PERCEPÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO, ESTRESSE E INTELIGÊNCIA EMOCIONAL: um estudo comparativo com estudantes universitários brasileiros
Discriminação; Estresse; Inteligência Emocional; Adaptação Universitária.
Nos últimos anos, têm sido registrados altos índices de depressão, ansiedade e estresse entre jovens universitários, esse cenário é ainda mais grave quando se trata de estudantes pardos, pretos e mulheres, que apresentam níveis de estresse maiores quando comparadas a outros grupos. O Estado Brasileiro vem desenvolvendo uma série de políticas que visam a redução e a reparação das desigualdades sociais, como a Política de Cotas, instituída pela Lei 12.711 de 2012. A Inteligência Emocional (IE), pode ser um fator de proteção e enfrentamento aos estudantes que vivenciam situações discriminatórias no ambiente acadêmico. Assim, objetiva-se investigar as relações entre percepção de discriminação, percepção de estresse e inteligência emocional em estudantes universitários cotistas e não-cotistas. Para tal, foi utilizada uma abordagem quantitativa. A amostra foi formada por 175 estudantes universitários. Os instrumentos utilizados foram Questionário Sociodemográfico, Escala de Discriminação Cotidiana - EDC, Escala de Estresse Percebido (Perceived Stress Scale – PSS), Inventário de Competências Emocionais Revisado ICE-R, Questionário de Adaptação ao Ensino Superior – QAES, Mood-Meter. Para analisar os objetivos foram utilizados o Test t de Student, Análise de Redes, Inspeção do gráfico do Mood-Meter. Os resultados demonstraram que estudantes cotistas se percebem mais como vítima de discriminação, em comparação com os não cotistas. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas dimensões de estresse, inteligência emocional e adaptação ao ensino superior. As análises de rede demonstraram diferença na rede de relações das variáveis entre cotistas, não cotistas e amostra geral. O momento de ida para a universidade também apresentou mais demanda emocionalmente para estudantes cotistas. Tais resultados indicam que, embora políticas de ações afirmativas ampliem o acesso, desafios relacionados à vivência institucional ainda persistem. Assim, se faz necessário, o desenvolvimento e o fortalecimento de políticas de assistência estudantil, visando a redução de práticas sociais discriminatórias no ambiente universitário.