A CONSTRUÇÃO DO MOMENTO POPULISTA E TEORIA DO DISCURSO POLÍTICO: DISPUTA HEGEMÔNICA NO CHILE, "ESTALLIDO SOCIAL" E UMA NOVA ELITE?
Momento populista; estallido social; nova direita; Chile.
Este trabalho se propõe a analisar as diferentes variantes do populismo vivenciadas no Chile durante os últimos cinco anos. Procura-se verificar como a sociedade chilena aproximou-se do que poderia ser um "momento populista" entre o período que teve início nas manifestações ocorridas no país em 2019 e que culminou com o segundo plebiscito para a adoção de uma nova proposta de Constituição, em dezembro de 2023. Partimos do pressuposto que que aí se originou a construção de uma cadeia de equivalências entre demandas da sociedade contra um inimigo em comum: o modelo neoliberal. Esse primeiro momento incluiu um avanço do campo da esquerda que conseguiu eleger a maioria dos representantes para realizar a Convenção da proposta de carta magna – que acabou sendo rejeitado pela cidadania em uma primeira votação realizada em 2022. A partir desse momento, em uma virada notável, surgem novos atores de extrema direita que se ancoram em um nacionalismo radical e afirmam abertamente uma fronteira entre parte da sociedade e os “verdadeiros chilenos”. A construção desse discurso tem como alvo o atual governo do Chile, como pertencente a uma elite intelectual, afastada da realidade e dos problemas do "povo", demarcando uma nova disputa hegemônica na relação povo-elite. Esse grupo redige uma segunda proposta para o texto de uma nova Constituição, que acabou também rechaçada em 2023. Metodologicamente, utiliza-se de pesquisa documental trabalhada a partir da análise de discurso. a abordagem teórica será baseada principalmente nas obras de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe e procura compreender, acaso asseverar a existência de, um nascente "momento populista” que experimentou o Chile e verificar se houve avanço de fato desta nova direita radical, re-hegemonizando o terreno político. Parte-se da hipótese de que existiu uma elasticidade nas diferentes formas que adquiriu o significante "povo", em termos de disputa de sentidos, pois tendo-se como base argumentos variados, torna-se mais fácil criar fronteiras divisoras entre uma elite e o povo legitimo. Desta maneira, difundem-se valores diversos e opostos em circunstâncias muito próximas e vivenciadas pelo mesmo sujeito coletivo, ou visando a redefiní-lo em outra direção.