SENTIDOS DO IMPACTO DE ENSINO A DISTÂNCIA MEDIADO PELA INTERNET E AS RELAÇÕES COM AUTOCONSCIÊNCIA, BEM-ESTAR E PERCEPÇÕES DE SAÚDE DOS DOCENTES DO ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE
Autoconsciência, Ensino à distância(EAD), Bem-estar, Saúde física e mental, Significados do EAD.
A presente tese examina de forma integrada os efeitos do ensino a distância mediado pela internet sobre docentes do ensino superior da Região Metropolitana do Recife, articulando referenciais da psicologia da autoconsciência, da saúde docente e das dinâmicas subjetivas do trabalho no ambiente digital, com o objetivo de compreender como diferentes formas de autofoco influenciam a construção de sentidos sobre o iEaD, o bem-estar e a saúde. A pesquisa empírica envolveu 101 professores de instituições privadas, combinando medidas quantitativas de saúde física e psicológica, de dimensões da autoconsciência e de percepções sobre a prática pedagógica online, além de entrevistas qualitativas sobre preocupações relacionadas ao iEaD. As análises identificaram que os componentes da autoconsciência se organizam em duas categorias principais: Imersão, vinculada a processos de contemplação interna, e Externalização, associada à atenção voltada para a percepção de si em relação aos outros. Os resultados mostraram que a Imersão se relaciona positivamente com indicadores de bem-estar físico e mental, enquanto a Externalização apresenta vínculos mais fortes com experiências de mal-estar e desgaste. Na análise qualitativa, os relatos docentes convergiram para dois núcleos temáticos: preocupações centradas no próprio indivíduo e preocupações centradas na atuação docente, os quais se alinharam às dimensões quantitativas, dado que preocupações consigo mesmos se associaram predominantemente à Imersão e ao bem-estar, enquanto preocupações com desempenho e expectativas institucionais se associaram à Externalização e ao mal-estar. Esses achados indicam que o iEaD não exerce efeitos homogêneos sobre a saúde docente, mas interage com estilos de autofoco que modulam a forma como desafios pedagógicos, cognitivos e emocionais são percebidos e vivenciados. A pesquisa contribui ao avançar a compreensão da autoconsciência como mecanismo psicológico relevante na mediação dos impactos do ensino digital e ao demonstrar que os efeitos do iEaD são condicionados por padrões cognitivos que podem amplificar tanto processos adaptativos quanto vulnerabilidades psicológicas. As implicações práticas incluem a necessidade de políticas institucionais que reconheçam a diversidade de estilos de autoconsciência, oferecendo suporte direcionado para reduzir o peso da Externalização e para fortalecer formas de Imersão que favoreçam o equilíbrio emocional, a saúde física e a sustentabilidade da prática docente.