VARIABILIDADE SAZONAL DA ESTRUTURA TERMOHALINA NA REGIÃO DOS BANCOS DOS
ABROLHOS E DE ROYAL CHARLOTTE (BA)
Estrutura Termohalina; Reanálise Oceânica; Corrente do Brasil; Banco dos
Abrolhos; Banco de Royal Charlotte.
Os Bancos dos Abrolhos (AB) e de Royal Charlotte (RC), localizados na margem leste
brasileira, estão inseridos em uma região influenciada pela Corrente do Brasil, pela interação
entre circulação e topografia e por processos de mesoescala. Esta dissertação investigou os
contrastes espaciais entre maio e setembro de 2023 na estrutura termohalina e, de forma
complementar, na distribuição da clorofila-a nos dois bancos e em suas regiões adjacentes.
Foram integrados perfis hidrográficos de CTD e campos de temperatura, salinidade e
velocidade das correntes da reanálise oceânica GLORYS12V1. Foram analisadas a distribuição
horizontal e vertical das propriedades termohalinas, a profundidade da camada de mistura, as
principais massas de água e a representação das condições próximas à superfície pelo
GLORYS12V1. A clorofila-a, estimada a partir da fluorescência, foi avaliada quanto à
distribuição superficial, estrutura vertical e magnitude e profundidade dos máximos na coluna
d’água. Em maio, foram observadas condições mais quentes e relativamente menos salinas na
camada superior, enquanto setembro apresentou resfriamento de aproximadamente 2 a 3 °C,
expansão de águas mais salinas e maior intensidade do escoamento para sul próximo à quebra
da plataforma. RC apresentou maior reorganização vertical e heterogeneidade termohalina,
enquanto AB manteve estrutura comparativamente mais estável entre as campanhas. O
GLORYS12V1 reproduziu satisfatoriamente os padrões hidrográficos gerais, com maior
concordância para a salinidade. Em AB, a clorofila-a superficial e o DCM foram
significativamente maiores em maio do que em setembro, enquanto em RC não foram
observadas diferenças sazonais significativas nessas métricas, apesar da elevada
heterogeneidade espacial. A profundidade dos máximos de clorofila-a (ZDCM) diferiu entre os
bancos, com valores geralmente maiores e distribuição vertical mais ampla em RC. Em
conjunto, os resultados demonstram que bancos geograficamente próximos podem apresentar
respostas oceanográficas distintas, ressaltando a importância da circulação regional, da
topografia e da dinâmica de mesoescala na organização desses sistemas.