrar Abstract
  • Neste trabalho os guias mnêmicos (hypomnemata) de Marco Aurélio são compreendidos como
    um exercício espiritual. Os exercícios espirituais, elencados por Pierre Hadot, correspondem a
    uma prática que visa transformar, através da ação, a personalidade de quem os pratica. Se
    escrever foi um dos instrumentos que conduziu Marco Aurélio à vida filosófica, visando
    transformar o seu discurso interior, entretanto, por quais razões a escrita é um exercício
    espiritual? Estudar as hypomnemata de Marco Aurélio através da compreensão dos exercícios
    espirituais de Pierre Hadot é o objetivo desse trabalho. O efeito produzido pela escrita, seria um
    caminho para investigarmos tal conhecimento, pois, como aponta Pierre Hadot, ao escrever,
    Marco Aurélio compreende que o verdadeiro retiro da alma está dentro de si mesmo, fazendo
    com que o filósofo se conheça através de um diálogo interior. Escrever fez com que o filósofo
    evocasse os dogmas estoicos e se relacionasse com o mundo de outra maneira, modificando
    suas representações e ações. Seguindo esta linha de compreensão, o estoicismo imperial
    abrange perspectivas morais e existenciais, com isto esperamos contribuir para o
    aprofundamento dos efeitos psicagógicos trazidos pela escrita e ao mesmo tempo, refletir a
    filosofia estoica como um modo de vida.

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  • RHAISSA SANTOS DE SOUZA
  • A verdade na obra de arte como superação da metafísica

  • Orientador : SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • ACYLENE MARIA CABRAL FERREIRA
  • Data: 28/06/2023

  • Mostrar Resumo
  • Desde Ser e Tempo, de 1927, Martin Heidegger mostrou que a motivação de suas investigações é a busca pelo sentido do ser, questão essa que, segundo ele, foi posta de lado pelo pensamento tradicional que se dirigiu apenas ao ser dos entes, indagando o que eles são, mas sem perguntar o que é ser. Em 1936, já após a “viragem”, o pensador realizou uma série de conferências que foram reunidas no texto A origem da obra de arte, escrito em 1936, na qual ele apresenta indicações para um possível conceito de obra de arte e como a verdade nela pode ser desvelada. Por meio da revisão bibliográfica das obras heideggerianas e com o apoio de textos de comentadores nas línguas portuguesa, espanhola e inglesa, analisa-se, neste trabalho, o caminho percorrido por Heidegger para poder afirmar a possibilidade do acontecimento do ser em uma obra de arte a partir da noção de verdade ontológica, visando à superação da metafísica que esqueceu o ser. Serão analisadas críticas feitas a essa afirmação, especialmente a de Meyer Schapiro, e apontada a sua pouca distância da metafísica tal como compreendida por Heidegger, como apontou Derrida. Para isso, serão apresentadas as noções de verdade, arte e ser desenvolvidas por Heidegger desde Ser e Tempo até Contribuições à Filosofia, escrito em 1938, para demonstrar que a verdade do ser como a dinâmica entre ocultamento e desvelamento corresponde à relação mundo-terra apresentada em A origem da obra de arte, o que poderá ser vislumbrado através de passos fenomenológicos indicados pelo pensador.


  • Mostrar Abstract
  • Desde “Ser e Tempo”, de 1927, Martin Heidegger mostrou ser a motivação de suas investigações a
    busca pelo sentido do Ser, questão essa que, segundo ele, foi posta de lado pelo pensamento
    tradicional que se dirigiu apenas aos entes, indagando oque eles são mas sem perguntar o que é o
    Ser. Em 1936, já após a “viragem”, o pensador realizou uma série de conferências que foram
    reunidas no texto “A origem da obra de arte”, na qual ele apresenta indicações para um possível
    conceito de obra de arte e como a verdade nela pode ser desvelada. Através da revisão bibliográfica
    das obras heideggerianas que lastreiam esta dissertação, com apoio de textos de comentadores nas
    línguas portuguesa, espanhola e inglesa, traça-se neste trabalho o caminho percorrido por Heidegger
    para afirmar a possibilidade desse desvelamento a partir da noção de verdade ontológica,
    demonstrando como a sua fenomenologia hermenêutica contribuiu para alcançar tal intento e
    permitiu pensar a relação entre obra de arte e verdade visando à superação da tradição, da
    metafísica que esqueceu o Ser.

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  • ANDRE JOSE FIGUEIREDO NOGUEIRA JUNIOR
  • Linguagem, pensamento e poesia em Martin Heidegger

  • Orientador : SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DEBORAH MOREIRA GUIMARÃES
  • GILFRANCO LUCENA DOS SANTOS
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • Data: 24/08/2023

  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação buscou problematizar a linguagem a partir de bases fenomenológicas, para isso, nos alicerçamos na filosofia heideggeriana, mais especificamente na sua segunda fase e o seu diálogo entre pensamento, linguagem e poesia. O problema da linguagem é presente em toda obra de Martin Heidegger, porém toma mais relevância, na sua filosofia, a partir da década de 30. Ao longo da história da filosofia, o modo corrente de se entender o conceito de linguagem toma contornos objetificantes, a linguagem, muitas vezes, é reduzida a um instrumento de comunicação, expressão de vivências, ou seja, uma parte do todo que é ser homem. Este modo de interpretar a linguagem, afastou, gradativamente, o homem de uma lida originária com o ser, pois entificou o fenômeno que é responsável pelo acesso ao ser das coisas, a linguagem. Heidegger aponta que para termos uma lida direta com a linguagem e o seu vigor, devemos despi-la de seus conceitos e preconceitos, isto é, não a tratar de maneira ôntica, mas sim, como domínio de mostração, de velamento e desvelamento do ser. Desta forma, Heidegger parte de um diálogo com a poesia, na tentativa de acessar a linguagem de uma maneira genuína, originária, pois o dizer poético se configura como um caminho para se ter uma experiência com o fenômeno. Sendo assim, partiremos do dizer poético em direção a linguagem, para acessarmos o seu vigor.


  • Mostrar Abstract
  • A presente dissertação buscou problematizar a linguagem a partir de bases
    fenomenológicas, para isso, nos alicerçamos na filosofia heideggeriana, mais
    especificamente na sua segunda fase e o seu diálogo entre pensamento, linguagem e
    poesia. O problema da linguagem é presente em toda obra de Martin Heidegger, porém
    toma mais relevância, na sua filosofia, a partir da década de 30. Ao longo da história da
    filosofia, o modo corrente de se entender o conceito de linguagem toma contornos
    objetificantes, a linguagem, muitas vezes, é reduzida a um instrumento de comunicação,
    expressão de vivências, ou seja, uma parte do todo que é ser homem. Este modo de
    interpretar a linguagem, afastou, gradativamente, o homem de uma lida originária com o
    ser, pois entificou o fenômeno que é responsável pelo acesso ao ser das coisas, a
    linguagem. Heidegger aponta que para termos uma lida direta com a linguagem e o seu
    vigor, devemos despi-la de seus conceitos e preconceitos, isto é, não a tratar de maneira
    ôntica, mas sim, como domínio de mostração, de velamento e desvelamento do ser.
    Desta forma, Heidegger parte de um diálogo com a poesia, na tentativa de acessar a
    linguagem de uma maneira genuína, originária, pois o dizer poético se configura como
    um caminho para se ter uma experiência com o fenômeno. Sendo assim, partiremos do
    dizer poético em direção a linguagem, para acessarmos o seu vigor.

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  • LUIZ GUILHERME ZENIEVERSON NOGUEIRA
  • A relação entre Felicidade e Moralidade na filosofia prática kantiana

  • Orientador : EDUARDO NASSER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDUARDO NASSER
  • ELEONOURA ENOQUE DA SILVA
  • FILIPE AUGUSTO BARRETO CAMPELLO DE MELO
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • Data: 28/08/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Presente trabalho tem como objetivo tratar da relação entre felicidade e moralidade na filosofia prática kantiana. As tensões e convergências destes dois conceitos encontram-se espalhadas pelos textos kantianos: Crítica da razão prática (CRPr), Fundamentação da metafísica dos costumes (FMC), Metafísica dos costumes (MC), Antropologia do ponto de vista pragmático (A), e, inclusive na Crítica da razão pura (CRP). A felicidade sempre ocupou um lugar de oposição à moralidade a partir dos escritos críticos kantianos. No entanto, moralidade e felicidade, apesar de opostos, não são conceitos, em certa medida, inconciliáveis. Nós seres humanos possuímos a influência da causalidade natural (mecânica) e da causalidade da vontade (racional), por esta razão somos: seres racionais finitos. A felicidade estaria vinculada diretamente com a esfera sensível, enquanto a moralidade possui sua vinculação com a dimensão inteligível.O pretenso formalismo kantiano, não se sustenta diante da dimensão finita, evidente em seus textos.O problema da relação entre virtude e felicidade é muito debatido por autores no Brasil que elaboraram pesquisas sobre o tema no início da década passada como Torres (2012), Dejeanne (2011), Hamm (2011), dentre outros. Sendo assim, ao longo do trabalho iremos explorar dois caminhos possíveis para tratar a conciliação entre felicidade e moralidade. O primeiro ponto centra-se na prudência como habilidade de promoção da felicidade, enquanto leis pragmáticas, em concomitância com a lei moral. O segundo baseia-se no conceito de sumo bem, tese defendida pelo próprio Kant, que visa a ligação necessária entre felicidade e moralidade como fim último dos seres racionais finitos, i.e., presume-se a felicidade enquanto porvindoura, galgando-se nos postulados da razão pura prática, pois a moralidade tornar-me-ia digno de ser feliz. Haja visto, moralidade e felicidade são conceitos indissociáveis e imprescindíveis para a realização plena das ações humanas.


  • Mostrar Abstract
  • Este Trabalho tem o objetivo principal de discutir a relação entre felicidade e
    moralidade na filosofia prática kantiana. A felicidade sempre ocupou um lugar
    de oposição à moralidade no corpus prático kantiano. No entanto, moral e
    felicidade apesar de opostos não são conceitos inconciliáveis, pois somos seres
    racionais finitos. Em outras palavras, somos cindidos entre o mundo inteligível e
    o mundo sensível. Possuímos, portanto, um lado natural (sensível) e outro
    racional (inteligível). Assim, ao longo do trabalho iremos explorar dois
    caminhos possíveis para tratar a conciliação entre felicidade e moralidade. O
    primeiro ponto centra-se na prudência como habilidade de promoção da
    felicidade, enquanto leis pragmáticas, em concomitância com a lei moral. O
    segundo se baseia no conceito de sumo bem, tese defendida pelo próprio Kant,
    que visa a ligação necessária entre felicidade e moralidade como fim último dos
    seres racionais finitos. O problema da relação entre virtude e felicidade é muito
    debatido por autores brasileiros que elaboraram pesquisas sobre o tema no início
    da década passada como Torres (2012), Dejeanne (2011), Hamm (2011), dentre
    outros. O debate a respeito do tema se faz necessário, pois mesmo que os
    conceitos sejam opostos a realização de nossas ações só é possível levando em
    consideração tanto a felicidade como a moral. Defenderemos que a conciliação
    não só é possível, como necessária para a estrutura da filosofia prática kantiana.

