Crítica ao sujeito da razão eurocêntrica desde um referencial descolonial.
Subjetividade. Razão. Colonialidade. Raça. Gênero.
A pesquisa, em questão, busca construir um horizonte crítico ao paradigma da subjetividade e da razão moderna/colonial partindo de referenciais teórico-metodológicos epistemologicamente gestados na América Latina. A escolha pelo título Crítica ao Sujeito da Razão Eurocêntrica desde um Referencial Descolonial sintetiza de forma sucinta o foco central da pesquisa. Podemos delimitar como principal questão de investigação (e que orienta a nossa jornada) a pergunta “quem é o sujeito da modernidade?” seguida dos questionamentos: “que tipo de identidade esse sujeito afirma como modelo estruturante de seu mundo subjetivo/intersubjetivo?” e “quais as implicações da instauração global dessa identidade enquanto projeto unitário de humanidade?”. A crítica aqui empenhada parte do reconhecimento de que a racionalidade eurocêntrica não é universal, e sim produzida histórica e geograficamente em contextos de dominação colonial que permanecem sendo atualizados globalmente na contemporaneidade. Sustentamos a hipótese de que racionalidade e subjetividade são constituídas em paralelo, caracterizando o paradigma em questão como ontoepistemológico. Portanto, já não há mais separação entre ser e saber. O sujeito é porque ele sabe acerca de si. Questionamos a pretensa neutralidade dessa tese enquanto ideologia mistificadora de “razão” e “subjetividade” identificando, consequentemente, “razão” e “subjetividade” como problemas centrais a serem desenvolvidos ao longo da
dissertação. Portanto, a pesquisa sustenta sua estrutura norteadora baseada na crítica acerca do sujeito da razão eurocêntrica desde os discursos filosóficos de Descartes, Kant e Hegel, construindo um horizonte investigativo alicerçado nos entrecruzamentos dialógicos entre filosofia da libertação, teoria decolonial, bem
como pensamento negro e indigena brasileiro. O referencial teórico em questão é marcado pela crítica à colonialidade, adotando como base autores da América Latina e pensando a filosofia desde um lugar de enunciação marcado pela racialização não-branca. A escolha portanto é a de realizar um trabalho que não apenas reflete criticamente sobre o legado eurocêntrico, mas que percebe o próprio modo como se constrói metodologicamente a pesquisa filosófica enquanto indissociável do que está sendo desenvolvido teoricamente e vice-versa.