Globalização de commodities, a Empresa Suzano e a expansão do eucalipto em territórios camponeses: Disputas e resistências na Estrada do Arroz em Imperatriz – MA.
Campesinato; Imperatriz Maranhão; Território; Suzano Papel e Celulose; Estrada do Arroz.
A questão que orienta a tese é: Em que medida a cadeia global de produção de comodities, estruturada a partir do monocultivo de eucalipto, tem produzido transformações no cotidiano de famílias camponesas na chamada estrada do arroz, em Imperatriz – MA? A pesquisa tratou de analisar os processos de reconfiguração das relações sociais e territoriais provocadas pela inserção da empresa Suzano Papel e Celulose na região, analisando processos locais de uso da terra e reprodução camponesa às dinâmicas globais de expansão do capital. A investigação situa-se no esforço de compreender esse campo como espaço político e simbólico em permanente disputa, no qual o Estado, o capital e os grupos camponeses e tradicionais produzem estratégias de ação e resistência. O trabalho adotou metodologia qualitativa, com base em observações direta, realização de entrevistas semiestruturadas e registros etnográficos realizados em três incursões de campo entre os anos de 2023 e 2025. Como campo empírico foram investigadas comunidades situadas ao longo da Estrada do Arroz, como Esperantina I e II, Nova Bacaba, São José da Matança, Olho D’água dos Martins, Coquelândia e Petrolina, articulando dados empíricos a documentos oficiais, relatórios publicados pela empresa Suzano e bibliografia relacionadas aos estudos do mundo rural nas Ciências Sociais. A tese, com isso, sustenta que o avanço do monocultivo e das políticas de “parceria” empresarial tem promovido a homogeneização da paisagem e a disciplinarização das práticas tradicionais, configurando uma “governança corporativa do território” sustentada pela retórica do desenvolvimento sustentável. Em movimento contrário, emergem movimentos que afirmam a autonomia política e o direito à terra, evidenciando formas diversificadas de resistência camponesa. Esses movimentos demonstram que, diante da globalização agroindustrial, os territórios camponeses permanecem espaços de luta, nos quais se atualizam as fronteiras do político e do simbólico.