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  • GABRIELA MESQUITA ALVES DE OLIVEIRA
  • APARIÇÃO DO SER-AÍ ENQUANTO GÊNERO. Uma análise fenomenológico-existencial do generificar

  • Orientador : SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • CRISTINA AMARO VIANA
  • Data: 30/08/2023

  • Mostrar Resumo
  • A busca pela partícula existencial unificada deixa de lado algumas problemáticas que aparecem ao longo do mapeamento das estruturas ontológicas do ser-aí, especificamente questões relacionadas ao gênero e ao corpo. Dessa conjuntura, surge a proposta de analisar o fenômeno de gênero enquanto processo de aparição do ser-aí para aprofundar o debate sobre como as relações generificadas impessoais ou próprias que atravessam a cotidianidade e revelam as estruturas de aparição ou desapropriação do simesmo. Relegado à sociologia, história e à política, o conceito por trás do termo "gênero" passou por um processo de esvaziamento e deslocação que não aborda precisamente a relação da constituição existencial com o que se revela como “generificar-se”. A análise deste processo de “generificação” constitui num aprofundamento em fenômenos das relações de gênero para revelar como o estado impessoal coordena o existir em sua impropriedade. O fenômeno do gênero ao se deparar com as configurações do ser-aí, revela a constituição do palco da aparição desta partícula existencial para seu mais próprio ou impróprio simesmo.


  • Mostrar Abstract
  • A busca pela partícula existencial unificada deixa de lado algumas problemáticas que aparecem ao
    longo do mapeamento das estruturas ontológicas do ser-aí, especificamente questões relacionadas
    ao gênero e ao corpo. Dessa conjuntura, surge a proposta de analisar o fenômeno de gênero
    enquanto processo de aparição do ser-aí para aprofundar o debate sobre como as relações
    generificadas impessoais ou próprias que atravessam a cotidianidade e revelam as estruturas de
    aparição ou desapropriação do simesmo. Relegado à sociologia, história e à política, o conceito por
    trás do termo "gênero" passou por um processo de esvaziamento e deslocação que não aborda
    precisamente a relação da constituição existencial com o que se revela como “generificar-se”. A
    análise deste processo de “generificação” constitui num aprofundamento em fenômenos das
    relações de gênero para revelar como o estado impessoal coordena o existir em sua impropriedade.
    O fenômeno do gênero ao se deparar com as configurações do ser-aí, revela a constituição do palco
    da aparição desta partícula existencial para seu mais próprio ou impróprio simesmo.

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  • PABLO RAVEL SANTOS MEDEIROS
  • A RELAÇÃO ENTRE AS NOÇÕES DE NIILISMO PRESENTES NAS OBRAS DE NIETZSCHE E DE DOSTOIÉVSKI

  • Orientador : JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDUARDO NASSER
  • JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • MARTA SOLANGE PERRUSI
  • Data: 27/09/2023

  • Mostrar Resumo
  • O niilismo é um fenômeno moral da civilização ocidental e constitui-se como um tema de múltiplos significados. Acreditamos que a filosofia de Nietzsche e a literatura de Dostoiévski colocaram em relevo, durante o sec. XIX, o problema do niilismo da civilização judaico-cristã. Esse interesse em comum a respeito do tema, fez os autores produzirem reflexões que, compreendemos, possuem certa confluência. Em nosso trabalho, pretendemos evidenciar, a partir da análise das noções de niilismo que identificamos nas obras dos dois autores, alguns aspectos do niilismo no Ocidente. Visto que a noção de morte de Deus e a noção de niilismo estão presentes tanto no pensamento de Nietzsche, quanto na literatura de Dostoiévski; e que o próprio Nietzsche afirmou ser um admirador do escritor russo, duas questões nortearam a nosso estudo, quais sejam: em que medida o niilismo de Dostoiévski foi apropriado, influenciou ou apenas converge com o pensamento de Nietzsche? quais são as convergências e divergências conceituais entre o niilismo de Nietzsche e o de Dostoiévski? No intuito de responder essas questões, realizamos uma pesquisa de caráter histórico-filosófico que foi levada a cabo por meio de uma análise comparativa das referidas noções nos dois autores. Nosso trabalho está dividido em três etapas: o primeiro e o segundo momento de nossa pesquisa configuram-se como premissas que nos forneceram elementos para a terceira e conclusiva etapa. Primeiramente, fizemos uma investigação acerca de quatro variantes conceituais de niilismo que deparamos nos escritos de Nietzsche, sobretudo, nos textos a partir dos anos de 1880. São eles: 1) o niilismo do querer o nada; 2) o niilismo do nada querer; 3) o niilismo suicida; e 4) o niilismo afirmativo. Em seguida, realizamos um exame das noções de niilismo nas obras de Dostoiévski, a partir da análise dos seguintes personagens: o homem do subsolo, de Memórias do Subsolo (1864); Raskólnikov, de Crime e Castigo (1866); Kirílov, de Os Demônios (1872); e Ivan Karamázov, de Os Irmãos Karamázov (1880). Por fim, numa última etapa, confrontamos as noções dos dois autores para tentar responder as questões acima elencadas. Nesta parte final do trabalho, evidenciamos que as convergências entre ambos, antes de serem fruto de uma influência mútua ou de uma apropriação de um autor pelo outro, são, na verdade, resultado do espírito do tempo no qual eles viveram, a saber, uma época caracterizada pela falência dos valores ocidentais.


  • Mostrar Abstract
  • O niilismo é um fenômeno moral da civilização ocidental e constitui-se como um tema
    de múltiplos significados. Acreditamos que a filosofia de Nietzsche e a literatura de
    Dostoiévski colocaram em relevo, durante o sec. XIX, o problema do niilismo da
    civilização judaico-cristã. Esse interesse em comum a respeito do tema, fez os autores
    produzirem reflexões que, compreendemos, possuem certa confluência. Em nosso
    trabalho, pretendemos evidenciar, a partir da análise das noções de niilismo que
    identificamos nas obras dos dois autores, algumas dessas facetas do niilismo no
    Ocidente. Visto que a noção de morte de Deus e a noção de niilismo estão presentes
    tanto no pensamento de Nietzsche, quanto na literatura de Dostoiévski; e que o próprio
    Nietzsche afirmou ser um admirador do escritor russo, duas questões nortearam a nosso
    estudo, quais sejam: em que medida o niilismo de Dostoiévski foi apropriado,
    influenciou ou apenas converge com o pensamento de Nietzsche? quais são as
    convergências e divergências conceituais entre o niilismo de Nietzsche e o de
    Dostoiévski? No intuito de responder essas questões, realizamos uma pesquisa de
    caráter histórico-filosófico que foi levada a cabo por meio de uma análise comparativa
    das referidas noções nos dois autores. Nosso trabalho está dividido em três etapas: o
    primeiro e o segundo momento de nossa pesquisa configuram-se como premissas que
    nos forneceram elementos para a terceira e conclusiva etapa. Primeiramente, fizemos
    uma investigação acerca de quatro variantes conceituais de niilismo que deparamos nos
    escritos de Nietzsche, sobretudo, nos textos a partir dos anos de 1880. São eles: 1) o
    niilismo do querer o nada; 2) o niilismo do nada querer; 3) o niilismo suicida; e 4) o
    niilismo afirmativo. Em seguida, realizamos um exame das noções de niilismo nas obras
    de Dostoiévski, a partir da análise dos seguintes personagens: o homem do subsolo, de
    Memórias do Subsolo (1864); Raskólnikov, de Crime e Castigo (1866); Kirílov, de Os
    Demônios (1872); e Ivan Karamázov, de Os Irmãos Karamázov (1880). Por fim, numa
    última etapa, confrontamos as noções dos dois autores para tentar responder as questões
    acima elencadas. Nesta parte final do trabalho, evidenciamos que as convergências entre
    ambos, antes de serem fruto de uma influência mútua ou de uma apropriação de um
    autor pelo outro, são, na verdade, resultado do espírito do tempo no qual eles viveram, a
    saber, uma época caracterizada pela falência dos valores ocidentais.

13
  • JORGE WAQUIM NETO
  • A RECEPÇÃO DA FILOSOFIA DE FRIEDRICH NIETZSCHE PELO PENSAMENTO DE GILLES DELEUZE

  • Orientador : JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDUARDO NASSER
  • JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • MARTA SOLANGE PERRUSI
  • Data: 27/09/2023

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  • Deleuze protagonizou uma recepção bastante influente e, hoje, controversa da obra de Nietzsche, a partir da publicação do seu livro Nietzsche e a filosofia, em 1962. O presente texto de dissertação busca rever essa recepção, procurando entender como ela se deu. Vamos buscar o Nietzsche deleuziano, examinando o que nele possa haver de torções, de incompreensões ou até mesmo de plausibilidade a respeito de algumas noções nietzschianas. Nessa tarefa, consideramos autores da fortuna crítica que assinalam equívocos na interpretação deleuziana. Alguns desses autores apontam que tais equívocos seriam acidentais, resultados da má compreensão das noções nietzschianas pelo filósofo francês. Outros creditam os problemas de interpretação ao propósito de Deleuze em fazer de Nietzsche uma espécie de âncora conceitual para estabelecer sua própria filosofia. No entanto, neste trabalho de pesquisa, uma outra hipótese é colocada à prova: a interpretação de Deleuze seria plausível ao procurar deduzir das noções de Nietzsche o que nelas ele considerava incompleto. Em outras palavras, nossa hipótese é de que Deleuze teria realizado complementações às noções nietzschianas a partir de textos legítimos do filósofo alemão. Procuraremos cumprir esse objetivo a partir da análise de quatro noções nietzschianas relevantes para o pensamento deleuziano: a teoria das forças/vontade de potência, onde examinamos o par conceitual “forças ativas” e “forças reativas” encontrado por Deleuze na obra de Nietzsche e amplamente criticado; o eterno retorno, no qual Deleuze faz sua própria interpretação do “mesmo” nietzschiano; o perspectivismo, onde trazemos essa noção em Nietzsche e, a partir dela, a abordagem deleuziana das imagens do pensamento na filosofia; e a crítica nietzschiana à noção de sujeito, onde, por sua vez, Deleuze aplica a teoria das forças enquanto “ativas” e “reativas” encontradas por ele em Nietzsche. Os resultados podem nos auxiliar a entender melhor a filosofia deleuziana e jogam luzes sobre a compreensão das noções abordadas.


