O "imperialismo da branquitude" e a construção social do branco nas obras de Florestan Fernandes (1950-1980)
Florestan Fernandes. Branquitude. Branco. Relações Raciais.
Esta dissertação analisa a partir dos estudos da branquitude e do pensamento social brasileiro a construção social do branco na obra de Florestan Fernandes, destacando como o sujeito branco é apreendido como objeto sociológico e categoria crítica das relações raciais no Brasil. Partindo da noção de “não-objeto”, discutem-se a histórica invisibilidade do branco nos estudos raciais e a forma como Florestan Fernandes aborda a questão do sujeito branco na compreensão da branquitude como estrutura em três obras centrais: Brancos e Negros em São Paulo (2008), O negro no mundo dos brancos (2007) e A integração do negro na sociedade de classes (2021) além do projeto O Preconceito Racial em São Paulo (2008). Nessas obras, busco articular como o autor operacionaliza a categoria do sujeito branco, para compreender o dilema racial brasileiro entre as décadas de 1950 e 1980. A análise demonstra que, embora o branco seja posicionado como regulador das desigualdades sociais e mantenedor da ordem competitiva, essa posição não se sustenta de modo absoluto: na retaguarda dessa estrutura ideológica, a ação dos movimentos sociais negros continuamente tensiona e desafia a hegemonia da branquitude. Metodologicamente, a pesquisa apoia-se nas premissas de Karl Mannheim e C. Wright Mills, articulando sociologia do conhecimento e imaginação sociológica para reposicionar o branco como objeto legítimo de investigação. Conclui-se que a obra de Fernandes permanece oportuna por situar criticamente, em uma dualidade relacional, o branco como categoria central para compreender as relações raciais, ainda que o negro seja seu objeto explícito de estudo. Por fim, argumenta-se que o pensamento e a fortuna crítica de Florestan Fernandes abrem espaço para novas leituras sobre a produção da desigualdade a partir dos seus atores e da estrutura que a fundamenta, destacando o branco como categoria crítica nos estudos da branquitude e no pensamento social brasileiro de maneira histórica e contemporânea.