MATAR E MORRER EM MACEIÓ: UM ESTUDO SOCIOLÓGICO SOBRE AS CONFIGURAÇÕES DA VIOLÊNCIA LETAL NA CAPITAL ALAGOANA
Maceió. Homicídios. Análise Qualitativa Comparativa. Diferença em Diferenças. Método de Controle Sintético.
Maceió, a capital do estado de Alagoas, sempre foi referenciada por suas praias de areia branca e águas cristalinas, emolduradas por coqueirais que dançam ao sabor dos ventos alísios. É esse cenário que atrai visitantes de todas as partes do país e do mundo em busca de belezas naturais e experiências culturais. Mas nem só de céu, sal e sol são feitas as referências da cidade. Há um outro elemento agregado à sua imagem, menos falado, mas consideravelmente mais sombrio: a violência urbana. Nos anos 2000 e 2010, Maceió figurou entre as cidades mais violentas do Brasil, com taxas de homicídio na faixa dos 100 por 100 mil habitantes. O ano de 2008 demarcou o ápice de uma escalada de violência que teve início no final dos anos 1990. Também foi a partir de 2008 que a taxa local de homicídio começou a cair, empreendendo uma trajetória de queda que se estendeu até 2021, inclusive, alcançando valores mais baixos do que aqueles observados no início da série. São poucos os esforços vertidos na explicação da dinâmica da violência homicida em Maceió ao longo do tempo. São ainda mais escassos os esforços vertidos na explicação dos contextos específicos dessa violência na cidade. Esta tese visa preencher essa lacuna propondo uma análise detalhada das configurações de homicídio da capital alagoana. Empregamos uma abordagem multimétodo, que integra Análise Qualitativa Comparativa (QCA), regressões com efeito fixo, análise de diferenças em diferenças (DiD) e método de controle sintético (SCM) para investigar diferenças intra e interespecíficas nos perfis de vítimas e agressores, e nos contextos das agressões; bem como para demonstrar empiricamente os efeitos de fatores socioeconômicos e intervenções teoricamente referenciadas sobre as taxas locais de homicídio. Para cumprir com esse propósito, mobilizamos um conjunto amplo de dados, tanto primários (obtidos de bases bibliométricas em ampla revisão de literatura) quanto secundários (de uma amostra cedida pelo Tribunal de Justiça do estado de Alagoas ou minerados dos diretórios oficiais, como o Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e dos Censos Demográficos de 2000 e 2010, sistematizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os limites e as possibilidades da tese também são discutidos.