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  • Deleuze protagonizou uma recepção bastante influente e, hoje, controversa da obra de Nietzsche, a partir da publicação do seu livro Nietzsche e a filosofia, em 1962. O presente texto de dissertação busca rever essa recepção, tendo em vista dois objetivos. O primeiro deles é procurar entender como ela se deu: vamos buscar o Nietzsche deleuziano, examinando o que nele possa haver de torções, de incompreensões ou até mesmo de plausibilidade a respeito de algumas noções nietzschianas. Nessa tarefa, consideramos autores da fortuna crítica que assinalam equívocos na interpretação deleuziana. Alguns desses autores apontam que tais equívocos seriam acidentais, resultados da má compreensão das noções nietzschianas pelo filósofo francês. Outros creditam os problemas de interpretação ao propósito de Deleuze em fazer de Nietzsche uma espécie de âncora conceitual para estabelecer sua própria filosofia. No entanto, neste trabalho de pesquisa, uma outra hipótese é testada: a interpretação de Deleuze seria plausível ao procurar deduzir das noções de Nietzsche o que nelas ele considerava incompleto. O segundo objetivo é procurar entender qual a amplitude da influência de Nietzsche no pensamento deleuziano: buscamos o Deleuze nietzschiano, examinando o que os seus conceitos guardam de influência das noções nietzschianas. Procuraremos cumprir esses objetivos a partir da análise de quatro noções nietzschianas relevantes para o pensamento deleuziano: a teoria das forças/vontade de potência, onde examinamos o par conceitual “forças ativas” e “forças reativas” encontrado por Deleuze na obra de Nietzsche e amplamente criticado; o eterno retorno, no qual Deleuze faz sua própria interpretação do “mesmo” nietzschiano; o perspectivismo, onde trazemos essa noção em Nietzsche e, a partir dela, a abordagem deleuziana das imagens do pensamento na filosofia; e a crítica nietzschiana à noção de sujeito, onde, por sua vez, Deleuze aplica a teoria das forças enquanto “ativas” e “reativas” encontradas por ele em Nietzche. Os resultados podem nos auxiliar a entender melhor a filosofia deleuziana e jogam luzes sobre a compreensão das noções abordadas.

Teses
1
  • RAPHAEL DOUGLAS MONTEIRO TENÓRIO FILHO
  • PÓS-VERDADE COMO EPIDEMIA PSICOPOLÍTICA: O cinismo comicrático como modo de normativização social

  • Orientador : FILIPE AUGUSTO BARRETO CAMPELLO DE MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DIOGO SILVA CORRÊA
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • FILIPE AUGUSTO BARRETO CAMPELLO DE MELO
  • JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • SAYONARA DE AMORIM GONCALVES LEAL
  • Data: 24/02/2023

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  • A presente tese se esforça em esquadrinhar o conceito de pós-verdade ― e suas
    fraquezas propositivas ―, popularizado no seio de querelas políticas nacionais e
    internacionais a partir de 2016, e submeter-lhe a uma visada filosófica, verificando quais os
    pontos de contato mais sensíveis entre a filosofia e a questão pós-veritativa. O que é a verdade
    num contexto tecnoepistêmico e político tão complexo, no qual uma suposta “era” pós-factual
    pode ser anunciada? Trata-se, também, de oferecer uma leitura filosófica que complemente as
    interpretações majoritárias do fenômeno, que nascem preponderantemente da área de
    comunicação e tecnologia. A tese temática que se segue propõe, ademais, uma interpretação
    que se move num campo psicopolítico, onde filosofia e teorias societárias auxiliam no
    fundamento de um olhar hermenêutico que nos permitirá definir a pós-verdade como um
    problema de normativização social a partir de um modelo hegemônico de subjetivação que
    taxaremos de cinismo comicrático e que se espalha com força de epidemia, decidindo o
    destino de grandes democracias.


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  • A presente tese se esforça em esquadrinhar o conceito de pós-verdade ― e suas
    fraquezas propositivas ―, popularizado no seio de querelas políticas nacionais e
    internacionais a partir de 2016, e submeter-lhe a uma visada filosófica, verificando quais os
    pontos de contato mais sensíveis entre a filosofia e a questão pós-veritativa. O que é a verdade
    num contexto tecnoepistêmico e político tão complexo, no qual uma suposta “era” pós-factual
    pode ser anunciada? Trata-se, também, de oferecer uma leitura filosófica que complemente as
    interpretações majoritárias do fenômeno, que nascem preponderantemente da área de
    comunicação e tecnologia. A tese temática que se segue propõe, ademais, uma interpretação
    que se move num campo psicopolítico, onde filosofia e teorias societárias auxiliam no
    fundamento de um olhar hermenêutico que nos permitirá definir a pós-verdade como um
    problema de normativização social a partir de um modelo hegemônico de subjetivação que
    taxaremos de cinismo comicrático e que se espalha com força de epidemia, decidindo o
    destino de grandes democracias.

2022
Dissertações
1
  • ACÁCIO DA SILVA FERREIRA
  • Equilíbrio Reflexivo e Revisão da Lógica

  • Orientador : MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAMILA JOURDAN
  • EROS MOREIRA DE CARVALHO
  • LUIZ CARLOS PINHEIRO DIAS PEREIRA
  • MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • Data: 23/02/2022

  • Mostrar Resumo
  • A emergência de lógicas alternativas à lógica clássica motiva a revisão de alguns princípios clássicos do raciocínio. Para as lógicas desviantes não há outra opção, é preciso revogar a validade universal de certos princípios lógicos. Todavia, em que medida é possível revisar racionalmente algo tão fundamental quanto princípios lógicos? Prawitz (1978), Resnik (1997, 2004) e Peregrin e Svoboda (2017) propõem o método de equilíbrio reflexivo para se pensar a justificação e a revisão racional de regras e princípios da lógica. Para estes autores, podemos, em um movimento de ir e vir, entre nossas considerações teóricas, regras e princípios lógicos e nossas inferências locais, revisar qualquer um desses elementos, sempre que necessário, a fim de alcançar uma coerência aceitável entre eles. Neste trabalho, alegamos, no entanto, que o equilíbrio reflexivo, do modo como é caracterizado por estes autores, é inadequado para justificar e revisar regras e princípios lógicos básicos. Argumentamos, com base nas críticas de Pereira (2006) à Prawitz, que o equilíbrio reflexivo recorre a pressupostos problemáticos, como por exemplo, a ideia de ‘revisar sempre que necessário’ e ‘coerência aceitável’. Afinal, o que garante a necessidade da revisão de princípios lógicos? O que assegura a coerência aceitável entre princípios e inferências locais? Como alternativa, endossamos uma abordagem revisionista wittgensteiniana (1969) baseada na noção de ‘conversão’.


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  • A emergência de lógicas alternativas à lógica clássica motiva a revisão de alguns princípios clássicos do raciocínio. Para as lógicas desviantes não há outra opção, é preciso revogar a validade universal de certos princípios lógicos. Todavia, em que medida é possível revisar racionalmente algo tão fundamental quanto princípios lógicos? Prawitz (1978), Resnik (1997, 2004) e Peregrin e Svoboda (2017) propõem o método de equilíbrio reflexivo para se pensar a justificação e a revisão racional de regras e princípios da lógica. Para estes autores, podemos, em um movimento de ir e vir, entre nossas considerações teóricas, regras e princípios lógicos e nossas inferências locais, revisar qualquer um desses elementos, sempre que necessário, a fim de alcançar uma coerência aceitável entre eles. Neste trabalho, alegamos, no entanto, que o equilíbrio reflexivo, do modo como é caracterizado por estes autores, é inadequado para justificar e revisar regras e princípios lógicos básicos. Argumentamos, com base nas críticas de Pereira (2006) à Prawitz, que o equilíbrio reflexivo recorre a pressupostos problemáticos, como por exemplo, a ideia de ‘revisar sempre que necessário’ e ‘coerência aceitável’. Afinal, o que garante a necessidade da revisão de princípios lógicos? O que assegura a coerência aceitável entre princípios e inferências locais? Como alternativa, endossamos uma abordagem revisionista wittgensteiniana (1969) baseada na noção de ‘conversão’.

2
  • MARCIANO ROMUALDO ARAUJO CAVALCANTI
  • O ESTATUTO EPISTÊMICO DA PERCEPÇÃO A PARTIR DO DIÁLOGO TEETETO DE PLATÃO: uma leitura filosófico-literária

  • Orientador : MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RENATO MATOSO
  • CAROLINA DE MELO BOMFIM ARAÚJO
  • MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • MARIA APARECIDA DE PAIVA MONTENEGRO
  • Data: 24/02/2022

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  • Há certa discussão entre intérpretes da filosofia platônica sobre o papel epistêmico da percepção. Nesse contexto, não há consenso quanto à capacidade da percepção formular juízos, crenças ou opiniões. Pode-se dizer que a percepção é judicativa, ou que não produzimos juízo algum por ela. Contudo, só aquilo que é judicativo pode ser conhecimento. Se através da percepção adquirimos conhecimento, então ela é judicativa. Nossa dissertação apresenta uma reconstrução literário-filosófica do diálogo Teeteto. Através dela, mostramos que o objetivo do texto é distinguir explicitamente a capacidade de perceber da de pensar. Por este motivo, defendemos que o diálogo nega que a percepção produza juízos. Seu caráter judicativo é eliminado, sendo esta uma capacidade da alma racional. O problema para percepção é duplo: não podemos compreendê-la por si mesma, e suas informações não garantem conhecimento. Portanto, perceber não implica conhecer. O que é negado é o estatuto epistêmico da percepção, mas isso não impede que ela tenha um papel na formulação de juízos.


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  • Há certa discussão entre intérpretes da filosofia platônica sobre o papel epistêmico da percepção. Nesse contexto, não há consenso quanto à capacidade da percepção formular juízos, crenças ou opiniões. Pode-se dizer que a percepção é judicativa, ou que não produzimos juízo algum por ela. Contudo, só aquilo que é judicativo pode ser conhecimento. Se através da percepção adquirimos conhecimento, então ela é judicativa. Nossa dissertação apresenta uma reconstrução literário-filosófica do diálogo Teeteto. Através dela, mostramos que o objetivo do texto é distinguir explicitamente a capacidade de perceber da de pensar. Por este motivo, defendemos que o diálogo nega que a percepção produza juízos. Seu caráter judicativo é eliminado, sendo esta uma capacidade da alma racional. O problema para percepção é duplo: não podemos compreendê-la por si mesma, e suas informações não garantem conhecimento. Portanto, perceber não implica conhecer. O que é negado é o estatuto epistêmico da percepção, mas isso não impede que ela tenha um papel na formulação de juízos.

