A sombra da nação: Raça, Classe e Nação no Colonialismo Interno como chave analítica da dominação em Florestan Fernandes e Clóvis Moura
Colonialismo Interno. Florestan Fernandes. Clóvis Moura. Raça. Classe. Nação.
O objetivo geral é analisar como as contribuições de ambos os autores sobre a opressão de classe, raça e nação podem ser articuladas sob a lente do conceito de Colonialismo Interno, uma categoria popularizada na América Latina por sociólogos como Pablo González Casanova e Rodolfo Stavenhagen. Este conceito descreve a persistência de estruturas de dominação colonial dentro das fronteiras nacionais, reproduzindo a exploração entre grupos de uma mesma sociedade. A metodologia é de natureza qualitativa e bibliográfica, empregando o método histórico-comparativo (Charles Tilly) e a análise hermenêutica (Max Weber e Gadamer) para a leitura do corpus documental, que inclui obras como A Revolução Burguesa no Brasil (Fernandes) e Rebeliões da Senzala e Dialética Radical do Brasil Negro (Moura).
As hipóteses centrais articulam a dominacão de classe e a opressão racial: a) A tese de Fernandes sobre a "revolução burguesa inconclusa" pode ser interpretada como a descrição da institucionalização do Colonialismo Interno na estrutura de classes do Brasil pós-colonial, onde o "padrão de dominação" e a "autocracia burguesa" reproduzem as lógicas de poder e exclusão típicas do colonialismo; b) A "sociologia da práxis" de Clóvis Moura e a "agência negra" representam a primeira formulação de uma teoria anticolonial interna na sociologia brasileira, postulando que o racismo é uma "dimensão estrutural e fundante" e uma força autônoma de dominação, opondo-se à reprodução do Colonialismo Interno.