CULTURA POPULAR E INTERSECCIONALIDADE: PRÁTICAS, SABERES E RESISTÊNCIAS NO COCO DAS MINAS EM IGARASSU
cultura popular; resistência; coco; interseccionalidade; Coco das Minas
Situada na intersecção entre os estudos culturais e os estudos de gênero, a partir de um recorte
sociológico, esta pesquisa tem como objetivo identificar quais são as práticas e os saberes das
fazedoras do Coco das Minas, em Igarassu/PE, que configuram expressões identitárias de
resistência à dominação cultural, considerando a articulação entre agência e estrutura, bem
como as dimensões de gênero, raça e classe social. Historicamente, o cânone não nos conta as
perspectivas oriundas das classes subalternizadas presentes nas culturas populares; estas são
marginalizadas e invisibilizadas. Esta pesquisa, além de contextualizar os desafios
enfrentados pelas mulheres em uma sociedade patriarcal, a partir da interseccionalidade,
compreendida neste trabalho como a indissociabilidade histórica e sistêmica do capitalismo,
do patriarcado e do racismo, buscou contar suas memórias, suas práticas de resistência e suas
contribuições para a transformação da manifestação. A metodologia foi uma etnografia com
base na hermenêutica de profundidade, considerando uma teoria crítica interseccional na
interpretação do simbólico-estrutural; como instrumentos metodológicos, foram utilizadas
observação direta e participante, entrevistas semiestruturadas e relato de experiência. Os
resultados revelam que o Coco das Minas sofre com as estruturas de raça, classe e gênero.
Ainda com a questão de gênero no âmbito da própria manifestação cultural. Todavia, o grupo
constrói resistências/agências coletivas de transformação por meio da memória, articulando
identidades de tradição e transgressão, organização de eventos e produção artística, como
canções e videoclipes, em práticas feministas, na busca por visibilidade e reconhecimento
social, que tensionam e subvertem as estruturas de dominação. Trata-se, sobretudo, de uma
resistência construída no cotidiano e que se utiliza da interseccionalidade como uma práxis.
Finalmente, esta dissertação contribui para a compreensão da cultura popular como capaz de
construir identidades de resistência, destacando o protagonismo das mulheres e a relevância
de políticas culturais que assegurem a continuidade dessas manifestações, promovendo
caminhos de transformação social e autoemancipação.