3
  • JAMILA DE OLIVEIRA LIMA
  • A CRIAÇÃO ARTÍSTICA À LUZ DA FILOSOFIA BERGSONIANA: desde a intuição até a expressão

  • Orientador : SANDRO COZZA SAYAO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA DE JESUS DE BRITTO LEITE
  • SANDRO COZZA SAYAO
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • Data: 26/08/2022

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  • Ao percorrer a obra de Bergson, constatamos as frequentes menções à arte como uma possibilidade de ultrapassar a percepção comum do cotidiano. A criação artística nos aproxima daquilo que cada coisa têm de singular, o âmago da vida. Mas apesar desse caráter distintivo, o filósofo não dedica nenhuma de suas obras a elaborar uma teoria sobre a arte. Para Bergson, a atividade dos filósofos e dos artistas se assemelha nesta espécie de percepção expandida da realidade, a intuição, mas se distancia na expressão do que foi apreendido. Haja vista que na história da filosofia, muitas foram as vezes em que se refletiu sobre a natureza da arte, o conceito do belo, ou sobre a experiência do contemplador, dentro da doutrina bergsoniana o encontro entre arte e filosofia ganha contornos particulares, já que é nas alusões a criação artística que Bergson fundamentará sua crítica ao discurso filosófico, quando numa tônica meramente intelectual, abrindo assim a possibilidade de um caminho para se refletir sobre a arte. O objetivo desta dissertação, portanto, é destacar a criação artística à luz de uma filosofia cujo o ato de criar é vital para o evoluir; desde a intuição até a expressão, enfatizando seus esforços, a diferenciação e a composição do espírito com a matéria que se reconciliam na vida, e também na obra de arte. Para tanto, promove um encontro e desencontro entre o filósofo e o artista a partir das obras bergsonianas e, no outro sentido, uma assimilação das indicações formais em certas obras de arquitetura.


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  • Ao percorrer a obra de Bergson, constatamos as frequentes menções à arte como uma possibilidade de ultrapassar a percepção comum do cotidiano. A criação artística nos aproxima daquilo que cada coisa têm de singular, o âmago da vida. Mas apesar desse caráter distintivo, o filósofo não dedica nenhuma de suas obras a elaborar uma teoria sobre a arte. Para Bergson, a atividade dos filósofos e dos artistas se assemelha nesta espécie de percepção expandida da realidade, a intuição, mas se distancia na expressão do que foi apreendido. Haja vista que na história da filosofia, muitas foram as vezes em que se refletiu sobre a natureza da arte, o conceito do belo, ou sobre a experiência do contemplador, dentro da doutrina bergsoniana o encontro entre arte e filosofia ganha contornos particulares, já que é nas alusões a criação artística que Bergson fundamentará sua crítica ao discurso filosófico, quando numa tônica meramente intelectual, abrindo assim a possibilidade de um caminho para se refletir sobre a arte. O objetivo desta dissertação, portanto, é destacar a criação artística à luz de uma filosofia cujo o ato de criar é vital para o evoluir; desde a intuição até a expressão, enfatizando seus esforços, a diferenciação e a composição do espírito com a matéria que se reconciliam na vida, e também na obra de arte. Para tanto, promove um encontro e desencontro entre o filósofo e o artista a partir das obras bergsonianas e, no outro sentido, uma assimilação das indicações formais em certas obras de arquitetura.

4
  • THIAGO ANDRADE DE OLIVEIRA
  • O CONTEÚDO NÃO CONCEITUAL DA EXPERIÊNCIA PERCEPTIVA

  • Orientador : TARIK DE ATHAYDE PRATA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DANILO VAZ-CURADO RIBEIRO DE MENEZES COSTA
  • MARCOS ANTONIO DA SILVA FILHO
  • TARIK DE ATHAYDE PRATA
  • Data: 29/08/2022

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  • Uma importante questão na filosofia da mente contemporânea versa sobre o conteúdo
    da experiência perceptiva. Por um lado, os conceitualistas sustentam que toda
    experiência perceptiva envolve capacidades conceituais. Por outro lado, os não
    conceitualistas, sustentam que algumas experiências perceptivas não envolvem
    capacidades conceituais. Nesse sentido, ou toda experiência perceptiva envolve
    capacidades conceituais ou algumas experiências perceptivas não envolvem
    capacidadesconceituais. Entendo que não é o caso que toda experiência perceptiva
    envolve capacidades conceituais, pois há discriminações perceptivas em que o sujeito
    não possuiconceitos adequados para especificar objetos que lhe são apresentados na
    percepção. Logo, algumas experiências perceptivas não envolvem capacidades
    conceituais. Pois é possível discriminar dois tons próximos de verde sem especificá-los
    conceitualmente. O objetivo desta Dissertação, portanto, é defender que algumas
    experiências perceptivas, como perceber características e várias tonalidades de cores,
    não envolvem capacidades conceituais.


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  • Uma importante questão na filosofia da mente contemporânea versa sobre o conteúdo
    da experiência perceptiva. Por um lado, os conceitualistas sustentam que toda
    experiência perceptiva envolve capacidades conceituais. Por outro lado, os não
    conceitualistas, sustentam que algumas experiências perceptivas não envolvem
    capacidades conceituais. Nesse sentido, ou toda experiência perceptiva envolve
    capacidades conceituais ou algumas experiências perceptivas não envolvem
    capacidadesconceituais. Entendo que não é o caso que toda experiência perceptiva
    envolve capacidades conceituais, pois há discriminações perceptivas em que o sujeito
    não possuiconceitos adequados para especificar objetos que lhe são apresentados na
    percepção. Logo, algumas experiências perceptivas não envolvem capacidades
    conceituais. Pois é possível discriminar dois tons próximos de verde sem especificá-los
    conceitualmente. O objetivo desta Dissertação, portanto, é defender que algumas
    experiências perceptivas, como perceber características e várias tonalidades de cores,
    não envolvem capacidades conceituais.

5
  • THIAGO HENRIQUE SANTOS DE MEDEIROS
  • QUANDO A MORTE NÃO É EXCEÇÃO: Biopolítica, soberania, intersecções e divergências entre Mbembe e Agamben

  • Orientador : ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEXANDRO SILVA DE JESUS
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • JULIELE MARIA SIEVERS
  • Data: 29/08/2022

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  • Esta pesquisa analisa duas perspectivas contemporâneas acerca da Soberania, a partir dos estudos apresentados por Giorgio Agamben e Achille Mbembe. Para além de construir uma nova definição acerca do termo em si, ambos embasados na perspectiva da biopolítica foucaultiana, estes dois pensadores buscam analisar o exercício do poder soberano para, a partir disso, ofertar novas proposições epistemológicas. Embora possuam certas semelhanças, principalmente em seus embasamentos teóricos, há uma diferença entre perspectivas metodológicas que conduzem cada um a proposições diversas. Agamben, também utilizando-se das ideias de Carl Schmitt acerca do Estado de Exceção, parte de uma análise epistemológica que o conduz aos conceitos de Zoé e Bios, na qual a primeira tomará o caráter de centralidade, ou ainda, sempre esteve como eixo fundante das democracias ocidentais. Já Mbembe, embora também embasando-se na biopolítica foucaultiana, e até mesmo utilizando-se de Agamben em seu arcabouço teórico, propõe uma descentralização da discussão da soberania. Partindo da experiência colonial das Américas e das Áfricas, o filósofo camaronês trata a soberania não mais como um gerir da vida – principalmente a vida biológica, como propôs Foucault – mas a partir da morte em primeiro plano, cunhando assim o termo Necropolítica, conduzindo ao conceito de Necropolítica, bem como o retorno dessa condição colonial às metrópoles. Há, a partir disso, uma reformulação da ética nas relações entre povos, lastreado nas ideias de raça e a criação do que o mesmo chama de devir-negro. Percebe-se, desta forma, o condicionamento de Agamben a uma ratio eurocêntrica, enquanto Mbembe está relacionada a primazia da ética criada a partir das relações coloniais.


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  • Esta pesquisa analisa duas perspectivas contemporâneas acerca da Soberania, a partir
    dos estudos apresentados por Giorgio Agamben e Achille Mbembe. Para além de
    construir uma nova definição acerca do termo em si, ambos embasados na perspectiva
    da biopolítica foucaultiana, estes dois pensadores buscam analisar o exercício do poder
    soberano para, a partir disso, ofertar novas proposições epistemológicas. Embora
    possuam certas semelhanças, principalmente em seus embasamentos teóricos, há uma
    diferença entre perspectivas metodológicas que conduzem cada um a proposições
    diversas. Agamben, também utilizando-se das ideias de Carl Schmitt acerca do Estado
    de Exceção, parte de uma análise epistemológica que o conduz aos conceitos de
    Auctorias e Potestas, que ao longo do tempo diluem-se e causam uma hipertrofia sobre
    a figura do soberano, trazendo também uma releitura hobbesiana do “estado de
    natureza” na definição de Exceção. Já Mbembe, embora também embasando-se na
    biopolítica foucaultiana, e até mesmo utilizando-se de Agamben em seu arcabouço
    teórico, propõe uma recentralização da discussão da soberania. Partindo das
    experiências dos regimes de plantation e do massacre da população negra, nas
    experiências coloniais das Américas e da África, o filósofo camaronês trata a soberania
    não mais como um gerir da vida – principalmente a vida biológica, como propôs
    Foucault – mas a partir da morte em primeiro plano, conduzindo ao conceito de
    Necropolítica, bem como o retorno dessas experiências às metrópoles. Há, a partir disso,
    uma reformulação da ética nas relações entre povos, lastreado nas ideias de raça e a
    criação do que o mesmo chama de devir-negro. Percebe-se, desta forma, o
    condicionamento de Agamben a uma ratio eurocêntrica, enquanto Mbembe está
    relacionada a primazia da ética criada a partir das relações coloniais.

