ENTRE A SUSPENSÃO E A PERFORMANCE: o avanço da medicalização e os sentidos contemporâneos do uso de substâncias psicodélicas
Palavras-chave: Psicodélicos; Medicalização; Psiquiatria; Performance
O avanço da medicalização dos psicodélicos tem deslocado tais substâncias de uma esfera historicamente associada à cura e ao autoconhecimento para um modelo centrado na otimização do desempenho e na gestão da vida em circunstâncias de capitalismo tardio. Neste contexto, as fronteiras entre alívio do sofrimento psíquico e aprimoramento de capacidades performativas tornam-se difusas. As substâncias psicodélicas, antes vinculadas a práticas ancestrais de cuidado, passam a integrar circuitos biomédicos voltados à produtividade, ao bem-estar e à performance – ideais terapêuticos frequentemente percebidos de maneira indiferenciada. A tese analisa este processo a partir de uma abordagem sociológica, acompanhando suas implicações para a saúde, o adoecimento e as normatividades contemporâneas nos domínios individual e sistêmico. Mobilizando referenciais da sociologia da saúde, da medicalização e da biopolítica, discutimos como políticas de acesso, discursos biomédicos e experiências subjetivas interagem de modos complexos na ressignificação dos psicodélicos como ferramentas terapêuticas. Com base em autores como Nikolas Rose, Alain Ehrenberg e Michael Pollan, dentre outros, o trabalho pretende evidenciar, em usos atuais de substâncias psicodélicas, a crescente interpenetração entre o tratamento médico de transtornos mentais e os modos mais amplos de subjetivação característicos do capitalismo tardio.