Banca de DEFESA: HORTENCIA CRUZ DE ALBUQUERQUE

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: HORTENCIA CRUZ DE ALBUQUERQUE
DATA : 24/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: https://meet.google.com/inv-wtsy-neg
TÍTULO:

PROCESSOS CRIATIVOS E A SUA RELAÇÃO COM OS LIMITES: a semiose afetiva na cultura do endividamento


PALAVRAS-CHAVES:

Endividamento; Psicologia Cultural; Criatividade; Semiosfera; Agentividade; Processos Dialógicos.


PÁGINAS: 247
RESUMO:

O endividamento é um fenômeno produto de uma economia neoliberal e da financeirização da vida que tem sido crescente no Brasil desde a popularização do acesso ao crédito. A combinação de juros altos, baixa renda per capita, déficit de malha sígnica no campo de conhecimento sobre educação financeira no âmbito pessoal e uma linguagem do marketing do crédito cada vez mais presente no cotidiano das pessoas são alguns elementos-chave para a emergência de uma cultura do endividamento, que faz com que pessoas consumidoras diluam a dor do pagamento em parcelamentos a perder de vista. O objetivo deste trabalho foi investigar o processo criativo vivenciado por pessoas para (re)criar fronteiras no processo de endividamento. Compreendemos que o endividamento é precedido pelos anseios/necessidades de consumo e perspectivado sobre a relação entre o Eu-outro-mundo. De igual forma, este projeto está sob a égide de duas hipóteses: que o comportamento de endividamento possui uma relação subjacente a uma criatividade ficcionante que é capaz de rotacionar o sentido da dívida seja para fins produtivos ou destrutivos de uma vida financeira em determinado contexto sociocultural, isto é, da possível existência de um tipo de subjetividade endividante. A segunda indica que talvez, no endividamento crônico (aquele que a pessoa nunca deixa de estar devendo, às vezes nem chega a quitar uma dívida e já faz outra), haja um tipo de estagnação criativa ou criatividade destrutiva que permeie a conduta econômica dos indivíduos consumidores, levando em consideração que para um indivíduo não estar endividado condições lhe são requeridas, como disponibilidade financeira, letramento financeiro, educação consumerista, autocontrole, dentre outros fatores. Assim, a nossa abordagem metodológica foi etnográfica e exploratória, como característico de estudos idiográficos, unindo a observação participante, diários autobiográficos e a entrevista semiestruturada. A amostra foi composta por cinco participantes, com idades entre 30 e 60 anos, selecionados a partir do Programa PROENDIVIDADOS do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Os resultados evidenciaram que o endividamento constitui-se como uma semiosfera complexa, na qual afetos (medo, culpa, ressentimento, ansiedade, tristeza), temporalidades distorcidas (antecipação, suspensão, postergação) e limites estruturais (econômicos, psíquicos, culturais) interagem produzindo opacidade sobre a própria condição financeira. A análise dos cinco casos permitiu compreender a experiência do endividamento como fenômeno semiótico afetivo-temporal. Assim, não se trata apenas objetivamente de “ter dívidas”, mas de habitar uma semiosfera específica onde dívida significa algo particular para aquele self. Ademais os resultados apontam para o encurtamento da perspectivação do sujeito endividado dado a atuação de afetos regressivos que tendem a estagnar a criatividade e consequentemente geram percepção de solidão, desamparo e desesperança, dificultando a elaboração de fronteiras significativas que conduzam o sujeito para o lugar do não-endividado. Por outro lado, não se perceber na semiosfera do endividamento pode corroborar para uma criatividade destrutiva da vida financeira caracterizada pela prática de aquisição de dívidas sobre dívidas, bem como podem gerar enredamento na vida financeira de terceiros complexificando a saída do endividamento. Este trabalho avança no campo de estudo sobre Psicologia do endividamento e propõe olhar o sujeito como um ser histórico, contextual, inacabado e construtor de possibilidades, considerando as vidas financeiras como vivas e pulsantes, demonstrando ao sujeito que ele tem poder, mesmo diante dos desmandos históricos, políticos e econômicos, e que realidades mudam, mesmo quando as forças centrífugas parecem descentrar o sujeito de si mesmo. 


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ALAN DELAZERI MOCELLIN
Interna - 3145676 - CANDY ESTELLE MARQUES LAURENDON
Externa à Instituição - CLARISSA MARIA DUBEUX LOPES BARROS - FPS
Externa ao Programa - 2312853 - IZABELA DOMINGUES DA SILVA - nullExterno à Instituição - LUCA TATEO
Notícia cadastrada em: 23/02/2026 22:25
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