6
  • PABLO RAPHAEL RIBEIRO DIAS
  • OS FUNDAMENTOS ONTOLÓGICO-METAFÍSICOS DA METAPSICOLOGIA FREUDIANA E A TAREFA DE UMA FUNDAMENTAÇÃO ONTOLÓGICO-EXISTENCIAL DA PSICANÁLISE

  • Orientador : SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • ÉDER SOARES SANTOS
  • Data: 30/08/2022

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  • Um aspecto fundamental da fenomenologia hermenêutica de Martin Heidegger (1889-1976) é a tese do esquecimento do ser. Sua analítica existencial, presente na obra Ser e Tempo (1927), visa desvelar os aspectos fundamentais do ser desse ente – aspectos que caíram no esquecimento. Na obra Seminários de Zollikon (1959-1969), vemos que, para Heidegger, a metapsicologia representa mais um exemplo do esquecimento do ser. Se a metapsicologia freudiana cumpre o papel de manter o Dasein em seu esquecimento, a fenomenologia hermenêutica, em contrapartida, é um método de análise capaz de desvelar os conceitos ontológicos fundamentais da metapsicologia freudiana. Com isso, defenderemos que a fenomenologia heideggeriana tem algo de peculiar no tocante à investigação ontológica. Por meio dela notamos que é possível uma investigação das fundamentações ontológicas das ciências particulares. Diante disso, o objetivo deste trabalho é indicar os fundamentos metafísicos da metapsicologia freudiana, por meio da fenomenologia hermenêutica, com a tarefa crucial de apontar a viabilidade de uma psicanálise sem sujeito que encontra em Heidegger uma nova base ontológica para pensar o ente humano. Buscaremos, em primeiro lugar, apresentar em linhas gerais os conceitos fundamentais do arcabouço teórico metapsicológico freudiano, a saber: pulsão, inconsciente e desejo; em seguida mostraremos em que medida a filosofia de René Descartes (1596-1650) parece ser a base ontológico-existencial da metapsicologia freudiana. Em segundo lugar apresentaremos aquilo que na analítica existencial é fundamental para pensar o ente humano: o conceito de fenômeno (mostrar-se, aparência e manifestação) e a tese do Dasein como ser-no-mundo (compreensão, tonalidade de humor e fala). Em terceiro lugar, por meio da analítica existencial, investigaremos como é possível uma desconstrução fenomenológica da metapsicologia freudiana. Para realizar tal tarefa colocaremos a ciência da psique sob a ótica da fenomenologia hermenêutica introduzindo a crítica heideggeriana à metapsicologia freudiana. Por fim, indicaremos em que medida é possível uma psicanálise sem sujeito, isto é, longe do entulho metafísico ao qual Sigmund Freud (1856-1939) está intimamente ligado em seu arcabouço teórico metapsicológico.


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  • Um aspecto fundamental da fenomenologia hermenêutica é a tese do esquecimento do ser, desse modo a analítica existencial visa desvelar os aspectos fundamentais do ser do ente que caíram no esquecimento. Se a tese do esquecimento do ser está correta, então pode-se dizer que aspectos ontológicos dele não foram desvelados ou estão velados na ontologia regional constitutiva da metapsicologia freudiana. Nesse sentido, se a fenomenologia hermenêutica é um método de análise capaz de desvelar conceitos ontológicos fundamentais e se os conceitos ontológicos da metapsicologia freudiana estão velados, então pode-se dizer que a fenomenologia hermenêutica é capaz de desvelar os conceitos ontológicos da metapsicologia freudiana. Sendo assim, o objetivo desta dissertação é aplicar a fenomenologia hermenêutica à metapsicologia freudiana para trazer à tona os conceitos ontológicos fundamentais dela que estão velados.

7
  • CORINA OLIVEIRA ARRUDA
  • A CRÍTICA DE NIETZSCHE AOS PRINCÍPIOS DA METAFÍSICA CARTESIANA

  • Orientador : JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • MARTA SOLANGE PERRUSI
  • Data: 31/08/2022

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  • A dissertação que aqui apresentamos se desenvolve em torno da crítica nietzscheana às duas principais concepções metafísicas que sustentam as bases do pensamento cartesiano. Nosso principal objetivo será analisar como a crítica feita por Nietzsche, quando levada às últimas consequências, desembocaria não apenas em uma crise moral, mas também em uma crise epistemológica para o Ocidente. O solo dessa crítica é uma revisão dos fundamentos sobre os quais se consolidou o pensamento moderno. Apresentamos, assim, na primeira parte do trabalho, uma reconstrução do percurso cartesiano nas Meditações Metafísicas. Reconstrução esta, que servirá de premissa para expormos, no segundo capítulo, a fragmentação da ideia de sujeito, enquanto substância pensante, a partir de uma crítica das estruturas da linguagem. Esta crítica do sujeito, nos é apresentada por Nietzsche, enquanto um problema derivado de um hábito gramatical, em que a sintaxe se configura como molde determinante para o pensamento metafísico. Posteriormente, em nosso terceiro e último capítulo, argumentaremos sobre às circunstâncias da modernidade que permitiram o surgimento da concepção de morte de Deus, capaz de promover à desestruturação de toda possibilidade de conhecimento, a partir do declínio da ideia de um Deus benevolente que foi até então o paradigma de apoio do sistema cartesiano.


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  • A dissertação que aqui apresentamos se desenvolve em torno da crítica nietzscheana às duas principais concepções que sustentam as bases do pensamento cartesiano. Nosso principal objetivo será analisar como suas objeções ao pensamento cartesiano serão fundamentais no seu projeto de rompimento com a tradição do pensamento moderno. O principal pano de fundo para a realização dessa crítica é uma revisão dos fundamentos sobre os quais se consolidou o pensamento de Descartes. Apresentamos, assim, na primeira parte do trabalho a passagem do sujeito enquanto substância pensante – levando em consideração suas premissas – às circunstâncias que levam à desestruturação do cogito a partir do declínio da ideia de Deus como um paradigma histórico. Para tanto, será preciso uma breve reconstrução do caminho argumentativo de Descartes até a certeza do cogito enquanto substância pensante e de sua dependência da substância divina que garante sua existência. Encontramos, em Nietzsche, esta crítica à metafísica do sujeito, através de sua filosofia da linguagem, na qual a sintaxe configura-se como molde que determina o pensamento metafísico. Com isso, depois da desconstrução do sujeito, buscaremos explicar, a partir da noção de “morte de Deus”, como a queda do valor ligado a essa ideia teria como resultado, não apenas um colapso moral, mas epistemológico.

8
  • FILIF NAMBERA
  • FELICIDADE E A ATIVIDADE TEÓRICA: As Relações Entre o Humano e o Divino na Ética à Nicômaco

  • Orientador : RICHARD ROMEIRO OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RICHARD ROMEIRO OLIVEIRA
  • ELTON VITORIANO RIBEIRO
  • LUIZ PAULO ROUANET
  • Data: 31/08/2022

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  • O nosso trabalho trata de uma vexata quaestio concernente à compreensão das relações entre racionalidade prática e racionalidade teorética dentro da economia discursiva da EN, ou, dito de outro modo, do problema relativo a como entender as relações entre vida ético-política e vida teorética ou contemplativa no texto mencionado. A gênese dessa questão na nossa dissertação será explicada na medida em que destacamos que Aristóteles constrói uma reflexão sobre a práxis humana, desde os momentos iniciais da EN, que anuncia uma ruptura com o platonismo e sua concepção de que a excelência da práxis humana e, consequentemente, a consecução do modo de vida mais feliz, dependem da efetivação de uma racionalidade superior, de caráter teorético e propriamente filosófico. Nesse esquema, a razão filosófica é determinada como a condição de possibilidade da areté e da eudaimonía. Em uma boa parte da EN, Aristóteles elabora uma reflexão ética que se distancia desse modelo platônico, procurando fundamentar a concepção de que o universo da práxis possui uma especificidade e uma autonomia, não dependendo das exigências teoréticas e epistemológicas que são características da filosofia pura, mas sim de um tipo de pensamento direcionado essencialmente para o universo das coisas humanas: a prudência ou sabedoria (phrónesis). Com isso, Aristóteles funda, segundo alguns comentadores, a Ética como uma disciplina independente, que dispõe de uma racionalidade própria, de caráter prático e não teorético, o que lhe permite fundamentar a ideia de que é possível ser feliz e virtuoso sem ser filósofo. No entanto, esses elementos parecem ser de alguma forma postos em xeque por aquilo que é desenvolvido no livro X da EN, porquanto nesse momento da obra Aristóteles desenvolve toda uma argumentação para proclamar de forma contundente que a virtude ou excelência na sua expressão plena requer necessariamente a atualização da mais elevada faculdade humana – o intelecto – , desembocando na tese de que a vida mais perfeita e feliz é a vida consagrada ao exercício dessa faculdade, i. e., a vida teorética ou a vida contemplativa – algo que Aristóteles considera que constitui uma forma de aproximação do homem em relação ao divino, uma vez que, na teologia aristotélica, Deus é definido como um intelecto puro, cuja vida consiste na eterna contemplação de si mesmo. Pois bem, o que nos interessa investigar é basicamente essa problemática, cuja compreensão constitui um procedimento analítico e interpretativo essencial para se entender a coerência discursiva e o significado filosófico da EN, pois é compreendendo essa problemática que podemos entender como Aristóteles pensou as relações entre racionalidade prática e racionalidade teorética em seu ensinamento ético, apreendendo de forma mais adequada como o Estagirita concebeu as relações entre o universo do agir político e moral humano e aquilo que o transcende e de algum modo se aproxima do divino: a atividade teorética.


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  • O nosso trabalho é uma vexata quaestio concernente à compreensão das relações entre racionalidade prática e racionalidade teorética dentro da economia discursiva da EN, ou, dito de outro modo, do problema relativo à como entender as relações entre vida ético-política e vida teorética ou contemplativa no texto mencionado. A gênese dessa questão na nossa dissertação será explicada na medida em que destacamos que Aristóteles constrói uma reflexão sobre a práxis humana, desde os momentos iniciais da EN, que anuncia uma ruptura com o platonismo e sua concepção de que a excelência da práxis humana e, consequentemente, a consecução do modo de vida mais feliz, depende da efetivação de uma racionalidade superior, de caráter teorético e propriamente filosófico. Nesse esquema, a razão filosófica é determinada como a condição de possibilidade da areté e da eudaimonía. Em uma boa parte da EN, Aristóteles elabora uma reflexão ética que se distancia desse modelo platônico, procurando fundamentar a concepção de que o universo da práxis possui uma especificidade e uma autonomia, não dependendo das exigências teoréticas e epistemológicas que são características da filosofia pura, mas sim de um tipo de pensamento direcionado essencialmente para o universo das coisas humanas: a prudência ou sabedoria (phrónesis). Com isso, Aristóteles funda, segundo alguns comentadores, a Ética como uma disciplina independente, que dispõe de uma racionalidade própria, de caráter prático e não teorético, o que lhe permite fundamentar a ideia de que é possível ser feliz e virtuoso sem ser filósofo. No entanto, esses elementos parecem ser de alguma forma postos em xeque por aquilo que é desenvolvido no livro X da EN, porquanto nesse momento da obra Aristóteles desenvolve toda uma argumentação para proclamar de forma contundente que a virtude ou excelência na sua expressão plena requer necessariamente a atualização da mais elevada faculdade humana – o intelecto – , desembocando na tese de que a vida mais perfeita e feliz é a vida consagrada ao exercício dessa faculdade, i. e., a vida teorética ou a vida contemplativa – algo que Aristóteles considera que constitui uma forma de aproximação do homem em relação ao divino, porquanto, na teologia aristotélica, Deus é definido como um intelecto puro, cuja vida consiste na eterna contemplação de si mesmo. Pois bem, o que nos interessa investigar é basicamente essa problemática, cuja compreensão constitui um procedimento analítico e interpretativo essencial para se entender a coerência discursiva e o significado filosófico da EN, pois é compreendendo essa problemática que podemos entender como Aristóteles pensou as relações entre racionalidade prática e racionalidade teorética em seu ensinamento ético, apreendendo de forma mais adequada como o Estagirita concebeu as relações entre o universo do agir político e moral humano e aquilo que o transcende e de algum modo se aproxima do divino: a atividade teorética. Trata-se de um ponto decisivo para se compreender se a EN possui ou não uma unidade discursiva.

9
  • HENRIQUE CAPELEIRO MAIA
  • A Inquietante ausência, ou como transformar um epicurista em um completo socrático.
  • Orientador : RICHARD ROMEIRO OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOVELINA MARIA RAMOS DE SOUZA
  • FILIPE AUGUSTO BARRETO CAMPELLO DE MELO
  • RICHARD ROMEIRO OLIVEIRA
  • Data: 31/08/2022

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  • Nesta dissertação dou conta do meu trajeto ao longo duma pesquisa que começou com Lucrécio e terminou em Sócrates. Nela conto a estória da minha acidental descoberta duma ausência inquietante no seio do epicurismo. Infelizmente, Epicuro oferece certezas onde claramente deviam estar dúvidas. Para testar se será assim ou não, leio e comento então a famosa Carta a Meneceu. O meu objetivo aí é retirar dela o que Epicuro pensa sobre a filosofia enquanto tal. Depois, para contrastar e contra-evidenciar com outra forma de pensar filosofia, conto de seguida a minha descoberta do Sócrates platônico enquanto personagem modelo duma filosofia acima de tudo performática. Para tal, leio e comento a Apologia de Sócrates, retirando dela aquelas que me parecem ser as grandes lições socráticas do seu modo de fazer filosofia. Segue-se então uma apresentação mais detalhada e técnica do método socrático, mostrando como funciona na prática. Por fim, conto de como encontrei paz na filosofia performática do Sócrates personagem, pondo assim um ponto final à minha inquietação inicial.


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  • A dissertação pretende analisar em que medida o projeto epicurista, centrado em
    uma preocupação moral e terapêutica que assume a realização da tranquilidade da alma
    (ataraxia) como seu objetivo supremo, acaba por resvalar em um discurso dogmático e
    moralizante que coloca em segundo plano a prática dialética da pesquisa e do debate
    argumentativo, o que faz com que aquilo que tradicionalmente definia a natureza da atividade
    propriamente filosófica venha, no fim das contas, a se perder. No texto, procura-se tornar essa
    tendência moralizante e dogmática do projeto epicurista ainda mais evidente a partir da sua
    confrontação com a alternativa representada pela prática filosófica de Sócrates.

Teses
1
  • ROBERTA SOARES NAZARIO DA SILVA
  • O HUMAN ENHANCEMENT COMO PROBLEMA FILOSÓFICO NO SÉCULO XXI: Uma crítica ao transumanismo a partir da ética de Hans Jonas

  • Orientador : SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LILIAN SIMONE GODOY FONSECA
  • ERICO ANDRADE MARQUES DE OLIVEIRA
  • JELSON ROBERTO DE OLIVEIRA
  • SANDRO COZZA SAYAO
  • SANDRO MARCIO MOURA DE SENA
  • Data: 28/07/2022

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  • A tese tem como objetivo geral apresentar duas concepções distintas que atuam sobre o cenário do Human Enhancement: o movimento Transumanista moderno e a proposta da Responsabilidade do filósofo Hans Jonas, sendo a ética filosófica a bússola e elemento principal nesse exame. Para o movimento transumanista, a natureza humana é plástica e modificável e as suas pretensões se baseiam na melhoria do ser humano sustentados na ciência e na técnica moderna. Os transumanistas tem como ideal uma sociedade pautada na liberdade e que consiga atingir todas as potencialidades alicerçadas na tecnociência. De outro modo, o filósofo Hans Jonas aborda essa problemática fundamentado no seu Princípio Responsabilidade e na necessidade de uma ética da precaução para a civilização tecnológica. Para Jonas, o contexto fornecido pelo movimento transumano se assenta em um terreno perigoso ao promover também a modificação da natureza humana sem considerar os aspectos ontológicos fundamentais desse contexto. Nesse sentido, ambas posições oferecem material para análise acerca das alterações originadas desse cenário, com horizontes distintos e bem delimitados. Em resumo, a tese se centra na concepção de que a ética filosófica se encontra desafiada nesse momento inédito da humanidade e, por tamanha dimensão desse empreendimento, esse talvez seja o maior problema filosófico desse século.


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  • A tese tem como objetivo geral apresentar duas concepções distintas que atuam sobre o cenário do Human Enhancement: o movimento Transumanista moderno e a proposta da Responsabilidade do filósofo Hans Jonas, sendo a ética filosófica a bússola e elemento principal nesse exame. Para o movimento transumanista, a natureza humana é plástica e modificável e as suas pretensões se baseiam na melhoria do ser humano sustentados na ciência e na técnica moderna. Os transumanistas tem como ideal uma sociedade pautada na liberdade e que consiga atingir todas as potencialidades alicerçadas na tecnociência. De outro modo, o filósofo Hans Jonas aborda essa problemática fundamentado no seu Princípio Responsabilidade e na necessidade de uma ética da precaução para a civilização tecnológica. Para Jonas, o contexto fornecido pelo movimento transumano se assenta em um terreno perigoso ao promover também a modificação da natureza humana sem considerar os aspectos ontológicos fundamentais desse contexto. Nesse sentido, ambas posições oferecem material para análise acerca das alterações originadas desse cenário, com horizontes distintos e bem delimitados. Em resumo, a tese se centra na concepção de que a ética filosófica se encontra desafiada nesse momento inédito da humanidade e, por tamanha dimensão desse empreendimento, esse talvez seja o maior problema filosófico desse século.

2
  • JOSE NEWTON DE SOUZA
  • FUNDAMENTO ÉTICO-DISCURSIVO DO DIREITO EM KARL-OTTO APEL A PARTIR DE CONCEITOS ÉTICO-JURÍDICOS DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL

  • Orientador : ALFREDO DE OLIVEIRA MORAES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALFREDO DE OLIVEIRA MORAES
  • JUNOT CORNELIO MATOS
  • MARCOS ROBERTO NUNES COSTA
  • DANILO VAZ-CURADO RIBEIRO DE MENEZES COSTA
  • PEDRO GERALDO APARECIDO NOVELLI
  • Data: 30/09/2022

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  • Atualmente, os indivíduos da sociedade humana vivem sérios e escalados conflitos
    de complexidade planetária, que exigem soluções não pensadas a partir de ações
    violentas (típicas de agrupamentos humanos rotulados de primitivos), se querem
    ser considerados tipos humanos civilizados, integrantes de uma sociedade global
    civilizada. Sendo assim, é preciso, urgentemente, aceitar que as soluções para
    conflitos dessa natureza são sempre construídas através de consenso atingido
    com o emprego de atitudes éticas baseadas no discurso, com observância do
    princípio universal da reciprocidade dialógica, estabelecido pela Ética do Discurso
    em Apel; que prevê que todos os conflitos humanos podem e devem ser resolvidos
    com a participação direta das partes interessadas, com igualdade de fala e livre de
    qualquer tipo de ameaça ou violência. Destarte, a Ética do Discurso entende que
    somente através de uma ação ética baseada no discurso é possível chegar a tal
    intento. Nesse contexto, os discursos práticos, para serem julgados como
    racionais, devem seguir os preceitos da teoria ético-discursiva, com destaque para
    o discurso jurídico, considerado domínio privilegiado na busca de resoluções
    pacíficas para os problemas existentes no âmbito da Eticidade. A presente tese,
    portanto, tem como escopo o fundamento do Discurso Prático Jurídico ou Direito
    Positivo, a partir do princípio universal da reciprocidade dialógica, por considerar
    que a sociedade humana não pode evoluir para a autodestruição devido à
    capacidade severa de aniquilação da humanidade. Para tanto, para atingir o fim
    buscado na pesquisa, ou seja, o fundamento verdadeiro, suprassumido, do Direito
    Positivo, isento do universalismo abstrato da Filosofia da Consciência e do vazio
    ético do Formalismo Jurídico, sem conteúdo mediatizado, foi traçado o caminho
    filosófico a partir dos conceitos fundamentais do sistema filosófico de Hegel,
    sobretudo os contidos na sua Filosofia do Direito, até apontar na arquitetônica da
    Ética do Discurso em Karl-Otto Apel.


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  • Atualmente, os indivíduos da sociedade humana vivem sérios e escalados conflitos
    de complexidade planetária, que exigem soluções não pensadas a partir de ações
    violentas (típicas de agrupamentos humanos rotulados de primitivos), se querem
    ser considerados tipos humanos civilizados, integrantes de uma sociedade global
    civilizada. Sendo assim, é preciso, urgentemente, aceitar que as soluções para
    conflitos dessa natureza são sempre construídas através de consenso atingido
    com o emprego de atitudes éticas baseadas no discurso, com observância do
    princípio universal da reciprocidade dialógica, estabelecido pela Ética do Discurso
    em Apel; que prevê que todos os conflitos humanos podem e devem ser resolvidos
    com a participação direta das partes interessadas, com igualdade de fala e livre de
    qualquer tipo de ameaça ou violência. Destarte, a Ética do Discurso entende que
    somente através de uma ação ética baseada no discurso é possível chegar a tal
    intento. Nesse contexto, os discursos práticos, para serem julgados como
    racionais, devem seguir os preceitos da teoria ético-discursiva, com destaque para
    o discurso jurídico, considerado domínio privilegiado na busca de resoluções
    pacíficas para os problemas existentes no âmbito da Eticidade. A presente tese,
    portanto, tem como escopo o fundamento do Discurso Prático Jurídico ou Direito
    Positivo, a partir do princípio universal da reciprocidade dialógica, por considerar
    que a sociedade humana não pode evoluir para a autodestruição devido à
    capacidade severa de aniquilação da humanidade. Para tanto, para atingir o fim
    buscado na pesquisa, ou seja, o fundamento verdadeiro, suprassumido, do Direito
    Positivo, isento do universalismo abstrato da Filosofia da Consciência e do vazio
    ético do Formalismo Jurídico, sem conteúdo mediatizado, foi traçado o caminho
    filosófico a partir dos conceitos fundamentais do sistema filosófico de Hegel,
    sobretudo os contidos na sua Filosofia do Direito, até apontar na arquitetônica da
    Ética do Discurso em Karl-Otto Apel.

2021
Dissertações
1
  • ISABELA GONÇALVES DOURADO
  • ROMPENDO CICLOS DE VINGANÇA: uma crítica à noção nietzschiana de ressentimento a partir de uma visão pluralista da raiva

  • Orientador : MARCOS FANTON
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CRISTINA AMARO VIANA
  • LAURA LUZ SOUSA OLIVEIRA E SILVA
  • MARCOS FANTON
  • Data: 25/08/2021

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  • A presente dissertação visa investigar a raiva a partir de duas perspectivas, a saber, a ortodoxa e a pluralista, com o intuito de oferecer uma avaliação sobre qual delas seria mais adequada para descrever o papel desta emoção no contexto de relações de opressão. No primeiro capítulo apresentamos e discutimos a concepção nietzschiana da raiva. Nietzsche (1887) caracteriza essa emoção a partir daquilo que compreende por ressentimento. Para o filósofo, homens constituídos por uma fraqueza substancial sentem-se inferiores diante de sua impotência em comparação à força de outros homens e dessa relação decorreria um páthos ressentido responsável por gerar sentimentos destrutivos. No início do capítulo subsequente, mostramos que a interpretação nietzschiana estaria alinhada à visão ortodoxa. Pensadores como Sêneca e Aristóteles deram início a essa visão ao atribuírem à raiva um desejo ávido por vingança. Contemporaneamente, Pettigrove (2012) e Nussbaum (2016) também alegam a contraproducência da raiva frente às injustiças. A partir das discussões promovidas ao final do segundo e ao longo do terceiro e último capítulo, consideramos que tais visões tradicionais da raiva são pejorativas na medida em que a caracterizam como exclusivamente vingativa, violenta e não racional. Dentre as consequências negativas da disseminação desses preconceitos estaria o reforço de estereótipos em pessoas socialmente oprimidas. Se uma mulher responde com raiva uma situação que a oprime, ela é tida como histérica; quando algo semelhante ocorre com um homem negro, ele é taxado de incivilizado. O uso desses estereótipos para deslegitimar a raiva resulta na proibição da expressão dessa emoção como uma ação política, sendo esta uma das únicas formas de defesa dos oprimidos. Contra essa perspectiva, a visão pluralista da raiva, como nos mostra Silva (2021a), ressalta a possibilidade de uma raiva reparadora e razoável cujo objetivo seria o reconhecimento de danos causados injustamente. Lorde (1981) argumenta a favor da produtividade epistêmica da raiva, influenciando as leituras de Mayo (2020) e Srinivasan (2018). Ao evidenciar o caráter sinalizador, pedagógico e instrumental da raiva, essas autoras reforçam que, em casos de opressão e injustiça, a expressão da raiva consistiria em um ato de esclarecimento e empoderamento diante de distorções sociais que promovem o enfraquecimento de princípios democráticos e a manutenção da opressão estrutural. Nossa posição é a favor da visão pluralista, visto que através dela é possível compreender a raiva enquanto uma energia criativa capaz de promover mudanças contra opressões estruturais, sendo, portanto, uma resposta adequada ao racismo e à misoginia.


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  • A presente dissertação visa investigar a raiva a partir de duas perspectivas, a saber, a ortodoxa e a pluralista, com o intuito de oferecer uma avaliação sobre qual delas seria mais adequada para descrever o papel desta emoção no contexto de relações de opressão. No primeiro capítulo apresentamos e discutimos a concepção nietzschiana da raiva. Nietzsche (1887) caracteriza essa emoção a partir daquilo que compreende por ressentimento. Para o filósofo, homens constituídos por uma fraqueza substancial sentem-se inferiores diante de sua impotência em comparação à força de outros homens e dessa relação decorreria um páthos ressentido responsável por gerar sentimentos destrutivos. No início do capítulo subsequente, mostramos que a interpretação nietzschiana estaria alinhada à visão ortodoxa. Pensadores como Sêneca e Aristóteles deram início a essa visão ao atribuírem à raiva um desejo ávido por vingança. Contemporaneamente, Pettigrove (2012) e Nussbaum (2016) também alegam a contraproducência da raiva frente às injustiças. A partir das discussões promovidas ao final do segundo e ao longo do terceiro e último capítulo, consideramos que tais visões tradicionais da raiva são pejorativas na medida em que a caracterizam como exclusivamente vingativa, violenta e não racional. Dentre as consequências negativas da disseminação desses preconceitos estaria o reforço de estereótipos em pessoas socialmente oprimidas. Se uma mulher responde com raiva uma situação que a oprime, ela é tida como histérica; quando algo semelhante ocorre com um homem negro, ele é taxado de incivilizado. O uso desses estereótipos para deslegitimar a raiva resulta na proibição da expressão dessa emoção como uma ação política, sendo esta uma das únicas formas de defesa dos oprimidos. Contra essa perspectiva, a visão pluralista da raiva, como nos mostra Silva (2021a), ressalta a possibilidade de uma raiva reparadora e razoável cujo objetivo seria o reconhecimento de danos causados injustamente. Lorde (1981) argumenta a favor da produtividade epistêmica da raiva, influenciando as leituras de Mayo (2020) e Srinivasan (2018). Ao evidenciar o caráter sinalizador, pedagógico e instrumental da raiva, essas autoras reforçam que, em casos de opressão e injustiça, a expressão da raiva consistiria em um ato de esclarecimento e empoderamento diante de distorções sociais que promovem o enfraquecimento de princípios democráticos e a manutenção da opressão estrutural. Nossa posição é a favor da visão pluralista, visto que através dela é possível compreender a raiva enquanto uma energia criativa capaz de promover mudanças contra opressões estruturais, sendo, portanto, uma resposta adequada ao racismo e à misoginia.

2
  • MARIANNE CONCEICAO DE SOUZA GIRARD
  • EM QUE MEDIDA O ESQUECIMENTO HISTÓRICO É ESQUECIMENTO METAFÍSICO?

    Sobre o sentido e a importância das noções de esquecimento em Nietzsche e Heidegger para os estudos sobre o humano, a filosofia da história e a história da filosofia

  • Orientador : THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FERNANDO RIBEIRO DE MORAES BARROS
  • JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • THIAGO ANDRE MOURA DE AQUINO
  • Data: 30/08/2021

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  • O presente trabalho examina as perspectivas acerca do esquecimento através de dois dos mais influentes filósofos alemães, a saber, Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger. O objetivo geral do trabalho foi elucidar em que medida o esquecimento metafísico é esquecimento histórico. À luz disto, temos um primeiro capítulo voltado para as ideias do esquecimento que se relacionam tematicamente com o ente humano. Num primeiro momento, analisamos como Nietzsche trata o esquecimento tendo como enfoque duas obras: Sobre verdade e mentira em sentido extramoral e Genealogia da moral. Essa escolha se revela profícua para pensar possíveis influências nietzschianas sobre a noção de esquecimento no projeto ontológico existencial heideggeriano desenvolvido de maneira mais exemplar em Ser e tempo, que analisamos no segundo momento da primeira parte da dissertação. Na segunda parte do trabalho, tratamos do esquecimento histórico em relação com o esquecimento metafísico. No subcapítulo acerca do esquecimento histórico, temos como base o escrito nietzschiano intitulado Segunda consideração extemporânea - sobre a utilidade e os inconvenientes da História para a vida e a remissão heideggeriana a esse texto presente em Ser e Tempo e na Interpretação da Segunda Consideração Extemporânea. Procuramos mostrar tanto a inspiração heideggeriana em Nietzsche quanto as suas porvindouras críticas. No subcapítulo posterior, objetivou-se mostrar em que medida o esquecimento metafísico investigado por Heidegger poderia ser o esquecimento histórico nietzschiano. Após percorrer este caminho, esperamos ter tornado claro a importância de ambos os pensadores para pensar qual é o sentido do curioso fenômeno do esquecimento.


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  • O presente trabalho examina as perspectivas acerca do esquecimento através de dois dos mais
    influentes filósofos alemães, a saber, Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger. O objetivo
    geral do trabalho foi elucidar em que medida o esquecimento metafísico é esquecimento
    histórico. À luz disto, temos um primeiro capítulo voltado para as ideias do esquecimento que
    se voltam tematicamente para o ente humano. Num primeiro momento, analisamos como
    Nietzsche trata o esquecimento tendo como enfoque duas obras: Sobre verdade e mentira em
    sentido extramoral e Genealogia da moral. Essa escolha se revela profícua para pensar
    influências nietzschianas sobre a noção de esquecimento no projeto ontológico existencial
    heideggeriano expresso de maneira mais exemplar em Ser e tempo, que analisamos no
    segundo momento da primeira parte da dissertação. Na segunda parte, tratamos
    exclusivamente do esquecimento metafísico em relação com o esquecimento histórico, tendo
    como base os escritos nietzschianos sobre história, em especial a Segunda consideração
    intempestiva - sobre a utilidade e os inconvenientes da História para a vida. Tentamos, então,
    afigurar essa influência nietzschiana nos escritos heideggerianos de sua primeira fase;
    entretanto, levamos em conta os textos de transição, que são fundamentais para entender a
    recepção de Nietzsche pelo fenomenólogo alemão. Por fim, pretendeu-se mostrar uma
    aproximação possível entre o esquecimento metafísico (ou esquecimento da diferença
    ontológica entre ser e ente) e o esquecimento histórico nietzschiano.

3
  • NATALIA CRUZ SULMAN
  • República I: os elementos literários do diálogo platônico.

  • Orientador : RICHARD ROMEIRO OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUIZ PAULO ROUANET
  • MARIA APARECIDA DE PAIVA MONTENEGRO
  • RICHARD ROMEIRO OLIVEIRA
  • Data: 20/12/2021

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  • o objetivo deste estudo é mostrar que além de filósofo Platão é artista, de modo que os seus diálogos, especialmente o Livro I da República, são bem analisados apenas quando o conteúdo é pensado conjuntamente à forma. Do que é possível extrair pelo menos cinco teses: 1) não há ruptura absoluta entre mythos e logos; 2) Platão relê as epopeias, comédias e tragédias de sua época; 3) como bom artista, significa todas as palavras da obra de modo que está atento à nomeação das personagens, ao cenário do diálogo e aos elementos dramáticos; 4) as diversas vozes são mimetizadas a fim de mostrar as ideias no interior das circunstâncias, em vez de deslocadas da realidade experimentada e psique humana, no entanto, sob uma hierarquia de vozes, de modo a não cair em relativismo; 5) Sócrates é um herói ridículo – cômico – para a multidão e excelso – trágico – para os amantes da sabedoria, de forma que Platão antecipa a tragi-comédia de Shakespeare.


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  • o objetivo deste estudo é mostrar que além de filósofo Platão é artista, de modo que os seus diálogos, especialmente o Livro I da República, são bem analisados apenas quando o conteúdo é pensado conjuntamente à forma. Do que é possível extrair pelo menos cinco teses: 1) não há ruptura absoluta entre mythos e logos; 2) Platão relê as epopeias, comédias e tragédias de sua época; 3) como bom artista, significa todas as palavras da obra de modo que está atento à nomeação das personagens, ao cenário do diálogo e aos elementos dramáticos; 4) as diversas vozes são mimetizadas a fim de mostrar as ideias no interior das circunstâncias, em vez de deslocadas da realidade experimentada e psique humana, no entanto, sob uma hierarquia de vozes, de modo a não cair em relativismo; 5) Sócrates é um herói ridículo – cômico – para a multidão e excelso – trágico – para os amantes da sabedoria, de forma que Platão antecipa a tragi-comédia de Shakespeare.

Teses
1
  • FELIPE GUSTAVO SOARES DA SILVA
  • ERŌS E PSYCHĒ NOS DISCURSOS DO BANQUETE DE PLATÃO.

  • Orientador : JESUS VAZQUEZ TORRES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANASTACIO BORGES DE ARAUJO JUNIOR
  • JOAO EVANGELISTA TUDE DE MELO NETO
  • KARL HEINZ EFKEN
  • MARCOS ROBERTO NUNES COSTA
  • RICHARD ROMEIRO OLIVEIRA
  • Data: 28/07/2021

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  • Este trabalho trata de analisar a relação entre Erōs e psychē no diálogo Banquete, de Platão. Considerando a importância e centralidade tanto de Erōs quanto de psychē na Filosofia de Platão, chama-nos a atenção que no Banquete essa relação não seja tão evidente nem tão pouco haja uma atenção para tal questão por parte dos principais estudiosos seja do Banquete seja da psicologia de Platão. É, portanto, a partir dessa problematização, que o trabalho se divide em duas partes: a primeira, que pressupõe que a exegese do pano de fundo histórico e social da época do diálogo é um procedimento útil à compreensão do seu significado filosófico, e, portanto, verifica de que maneira Erōs e psychē foram descobertos e paulatinamente compreendidos na tradição literária anterior a Platão; e uma segunda parte que faz uma análise imanente do problema de Erōs no Banquete buscando evidenciar de que maneira este diálogo pode nos oferecer uma visão um tanto mais completa do significado de Erōs e das relações que ele estabelece com psychē. Para analisar então essa questão, partimos de uma breve consideração sobre as aparições e recorrências dos termos Erōs e psychē desde a poesia mélica, épica e na tragédia, depois analisamos os movimentos religiosos dos ritos dionisíacos, orfismo e pitagorismo. Depois disso, partimos para a verificação da relação nos diálogos platônicos, onde a relação Erōs e psychē é evidente e mais próxima, dialogando assim com a temática do Banquete. A partir dessa contextualização, o trabalho inicia a leitura comentada específica das cenas do Banquete em cada um dos discursos que o compõe, buscando observar como as personagens se referem a Erōs e em quais sentidos se referem a psychē. De maneira especial, dedicamos uma análise do discurso de Sócrates, ponto alto do diálogo e de maior conteúdo filosófico, onde a análise proposta, tanto de Erōs quanto de psychē é realizada a partir do aprendizado do filósofo com a sacerdotisa Diotima, que ensina a Sócrates a natureza e os efeitos de Erōs que, conforme será defendido nesse trabalho, ligam intrinsecamente Erōs à psychē e fazem, ainda que de maneira discreta, do Banquete um diálogo essencial para o entendimento não só da natureza de Erōs o lugar que ele ocupa tal, como uma dýnamis, em relação a psychē.


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  • Este trabalho trata de analisar a relação entre Erōs e psychē no diálogo Banquete, de Platão. Considerando a importância e centralidade tanto de Erōs quanto de psychē na Filosofia de Platão, chama-nos a atenção que no Banquete essa relação não seja tão evidente nem tão pouco haja uma atenção para tal questão por parte dos principais estudiosos seja do Banquete seja da psicologia de Platão. É, portanto, a partir dessa problematização, que o trabalho se divide em duas partes: a primeira, que pressupõe que a exegese do pano de fundo histórico e social da época do diálogo é um procedimento útil à compreensão do seu significado filosófico, e, portanto, verifica de que maneira Erōs e psychē foram descobertos e paulatinamente compreendidos na tradição literária anterior a Platão; e uma segunda parte que faz uma análise imanente do problema de Erōs no Banquete buscando evidenciar de que maneira este diálogo pode nos oferecer uma visão um tanto mais completa do significado de Erōs e das relações que ele estabelece com psychē. Para analisar então essa questão, partimos de uma breve consideração sobre as aparições e recorrências dos termos Erōs e psychē desde a poesia mélica, épica e na tragédia, depois analisamos os movimentos religiosos dos ritos dionisíacos, orfismo e pitagorismo. Depois disso, partimos para a verificação da relação nos diálogos platônicos, onde a relação Erōs e psychē é evidente e mais próxima, dialogando assim com a temática do Banquete. A partir dessa contextualização, o trabalho inicia a leitura comentada específica das cenas do Banquete em cada um dos discursos que o compõe, buscando observar como as personagens se referem a Erōs e em quais sentidos se referem a psychē. De maneira especial, dedicamos uma análise do discurso de Sócrates, ponto alto do diálogo e de maior conteúdo filosófico, onde a análise proposta, tanto de Erōs quanto de psychē é realizada a partir do aprendizado do filósofo com a sacerdotisa Diotima, que ensina a Sócrates a natureza e os efeitos de Erōs que, conforme será defendido nesse trabalho, ligam intrinsecamente Erōs à psychē e fazem, ainda que de maneira discreta, do Banquete um diálogo essencial para o entendimento não só da natureza de Erōs o lugar que ele ocupa tal, como uma dýnamis, em relação a psychē.

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  • LUCAS CAMAROTTI DE BARROS
  • O lado oculto do idealismo absoluto

  • Orientador : ALFREDO DE OLIVEIRA MORAES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALFREDO DE OLIVEIRA MORAES
  • JOSÉ LUIZ BORGES HORTA
  • JUNOT CORNELIO MATOS
  • RICARDO PEREIRA TASSINARI
  • SUZANO DE AQUINO GUIMARAES
  • Data: 19/08/2021

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese busca incidir no campo da interpretação geral da filosofia de G. W. F. Hegel, desenvolvendo uma linha presentemente minoritária nos estudos hegelianos: a abordagem de Hegel como m pensador Místico, esotérico, alinhado a tradição mística ocidental. A base do nosso entendimento de Hegel como Místico será a sinonímia declarada pelo filósofo entre o especulativo (das Spekulative) – o cerne racional (vernünftig) do idealismo absoluto – e o que na antiguidade se chamava de Místico (das Mystische), enquanto conteúdo da consciência religiosa. A partir dai, faremos dois movimentos complementares. 1) Seguiremos o apontamento de Hegel e investigaremos o que era chamado de Místico na antiguidade, para ganhar com isso uma perspectiva externa sobre o que ele chamou de especulativo. Veremos então que o Místico era originalmente o segredo ritual dos cultos de Mistério, aquilo que só se conhecia via iniciação, e argumentaremos em seguida que o segredo envolvia centralmente o que hoje se costuma chamar de “estados alterados de consciência” ou “experiencia extática”. Com essa chave em mãos, voltaremos a Hegel para fazer o principal desenvolvimento desse primeiro movimento, afunilando a abordagem genérica de Hegel enquanto Místico: compreender o conteúdo especulativo, o pensamento espiritual, a Razão mesma no sentido hegeliano do termo, como um êxtase intelectual. 2) O segundo movimento tratará não da experiencia mística/especulativa, mas de sua interpretação e prática. Se essa experiencia e “atemporal”, sua interpretação (pela tradição), de outro modo, contém um desenvolvimento interno, e esse desenvolvimento, não menos histórico do que teológico, e igualmente fundamental para o sentido tradicional da experiencia, para o sentido do Místico. Na antiguidade, destacaremos três momentos: os cultos de Mistério, a filosofia e o cristianismo. E então, no interior do cristianismo, discerniremos o que chamaremos de “tradição cristã heterodoxa”, o desdobramento da tradição mística que formou a civilização moderna – e se consumou filosoficamente em Hegel.


  • Mostrar Abstract
  • A presente tese busca incidir no campo da interpretação geral da filosofia de G. W. F. Hegel, desenvolvendo uma linha presentemente minoritária nos estudos hegelianos: a abordagem de Hegel como m pensador Místico, esotérico, alinhado a tradição mística ocidental. A base do nosso entendimento de Hegel como Místico será a sinonímia declarada pelo filósofo entre o especulativo (das Spekulative) – o cerne racional (vernünftig) do idealismo absoluto – e o que na antiguidade se chamava de Místico (das Mystische), enquanto conteúdo da consciência religiosa. A partir dai, faremos dois movimentos complementares. 1) Seguiremos o apontamento de Hegel e investigaremos o que era chamado de Místico na antiguidade, para ganhar com isso uma perspectiva externa sobre o que ele chamou de especulativo. Veremos então que o Místico era originalmente o segredo ritual dos cultos de Mistério, aquilo que só se conhecia via iniciação, e argumentaremos em seguida que o segredo envolvia centralmente o que hoje se costuma chamar de “estados alterados de consciência” ou “experiencia extática”. Com essa chave em mãos, voltaremos a Hegel para fazer o principal desenvolvimento desse primeiro movimento, afunilando a abordagem genérica de Hegel enquanto Místico: compreender o conteúdo especulativo, o pensamento espiritual, a Razão mesma no sentido hegeliano do termo, como um êxtase intelectual. 2) O segundo movimento tratará não da experiencia mística/especulativa, mas de sua interpretação e prática. Se essa experiencia e “atemporal”, sua interpretação (pela tradição), de outro modo, contém um desenvolvimento interno, e esse desenvolvimento, não menos histórico do que teológico, e igualmente fundamental para o sentido tradicional da experiencia, para o sentido do Místico. Na antiguidade, destacaremos três momentos: os cultos de Mistério, a filosofia e o cristianismo. E então, no interior do cristianismo, discerniremos o que chamaremos de “tradição cristã heterodoxa”, o desdobramento da tradição mística que formou a civilização moderna – e se consumou filosoficamente em Hegel.

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